Ditadura bielorrussa acusa opositora de ameaça à segurança nacional
BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) – Uma das principais líderes da oposição à ditadura da Belarus, a flautista Maria Kalesnikava foi oficialmente acusada nesta quarta-feira (16) de “ameaçar a segurança nacional usando meios de comunicação e internet”, segundo o Comitê Investigativo do regime. Se for considerada culpada, ela pode pegar até cinco anos de prisão.
Kalesnikava, 38, foi uma das três mulheres da principal candidatura contra o ditador Aleksandr Lukachenko na eleição presidencial, que ocorreu em 9 de agosto.
Desde que irromperam os protestos contra o resultado, que deu mais de 80% dos votos ao ditador, ela vinha participando de manifestações e do conselho criado para negociar uma transição pacífica e novas eleições.
Na semana passada, porém, Kalesnikava foi presa pela ditadura após frustrar uma tentativa de ser retirada à força da Belarus. Ela rasgou seu passaporte para impedir a entrada na Ucrânia. Desde então, ela está detida.
Dos 7 líderes do conselho de transição, 6 foram detidos ou expulsos da Belarus. A única ainda no país é a escritora Svetlana Aleksiévich, prêmio Nobel de Literatura em 2015.
A Procuradoria Geral bielorrussa também abriu no final de agosto um processo criminal contra o conselho, por tentativa de tomar o poder do Estado e ameaças à segurança nacional.
Kalesnikava, por sua vez, também pediu a abertura de um processo contra o regime, por ameaças de morte e violência psicológica. Segundo ela, durante a tentativa de levá-la para a Ucrânia, agentes de Lukachenko disseram que iriam tirá-la da Belarus “viva ou aos pedaços”.
Apesar da repressão crescente contra os opositores, Lukachenko tem enfrentado manifestações diárias por sua renúncia desde 9 de agosto. Ele nega, porém, que tenha fraudado as eleições, e diz que não deixará o cargo.
“Tivemos a votação e obtivemos o resultado. É hora de parar de agitar a sociedade”, afirmou em discurso nesta quarta. A jornalistas russos na semana passada, ele disse que as manifestações eram patrocinadas por “países ocidentais”.
O argumento de que a Otan (aliança militar de países europeus e norte-americanos) tenta desestabilizar seu regime tem sido usado por Lukachenko para conseguir apoio do presidente russo, Vladimir Putin.
Em encontro dos dois na Rússia nesta segunda, Putin prometeu socorrer a endividada Belarus com um empréstimo de US$ 1,5 bilhão e defendeu que o conflito atual seja defendido internamente. Para analistas, o presidente russo deve se aproveitar do enfraquecimento de Lukachenko para aumentar seu controle sobre o país vizinho, no qual tem interesses geopolíticos e econômicos.
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