Bielorrussos pulverizam atos para driblar cerco da ditadura
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Bielorrussos pulverizam atos para driblar cerco da ditadura

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BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) – Apesar do grande número de tropas nas ruas de Minsk neste domingo (13), repressão violenta no final da tarde e ao menos 400 prisões, dezenas de milhares de bielorrussos protestam contra a ditadura, no 36º dia seguido de manifestações na Belarus.

À decisão do ditador Aleksander Lukachenko de elevar o número de soldados na capital, bielorrussos responderam com manifestações maiores em outras cidades, com ao menos 17 focos de protesto.

Em Minsk, manifestantes alteraram rotas e pulverizaram atos, segundo relatos feitos à reportagem por telefone e rede social. Veículos de informação locais falam em dezenas de milhares de participantes.

Ao menos 400 pessoas foram presas, segundo um balanço parcial divulgado pelo Ministério do Interior (responsável pela segurança) no fim do dia.

A partir desse horário, a internet começou a falhar na capital. A agência oficial afirmou que a largura de banda da internet móvel foi reduzida, o que dificulta a transmissão de dados.

A repressão usou arame farpado para isolar ruas em Minsk e canhões d’água para dispersar manifestantes em várias cidades do interior.

Em Zhodzino, um policial bateu no rosto de uma mulher com tanta força que ela caiu no chão, revoltando os participantes do protesto.

Além das marchas nos finais de semana, os bielorrussos têm feito “protestos internos” nos pátios e jardins comuns dentro de superquadras de prédios de apartamento.

Há campanhas inusitadas, como pendurar de forma alternada peças de roupa vermelha e branca –uma foto com três calcinhas formando a bandeira antiditadura viralizou nas redes sociais.

Brinquedos dos parquinhos, cercas e bancos de jardim são pintados de branco e vermelho –cores da bandeira histórica, que virou símbolo da oposição à ditadura.

No bloco de Sônia (que preferiu não dizer o sobrenome), em um bairro de Minsk, fitas brancas e vermelhas foram amarradas por toda a extensão do jardim interno.

Cartazes com críticas a Lukachenko e frases de apoio aos manifestantes também são comuns. “Nosso movimento não tem líderes. Nós somos a rua”, e “Três cabeças surgirão a cada cabeça cortada” são algumas delas.

A violência crescente do governo contra as mulheres começou a provocar reações femininas. Em alguns pontos, elas arrancaram máscaras dos policiais e investiram contra eles para tentar impedir que manifestantes fossem arrastadas para camburões

Uma das figuras mais ativas nessa luta contra as detenções é a ativista Nina Bahinskaia, 73, que ficou conhecida como a “bisavó dos protestos”.

Em entrevista publicada pelo jornal britânico Financial Times, o chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, disse que o bloco está “engolfado pelas chamas, da Líbia à Belarus”. Segundo ele, as sanções a responsáveis por fraude eleitoral e repressão violenta no país vizinho devem ser decididas até o dia 21.

A inclusão de Lukashenko na lista dos punidos, no entanto, ainda não está definida, segundo ele.

Nesta segunda (14), o ditador deve se reunir em Moscou com o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Lukachenko quer que o governo russo o ajude a acabar com os protestos, o pode lhe custar maior dependência de Putin.

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