Casos em frigoríficos preocupam MS e RS
Cidades onde a presença de frigoríficos têm forte presença na atividade econômica viraram foco de preocupação de disseminação da covid-19 no País, repetindo movimento que ocorreu na Europa e nos Estados Unidos. O ambiente fechado, com baixas temperatura e grande número de pessoas, pode favorecer o espalhamento do vírus.
Dourados (MS) virou o epicentro da pandemia no Estado. Com 2.811 casos até ontem e 31% das ocorrências do Mato Grosso do Sul, superou Campo Grande, com 2.612 registros. No frigorífico JBS, maior empregador da cidade, o primeiro caso apareceu em meados de maio. Segundo o procurador do Trabalho do município, Jeferson Pereira, foram testados 4.126 funcionários da empresa e destes, 1.075 tiveram diagnóstico positivo e foram afastados.
O procurador-geral de Dourados, Sérgio Henrique Pereira Araújo, acredita que o alto número de contaminados não tenha relação com o frigorífico. “Ampliamos a testagem para conter a contaminação. Por isso, temos números muito maiores em relação a Campo Grande.” Ele diz que a situação está sob controle, mas aventa possibilidade de que as regras de isolamento da cidade fiquem mais rígidas nas próximas semanas.
Em nota, a JBS afirma que logo, que foi confirmado o primeiro caso no frigorífico da empresa em Dourados, a funcionária foi afastada, assim como outras pessoas com quem ela poderia ter tido contato. Também disse adotar medidas previstas no protocolo. A empresa informa ter hoje 20 trabalhadores afastados por covid-19 nessa unidade.
Rio Grande do Sul
Segundo a procuradora do Trabalho e gerente nacional adjunta do Projeto Frigorífico, Priscila Schvarcz, desde o início da pandemia no Rio Grande do Sul foram 5.832 trabalhadores de frigoríficos infectados – 20% dos casos confirmados no Estado. “Esse número é só de trabalhadores, sem considerar os contactantes. É muita coisa.”
Ela explica que em muitos municípios gaúchos os primeiros casos foram diagnosticados em trabalhadores do setor. Como os frigoríficos empregam pessoas de municípios vizinhos, ela diz haver uma interiorização da doença.
“Grande número de pessoas trabalhando muito próximas uma das outras, em ambientes com pequena renovação de ar em baixas temperaturas, é uma bomba-relógio para contaminação.” As regiões mais afetadas são oeste de Santa Catarina, oeste do Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás e Rondônia. Segundo ela, o índice de contaminação no setor é maior do que de outras indústrias.
Números
Segundo o diretor executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal, Ricardo Santin, esses dados são equivocados e misturam diagnósticos pelo teste rápido de covid-19, com alta incidência de falsos resultados, e exames moleculares (PCR), que identificam a presença do vírus.
Ele observa que há várias unidades no País sem registro de infecções e diz que os frigoríficos não são pontos de produção da doença. O setor, diz, segue rígido protocolo desenhado pelos ministérios da Agricultura, Saúde e Economia, atento a normas da Organização Mundial da Saúde e da Anvisa.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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