Doria cobra bancada paulista por divisão de R$ 2 bi em recursos de MP da vacina
O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), cobrou na segunda-feira, 17, a bancada paulista na Câmara para que pressione e atue pela divisão dos R$ 2 bilhões previstos pela Medida Provisória (MP) 994 para a vacina contra a covid-19 a ser produzida pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Doria pediu a destinação de parte do recurso também ao Instituto Butantan, em São Paulo.
No encontro, participaram ainda o vice-governador Rodrigo Garcia (DEM), Antonio Imbassahy, secretário especial e chefe do escritório de representação paulista em Brasília, e Dimas Tadeus Covas, diretor do Butantan, que desenvolve outra vacina, em parceria Sinovac.
Editada pelo governo federal, a MP 994 prevê recursos para bancar o contrato entre Fiocruz, vinculada ao Ministério da Saúde, e o laboratório AstraZeneca, que prepara vacina contra covid-19 em parceria com a Universidade de Oxford, no Reino Unido. O imunizante, também em fase final de testes, será produzido no Brasil pela Bio-Manguinhos, da Fiocruz.
Segundo relatos de parlamentares ao Broadcast Político (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), Doria frisou na reunião que não pode haver uma corrida da vacina e nem uma politização sobre o assunto.
Ele considerou injusto e uma discriminação que a MP destinasse R$ 2 bilhões apenas para a Fiocruz e nada para o Instituto Butantan. Se não houver a divisão, o governador pediu que o mesmo valor seja liberado para o órgão paulista, pois a vacina seria gratuita e distribuída pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Doria contraiu covid-19 e está isolado. A reunião foi feita por meio de videoconferência, com participação de deputados paulistas de diversos partidos como DEM, MDB, PSB, além do PSDB.
O governador citou que na semana passada três secretários do Ministério da Saúde visitaram o Butantan, em São Paulo e relataram terem ficado impressionados com os testes feitos com a vacina paulista.
O governador relatou também aos parlamentares que o próprio ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, entrou em contato com ele. Doria classificou Pazuello como amabilíssimo, corretíssimo e com uma conduta irretocável em relação ao governo paulista.
No entanto, ainda de acordo com relatos de deputados, Doria criticou o Palácio do Planalto e afirmou que a posição do governo federal faz com que o Ministério da Saúde adote uma postura emudecedora e até submissa.
Escalado com porta-voz pelo governo paulista sobre o encontro, Imbassahy afirmou ao Broadcast Político que não há qualquer intenção de se obstruir o trabalho da Fiocruz. “O que a gente entende é que o grau de prioridade e atenção deve ser o mesmo”, disse. “Estamos construindo essa boa articulação com a Câmara e o Ministério da Saúde para que ambas as instituições sejam atendidas”, afirmou.
De acordo com Imbassahy, há uma previsão de que a comissão externa da Câmara sobre a pandemia visite o Butantan na próxima semana para se inteirar sobre os trabalhos do instituto paulista.
Butantan
Na reunião, Dimas Covas, diretor do Butantan, afirmou, de acordo com os parlamentares, que a corrida pela vacina é para produzir o imunizante o mais rápido possível. Baseado na experiência de 35 anos como pesquisador, ele estima que a vacina, batizada de Coronavac, esteja disponível até o início de 2021.
Covas classificou a vacina da Sinovac como “pronta” e “a mais adiantada do mundo”, tanto que a companhia chinesa a produz para que haja escala de distribuição quando os testes forem finalizados.
O diretor do Butantan informou que o governo receberá 15 milhões, 5 milhões mensais, entre outubro e dezembro, para serem aplicadas.
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