Infraestrutura e obras públicas perdem mais espaço na construção, diz IBGE
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Obras públicas e de infraestrutura continuaram perdendo relevância na indústria de construção no país em 2018, segundo pesquisa divulgada nesta quarta (27) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os dados mostram ainda que os trabalhadores do setor tiveram naquele ano os menores salários em uma década.
A perda de espaço de obras públicas e de infraestrutura em 2018 repete tendência que vem sendo observada desde 2014, quando a descoberta do esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato paralisou diversas obras e o país entrou em um período de recessão que apertou os orçamentos dos governos.
De acordo com o IBGE, o valor de incorporações da indústria brasileira da construção, que somou R$ 278 bilhões em 2018, praticamente no mesmo patamar do ano anterior. O IBGE destaca que, apesar de um aumento de 1,3% no PIB naquele ano, a construção caiu 3,8%. O ritmo de queda, porém, foi menor do que o registrado no ano anterior, de 9,2%.
Os resultados da pesquisa divulgada nesta terça, diz o IBGE, “sugerem que o contexto da instabilidade econômica e institucional iniciado em 2015 não foi plenamente superado pela indústria da construção”, que ainda convivia em 2018 com adiamento de investimentos e cancelamento de projetos.
O cenário teve reflexo no emprego do setor, com queda de 1,7% no número de pessoas ocupadas e de 3,2% no valor de salários e outras remunerações pagas aos trabalhadores do setor. Com relação a 2009, diz o IBGE, o número de trabalhadores caiu 35,3% e os salários, 43,2%.
Em 2018, o salário médio pago ao trabalhador da indústria de construção foi de 2,3 salários mínimos, o menor valor em uma década e 0,3 salários mínimos menor que em 2017. A renda média da construção de edifícios (2,1 salários mínimos), que ganhou espaço, são menores do que os de obras de infraestrutura (2,8).
Segundo o IBGE, as obras de infraestrutura representaram 31,3% do valor total de incorporações, contra 32,2% no ano anterior e 46,5% em 2009. Já a participação da construção de edifícios foi de 45,5%, um pouco menor que os 45,8% do ano anterior. Em 2009, a fatia deste segmento era de 39,5%.
“A diminuição dos investimentos governamentais, bem como a paralisação ou desaceleração de programas de estímulo ao setor da construção, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), podem ter refletido a perda de dinamismo do setor e, sobretudo, da atividade de infraestrutura”, disse o IBGE.
A participação do setor público como contratante das obras caiu de 31,7% em 2017 para 30,7% em 2018. Em 2009, os projetos pagos por governos representavam 43,2% do valor total das obras. Mesmo em infraestrutura, a participação dos governos caiu para 50,4%, o que significa que metade das obras foram feitas pelo setor privado.
Com a derrocada dos grandes grupos construtores após a Lava Jato, a concentração dos negócios entre as oito maiores empresas do setor também vem caindo ano a ano. Em 2018, elas foram responsáveis por apenas 4,4% do valor total da construção, contra 6% no ano anterior e 12,4% em 2009.
Nas obras de infraestrutura, as oito maiores representaram 10,8% do mercado, contra 26,5% em 2009. Das oito maiores empresas da pesquisa, diz o IBGE, seis eram de infraestrutura, uma a menos do que em 2009.
Esse cenário se reflete também no porte das empresas. Em 2018, as construtoras que atuavam em obras de infraestrutura tinham em média 43 trabalhadores, quase metade dos 92 verificados em 2009. Na média, as construtoras brasileiras empregaram 15 pessoas em 2018, contra 33 dez anos antes.
A região sudeste concentra quase metade tanto do pessoal ocupado quanto do valor de incorporações da indústria de construção, mas essa participação vem caindo ao longo dos anos. A fatia no pessoal ocupado caiu de 50,5% para 48,2% e no valor de incorporações, de 54,5% para 49,2%.
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