Governo estuda aplicar Enem 2020 em apenas um dia por causa do coronavírus
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) estuda aplicar o Enem 2020 em apenas um dia, não em dois como ocorre normalmente. O objetivo principal seria minimizar o contato entre os participantes em meio à pandemia do coronavírus e reduzir riscos de contaminação.
Para aplicar o exame em apenas um dia, técnicos do órgão, ligado ao MEC (Ministério da Educação), analisam a redução no número de questões. A ideia é forte dentro do Inep, mas a análise ainda é inicial por conta de desafios metodológicos.
Atualmente, o Enem é dividido em dois dias, com provas de 90 questões a cada dia –além da redação, aplicada no primeiro dia. Os candidatos tinham 5h30 no primeiro dia e 5h para as provas finais.
O governo Jair Bolsonaro (sem partido) confirmou na quarta-feira (20) o adiamento do Enem em 30 ou até 60 dias, sem definir datas exatas até agora. O ministro Abraham Weintraub (Educação) vinha ignorando pedidos de secretários de Educação para mudar as datas, mas só mudou de postura após uma iminente derrota no Congresso.
O Senado já aprovou projeto para o adiamento do Enem e a matéria está na Câmara. O próprio Bolsonaro deu aval para a alteração após ser informado de que não haveria condições de segurar o tema no legislativo.
As provas estavam marcadas para os dias 1º e 8 de novembro (em papel) e 22 e 29 do mesmo mês (em computador). Dessa forma, o governo considera aplica-las em dezembro ou janeiro.
Segundo técnicos do instituto, o maior desafio seria chegar a um número ideal de questões que possibilite uma prova não muito longa e ainda atenda aos parâmetros estatísticos. O Enem é formulado com um modelo matemático chamado TRI (Teoria de Resposta ao Item) em que as questões são calibradas quanto à dificuldade, entre outras características.
Com um número reduzido de perguntas também fica reduzida a precisão estatística, disse à Folha um especialista do MEC, sob condição de anonimato. A TRI é que permitiria, por exemplo, o mesmo nível de dificuldade entre as provas em papel e digital, garantindo, assim, condições iguais de disputa entre os dois grupos de candidatos.
A redução da prova levaria a uma consequente diminuição de conteúdos exigidos, o que não não seria um problema considerável na avaliação do Inep.
O adiamento de provas de acesso ao ensino superior também ocorreu na maioria dos países com avaliações similares ao Enem. Entre os cinco países que mantiveram as datas, Chile e Egito fizeram adaptações para exigir apenas conteúdos de anos anteriores ou já abordados antes do fechamento da escola.
O Enem é a principal porta de entrada do ensino superior público. Neste ano, foram oferecidas 237.128 vagas em universidades para quem fez o exame.
Até esta quinta, 4.637.801 de pessoas se inscreveram no Enem 2020, segundo informações divulgadas pelo próprio ministro. As inscrições se encerram nesta sexta-feira (22).
Também estão em cálculo gastos extras com medidas sanitárias para aplicação do exame.
Seria necessário alocar mais salas de aplicação das provas para garantir maior distância entre alunos. Isso demandaria mais aplicadores e equipamentos de proteção, como máscara e álcool em gel.
Weintraub insiste em fazer uma consulta pública sobre o adiamento do Enem. Ainda não há definição se a realização da prova em apenas um dia estaria entre as perguntas.
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