Transmissão de coronavírus no Brasil completa 7 semanas fora de controle, indicam cálculos
BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) – O número de pessoas para qual cada infectado transmite o coronavírus (a chamada taxa de contágio) caiu no último mês no Brasil, mas completou a sétima semana seguinte acima de 1, o que indica transmissão ainda fora de controle.
Nos cálculos feitos para esta semana por um dos principais centros de acompanhamento de doenças infecciosas, no Imperial College (Reino Unido), a taxa de contágio do Brasil é de 1,08, ou seja, cada 100 pessoas com o vírus o transmitem para 108, ampliando o alcance da doença.
Para que o contágio seja considerado sob controle, a taxa deve ficar abaixo de 1, como ocorre por exemplo na Alemanha (0,83), em Portugal (0,79) ou nas Filipinas (0,7).
O Brasil apresenta o 22º maior número entre 48 países acompanhados pelo Imperial College por terem transmissão ativa: registraram ao menos dez mortes em cada uma das duas semanas anteriores à que começou neste domingo (7) e um total de no mínimo cem mortes desde o começo da pandemia (os Estados Unidos são analisados à parte, por estado).
O centro britânico estima que 7.780 (variando de 6.710 a 8.620) mortes por coronavírus ocorram no Brasil nesta semana, o maior número entre todos os países. Em segundo lugar vem o México, com 5.560.
Na outra pota da lista está a Espanha, que já foi uma das nações mais afetadas pela epidemia no mundo, mas conseguiu controlá-la após uma quarentena rígida e já registrou vários dias sem mortes. Pelos cálculos do Imperial College, o país ibérico deve ter 5 mortes nesta semana (de 0 a 14) e sua taxa de contágio está em 0,08.
Os pesquisadores optaram por fazer previsões de mortes, e não de casos, porque consideram que as estatísticas de óbitos são menos sujeitas a subnotificações que os registros de casos.
Como estão prevendo mortes, as taxas de contágio estimadas refletem o momento da infecção. O estudo também analisa a precisão dos dados divulgados sobre casos de coronavírus no país. Para isso, eles partem da premissa que os mortos equivalem a 1,38% dos casos relatados, e estimam qual deveria ser o número de casos para as mortes que foram divulgadas cerca de duas semanas depois (média de 10 dias, com desvio padrão de 2).
Pelos cálculos do centro de epidemiologia, os números de casos reportados pelo Brasil são 26% dos que seriam esperados pelo número de mortes relatadas, o 34º menos preciso entre os 48 países. No Chile, por exemplo, esse dado é 71,6%, e na Espanha, 100%.
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