Comitês olímpicos da América Latina defendem flexibilizar classificação para Tóquio
Central America

Comitês olímpicos da América Latina defendem flexibilizar classificação para Tóquio

Por Eliana Raszewski e Carlos Pacheco

BUENOS AIRES/CIDADE DO MÉXICO (Reuters) – Os atletas deveriam ter a chance de se classificar para a Olimpíada de Tóquio até o início dos Jogos, em 24 de julho, devido à interrupção no calendário esportivo em consequência da pandemia de coronavírus, disseram comitês olímpicos de países da América Latina.

O esporte global está paralisado por causa do vírus, que matou mais de 10.000 pessoas em todo o mundo. A situação deixou milhares de candidatos às Olimpíadas no limbo, com muitos eventos de qualificação adiados ou cancelados.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) disse que 57% de 11.000 atletas garantiram suas vagas olímpicas para 33 esportes.

Pedidos feitos para adiar os Jogos até agora não surtiram efeito. O COI e o governo japonês têm dito repetidamente que o evento seguirá conforme o planejado, entre 24 de julho e 9 de agosto.

Os presidentes dos comitês olímpicos de Argentina, México e Paraguai disseram à Reuters que há discussões com o COI em andamento sobre a realização de eventos classificatórios em maio e junho, bem como o uso de resultados de competições anteriores dos atletas.

“As classificações são uma preocupação e, nesse sentido, foi acordado analisar outros tipos de classificações, como o uso dos Jogos Pan-Americanos em Lima”, disse Camilo Pérez, presidente do comitê paraguaio, referindo-se à competição de 2019 no Peru.

“E estendendo prazos que chegariam quase à data dos Jogos”, acrescentou.

A pandemia, que derrubou os mercados globais e forçou vários países a fechar suas fronteiras, também está impedindo muitos atletas de continuarem seu regime de treinamento, já que vários países estão aconselhando as pessoas a praticarem o isolamento social em uma tentativa de conter a propagação do vírus.

Apesar de todos os percalços, Pérez disse que os comitês regionais concordaram durante uma videoconferência em apoiar os planos do COI de organizar as Olimpíadas conforme planejado.

“Os atletas precisam fazer todo o possível para tentar manter a forma e continuar (treinando) nesse cenário. Estamos a quatro meses (dos Jogos) e a situação mundial muda todos os dias”, disse Pérez.

O Comitê Olímpico do Brasil (COB) disse em nota enviada em resposta a questionamento da Reuters que está “muito preocupado” com o avanço do coronavírus em todo o mundo e também com os impactos que a pandemia pode trazer à realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio, e alertou que as condições de preparação dos atletas brasileiros estão longe das ideais devido ao surto.

“A manutenção dos Jogos nas datas planejadas é uma decisão que cabe ao Comitê Olímpico Internacional, que sabemos estar se baseando em contatos constantes com a Organização Mundial de Saúde. No entanto, o COB segue atento às condições de preparação dos atletas brasileiros que, assim como para atletas de todo mundo, estão longe das ideais”, disse o COB.

A entidade decidiu fechar CT Time Brasil, no Rio de Janeiro, principal base de treinamento dos atletas brasileiros, além de cancelar eventos, como medidas para enfrentar a disseminação do coronavírus.

Gerardo Werthein, presidente do Comitê Olímpico Argentino, afirmou que não há indicação de que os Jogos sejam suspensos, mas que “é um cenário dinâmico” que muda diariamente. Ele espera que eventos classificatórios possam ser retomados em maio ou junho.

“Mas o mais importante é que o COI decida flexibilizar as regras de qualificação”, afirmou, dizendo que os resultados de competições anteriores na região poderiam ser usados.

O chefe do comitê do México, Carlos Padilla Becerra, acrescentou: “Tudo isso está sendo remarcado a partir do mês de maio e temos até o último dia de junho para concluir as inscrições”.

Já o chefe do Comitê Olímpico da Colômbia disse à Reuters que os Jogos deveriam ser adiados se a epidemia não estiver sob controle em breve.

(Reportagem de Eliana Raszewski, em Buenos Aires; Daniela Desantis, em Assunção; Carlos Pacheco, na Cidade do México; e Pedro Fonseca, no Rio de Janeiro)

((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 2223-7128))

REUTERS PF

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