Goleiros são maiores prejudicados com parada do futebol, diz Taffarel
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Após os anúncios de que as ligas nacionais de Espanha, Inglaterra e Itália irão retomar suas disputas neste mês de junho, os clubes que disputam essas competições já trabalham com planos para recuperar a normalidade dos treinos e a condição física necessária de cada jogador para o futebol competitivo.
Nessa corrida contra o tempo, atletas estão tendo de readequar o corpo e a mente para as cargas de treinamento a que estavam acostumados há mais de dois meses, quando o futebol parou em razão da pandemia.
Na opinião de Taffarel, preparador de goleiros da seleção brasileira, os jogadores que mais sentirão os efeitos da parada serão justamente os donos da camisa 1.
“O jogador de linha faz um reforço, uma corrida e consegue manter essa preparação física. O goleiro perde muito, porque ele não tem a referência de um chute, de uma posição no gol, então vai sofrer bastante na volta. Tem que intensificar os treinamentos, com bons trabalhos, para recuperar tudo”, diz Taffarel, 54, à Folha de S.Paulo.
Titular da seleção, o goleiro Alisson, 27, voltou aos treinos com o Liverpool no início de maio, quando os clubes da Premier League foram autorizados a retomar as atividades, desde que os atletas trabalhassem individualmente.
Reserva de Alisson no Brasil, Ederson, atual bicampeão do torneio com o Manchester City, também voltou a pisar no gramado para trabalhar com a comissão técnica da equipe.
Na semana passada, a elite inglesa deu mais um passo rumo ao retorno, com a liga permitindo o contato físico entre jogadores nos treinamentos.
Por conta de uma lesão no quadril sofrida em um treino do Liverpool, Alisson havia ficado fora da convocação para a estreia do Brasil nas eliminatórias, contra o Peru, adiada em razão da pandemia da Covid-19.
Na lista do técnico Tite, além de Ederson, 26, foram convocados Weverton, 32, goleiro titular do Palmeiras, e o jovem Ivan, 22, da Ponte Preta.
A dupla que atua no futebol paulista ainda espera pela autorização para a volta dos treinamentos com seus respectivos clubes.
Taffarel conta que tem mantido contato com os goleiros da seleção, mas que as limitações impostas pela pandemia não permitem direcionar o trabalho ou fazer uma observação minuciosa dos atletas.
“Tenho falado com o Alison, com o Weverton falo de vez em quando. Mas não dá para ficar acompanhando muito eles. Vai chegar um momento em que irão voltar aos treinamentos, aí sim, reinicia-se esse acompanhamento. Até pessoalmente”, afirma o ex-goleiro.
Apesar da quarentena, Taffarel teve motivo para comemorar no mês de maio. No dia 17, o Galatasaray, da Turquia, celebrou os 20 anos do título da Copa da Uefa (hoje Europa League) sobre o Arsenal, conquista que teve o brasileiro como um dos heróis.
Após empate em 0 a 0 no tempo normal, a final disputada em Copenhagen foi para a prorrogação. No regulamento do torneio, havia o gol de ouro, que dava a vitória a quem marcasse primeiro no tempo extra.
Já nos minutos finais da segunda etapa do tempo extra, Ray Parlour fez o cruzamento da direita e encontrou o atacante Thierry Henry, livre na segunda trave. O francês cabeceou sem marcação e Taffarel, que parecia estar batido no lance, fez grande defesa, levando o jogo para as penalidades.
Nos vídeos daquela partida é possível ver torcedores do Arsenal se preparando para comemorar o gol de Henry, mas logo na sequência parecem incrédulos com a intervenção do goleiro brasileiro, que já havia salvado o time turco após grande jogada do nigeriano Kanu.
Na decisão por pênaltis, os ingleses desperdiçaram duas cobranças, ambas na trave, e os turcos venceram por 4 a 1. Foi a primeira grande conquista internacional de um clube da Turquia.
“Quando eu saio na rua lá em Istambul, o pessoal só lembra da defesa na cabeçada do Henry”, brinca Taffarel. “Nós fomos lá enfrentar o Arsenal porque dava para ganhar. Nós sentíamos isso, a confiança, mesmo sabendo da força deles. A gente acreditou durante toda a competição.”
Aquele Galatasaray tinha como principal estrela o meio-campista romeno Gheorghe Hagi, maior jogador da história de seu país e que esteve nas Copas do Mundo de 1994 e 1998 com a seleção da Romênia. Hagi, porém, foi expulso na prorrogação da decisão e não pôde cobrar sua penalidade.
Para Taffarel, apesar do protagonismo do meia romeno, a força do time turco estava no conjunto bem treinado pelo técnico Fatih Terim, que após o título ganhou a oportunidade de trabalhar no então badalado futebol italiano, com passagens pela Fiorentina e pelo Milan.
“Ele tinha uma personalidade fortíssima, queria ganhar sempre e exigia sempre o máximo da gente. Uma equipe sempre forte, sólida no ataque, forte no meio de campo, na defesa. A conquista ficou marcada não por causa do Hagi, nem da defesa que eu fiz, mas por causa de um time todo que jogou seu melhor futebol em seu melhor momento e sendo dirigido por esse grande treinador que é o Faith Terim”, completa Taffarel.
Dois anos depois, na Copa do Mundo da Coreia e Japão, a base da seleção da Turquia era formada por jogadores campeões da Copa da Uefa de 2000. Com nomes como Hasas Sas, Hakan Sukur, Bulent Korkmaz e Umit Davala, os turcos alcançaram a terceira colocação no Mundial depois de caírem para o Brasil na semifinal, em derrota por 1 a 0, gol de bico de Ronaldo.
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