Hong Kong não suporta mais “caos” de protestos, diz líder local
Por Clare Jim e Yoyo Chow
HONG KONG (Reuters) – A líder de Hong Kong, Carrie Lam, alertou nesta terça-feira que a cidade administrada pela China não pode se dar ao luxo de mais “caos” quando ativistas assinalaram um ano de manifestações pró-democracia com protestos na hora do almoço em vários shoppings centers.
O polo financeiro global está em estado de alerta para os tumultos de grandes aglomerações planejadas para a noite para marcar o primeiro aniversário de uma manifestação em massa que deu ímpeto ao movimento de protestos antigoverno.
Aquela manifestação, que atraiu um público estimado em mais de um milhão de pessoas em uma cidade de 7,5 milhões, foi desencadeada pela proposta de uma legislação que permitiria extradições para a China continental, onde os tribunais são controlados pelo Partido Comunista.
Lam descartou o projeto de lei mais tarde, mas ficou o receio de que Pequim esteja minando as liberdades na ex-colônia britânica, que voltou à China em 1997 com a promessa de um alto grau de autonomia.
“Todos nós podemos ver a dificuldade que passamos no último ano, e devido a situações tão graves temos mais problemas com os quais lidar”, disse Lam em uma coletiva de imprensa semanal.
“Precisamos aprender com os erros, espero que todos os parlamentares possam aprender com os erros que Hong Kong não suporta tal caos.”
Quase 9 mil pessoas de idades entre 11 e 84 anos foram presas nos protestos ao longo do último ano, disse a polícia na noite de segunda-feira. Mais de 600 foram acusadas de causar distúrbios.
Um salva-vidas de 21 anos, o primeiro manifestante a se declarar culpado desta acusação, foi condenado a quatro anos de prisão no mês passado.
Após uma pausa durante o surto de coronavírus, os manifestantes voltaram às ruas agora que Pequim esboça leis de segurança nacional que ativistas temem solapar ainda mais as liberdades de Hong Kong, inclusive o sistema legal independente.
Dezenas se reuniram em diversos shoppings centers da cidade na hora do almoço, entoando slogans como “Libertem Hong Kong, revolução de nosso tempo”, e se dispersaram pacificamente depois de uma hora.
Algumas portaram cartazes dizendo “Não conseguimos respirar! Libertem HK” e “Vidas Jovens Importam”, um aceno aos protestos contra a brutalidade policial nos Estados Unidos causados pela morte do negro norte-americano George Floyd.
As autoridades insistem que as leis se concentrarão em números pequenos de “arruaceiros” que representam uma ameaça à segurança nacional e que não limitarão as liberdades nem prejudicarão os investidores, e Lam desaconselhou planos de greves.
(Por Carol Mang, Yanni Chow, Donny Kwok, Clare Jim e Noah Sin)
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