Produção rápida de remédios e vacinas contra coronavírus é estratégia perigosa, diz revista
SÃO CARLOS, SP (FOLHAPRESS) – Apostar todas as fichas na capacidade dos pesquisadores de produzir rapidamente remédios e vacinas contra o novo coronavírus é uma estratégia perigosa tanto para o público quanto para a própria comunidade científica.
A advertência é o mote de um editorial da prestigiosa revista especializada Science, onde algumas das pesquisas mais importantes do mundo costumam ser publicadas toda semana.
“Quando a ciência enfrentou a crise da Aids, foram necessários anos de virologia, desenvolvimento de drogas e epidemiologia [para se chegar a um resultado]. O ataque científico global à Covid-19 está sendo mais rápido, e estou esperançoso”, escreve o editor-chefe da Science, Herbert Holden Thorp, químico e professor da Universidade Washington, em Saint Louis. “Mas me preocupa o fato de que, ao engendrar falsas esperanças, criaremos uma sensação de complacência que vai tirar de nós o tempo necessário para encontrar uma solução duradoura.”
A Science, assim como sua principal rival, a britânica Nature, e muitas outras revistas científicas de prestígio estão usando suas páginas e seus sites para publicar diversos estudos relevantes sobre o novo coronavírus em tempo recorde. Além disso, também estão deixando livre o acesso dos cientistas e do público a essas pesquisas (em geral, é preciso ser assinante desses periódicos ou pagar por artigo para poder ler os estudos).
Thorp frisa, porém, que nem sempre é fácil transformar o conhecimento científico básico sobre uma doença –ou seja, os dados sobre as características do vírus, como ele se espalha pela população, como o organismo reage a ele etc.– em tratamentos ou vacinas que resolvam o problema em definitivo.
A situação do novo coronavírus, afirma o editor, “não se compara só a tentar consertar um avião em pleno voo –é como consertar o avião voando enquanto o projeto dele ainda está sendo elaborado”.
É importante ter em mente, segundo ele, que ainda se sabe muito pouco sobre o vírus. Algumas drogas promissoras testadas em laboratório já fracassaram, e o desenvolvimento de uma vacina pode não trazer resultados promissores mesmo no longo prazo, a exemplo do que ocorre até hoje com o vírus da Aids.
Os cientistas sabem de todas essas limitações, afirma Thorp, mas o problema são os políticos que tentam exagerar as esperanças do que está sendo feito até agora. “Vamos prometer menos para tentar cumprir mais nossas metas”, defende o químico.
Veja Tambem em Últimas Notícias
Governo federal atualiza programa Bolsa Família e detalha acesso a benefícios complementares
João Fonseca constrói trajetória sólida no tênis profissional aos 19 anos
Estudante Shrey Parikh vence Scripps Spelling Bee 2026 com recorde de palavras e prêmio de US$ 52.500
Sucesso absoluto no Japão consolida liderança do console Nintendo Switch 2 com vendas expressivas
Michael Schumacher at 57: Over a decade of private care and an enduring Formula 1 legacy
Cometa Interestelar 3I/Atlas, Nasa, Informações sobre o cometa, curiosidades
Fifa confirma datas e horários das partidas da Seleção Brasileira na fase de grupos da Copa 2026
Britânico Elfin Evans domina as primeiras especiais do Rally Japan 2026 e garante liderança para a Toyota
Anthropic atinge valor de 965 bilhões de dólares e ultrapassa OpenAI em nova rodada de investimentos
Seleção da Noruega retorna ao Mundial liderada por Erling Haaland e encara chave complexa no torneio
Chefe da Lamborghini usa críticas ao Ferrari Luce para justificar aposta em carros híbridos