Gabriela Medvedovski, de 'Malhação', diz que infelizmente ser mulher é lidar com machismo
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A temporada de reprises imposta pela pandemia do novo coronavírus trouxe de volta algumas histórias e personagens marcantes à TV aberta. Mas não é apenas o público que comemora, muitos atores estão podendo rever papéis antigos com um olhar diferente e com menos cobrança deles mesmos.
A atriz Gabriela Medvedovski, 28, que estreou na televisão como a Keyla, de “Malhação – Viva a Diferença”(Globo, 2017-2018), afirma que está adorando rever a novela com olhar de espectadora e com impressões mais amadurecidas. “Com esse distanciamento algumas questões ficam mais claras”, afirma ela.
“Muitas das cobranças continuam em relação a Keyla, porém, como muitos já sabem o final, pegam menos no pé dela. Ainda que eu acredite que, independentemente de saber ou não o final, poderiam ser mais compreensivos com ela [risos]”, brinca a atriz, que sai em defesa de sua personagem.
Medvedovski dividiu o protagonismo da 25ª temporada de “Malhação” com outras quatro atrizes, mostrando dilemas adolescentes. A fórmula deu tão certo que a temporada conquistou o prêmio de melhor série no Emmy Internacional Kids 2018 e vai virar série. “As Five” estreia no dia 12 de novembro no Globoplay, com 12 capítulos que serão disponibilizados semanalmente, sempre às quintas-feiras.
Na novela, a personagem de Gabriela Medvedovski, Keyla, ficou responsável por temas densos como gravidez na adolescência e cobrança estética. Para a atriz, assuntos necessários para abrir debates e evitar a banalização das dores de muitas meninas e mulheres. “Quando elas se veem representadas entendem que não estão sozinhas.”
“Ser mulher, infelizmente, é ter de lidar diariamente com essas cobranças e situações machistas, porque a nossa sociedade foi formada através de uma estrutura patriarcal que naturaliza essas situações”, afirma a atriz, que completa: “Se não trouxermos luz para determinados assuntos, podemos estar naturalizando comportamentos que podem fazer muito mal para algumas pessoas.”
Mas a pandemia não trouxe para Medvedovski apenas a oportunidade de rever Keyla. Ela estava gravando cenas da próxima novela das 18h, “Nos Tempos do Imperador”, antes de os trabalhos serem suspensos. Na trama, ela será Pilar, jovem que sonha em ser médica, mas sente o peso de ser mulher no século 19.
Para a atriz, o folhetim tem sido uma oportunidade para aprender mais sobre a história do Brasil, além de tirá-la da zona de conforto de uma atuação contemporânea. “É um grande desafio trabalhar em outro tempo histórico, mas é uma oportunidade linda de me arriscar como atriz e descobrir novas possibilidades.”
“Acho muito interessante, pois estamos contando uma história do início da construção do nosso país, em um momento em que ele é tão jovem, e é possível entender como chegamos até aqui, e mais que isso, questionar nossa realidade e entender o quanto de passado temos no nosso presente”, avalia Medvedovski.
Questionada sobre esse “presente”, ela aponta uma visão negativa do cenário político atual, chegando a classificado como “tempos sombrios”, mas também vê esperança: “Ver lutas escancaradas e vozes muitas vezes silenciadas sendo amplificadas me dá esperança de que podemos viver dias melhores.”
“Cada vez mais caminhamos para um lugar no qual as pessoas tenham mais consciência e responsabilidade. É um longo caminho e infelizmente falta muito para percorrer. Mas, ao mesmo tempo, vejo que pequenas reflexões sobre, por exemplo, quem que eu sigo na internet, que discurso compactuo e se de alguma forma contribuo para que determinados comportamentos permaneçam existindo, já são um processo de realização e mudança.”
IOGA E BORDADOS
Com a suspensão de quase toda produção artística nos últimos meses, Gabriela Medvedovski fez suas malas e retornou para Porto Alegre (RS), onde moram seus pais. Segundo ela, mesmo assim tem sido um período difícil psicológico e emocionalmente, mas também uma oportunidade para cuidar de si mesma.
“Não posso dizer que está sendo fácil, porque não está, mas eu tenho a sorte de ter um lugar seguro e confortável para ficar quando muitas pessoas nem isso tem”, afirma ela, que ainda não tem data para retomar o trabalho. A Globo diz que estuda vários cenários, e que a trama pode estrear apenas em 2021.
Enquanto isso, Medvedovski tem se dedicado à atividades, como ioga, leitura, filmes e séries, além da faxina -“modalidade esportiva durante a pandemia”, brinca. “Mas também adoro trabalhos manuais, então às vezes bordo, faço colagens, miçangas, enfim, o que der para ocupar a mente de uma maneira produtiva e terapêutica.”
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