O que se sabe sobre Hunter Biden e por que o filho de um candidato virou tema de campanha
BAURU, SP (FOLHAPRESS) – Parte dos ataques a Joe Biden tem como alvo a família do candidato à Presidência dos Estados Unidos -mais precisamente, Hunter Biden, a quem o democrata costuma se referir como “meu filho sobrevivente”.
Biden carrega o luto por dois filhos: a primeira perda, em 1972, foi provocada por um acidente na estrada em que Naomi, com um ano de idade, morreu junto com a mãe, Neilia, a primeira esposa de Biden. Mais recentemente, em 2015, o primogênito do democrata, Beau, morreu em decorrência de um câncer no cérebro.
Aos 50 anos, Hunter também viveu suas próprias tragédias. Ele já falou abertamente sobre seu histórico de abuso de álcool e drogas, vício que começou ainda na adolescência, com o consumo de bebida, e se agravou durante a fase universitária, em que Hunter começou a usar cocaína e crack.
A partir dos anos 2000, viveu fases em que intercalava o vício e a sobriedade e chegou a entrar em uma clínica de reabilitação em 2003. Durante os sete anos seguintes, ficou longe das drogas, mas teve recaídas com o álcool durante viagens de negócio.
Hunter foi selecionado, em 2013, para ser oficial reserva da Marinha americana, mas um exame toxicológico detectou uso de cocaína e o filho de Biden acabou dispensado. Novamente, buscou ajuda clínica, dessa vez em uma unidade de reabilitação no México. A morte do irmão, há cinco anos, também serviu de gatilho para novas recaídas.
Hunter se casou, em 1993, com a advogada Kathleen Buhle, com quem teve três de seus cinco filhos. Em 2016, envolveu-se por tempo indeterminado com a viúva do irmão, Hallie Biden. A relação recebeu apoio da família.
Em 2017, o filho de Biden se divorciou de Buhle. No ano seguinte, foi pai pela quarta vez. A mãe da criança, Lunden Alexis Robert, precisou ir à Justiça para comprovar a paternidade até que, em janeiro deste ano, Hunter concordou em pagar uma pensão para encerrar a disputa judicial.
No ano passado, Hunter se casou com a cineasta sul-africana Melissa Cohen, a quem pediu em casamento cerca de uma semana depois de tê-la conhecido. O casal teve um filho -o quinto de Hunter- em março.
O que trouxe Hunter para a campanha presidencial deste ano, entretanto, não foi sua agitada vida pessoal e conjugal, e sim alguns episódios relacionados à sua carreira profissional.
Advogado formado pela prestigiosa Universidade Yale, Hunter tornou-se, em 2014, membro da diretoria da Burisma Holdings, a maior empresa privada de gás da Ucrânia.
Na época, seu pai, como vice-presidente dos EUA durante o governo de Barack Obama, ia à Ucrânia com frequência. Biden era o representante de Washington para ajudar a lidar com a crise internacional gerada quando a Rússia anexou a Crimeia.
Falta clareza sobre o possível envolvimento do pai nos negócios do filho, e foi justamente essa relação pontuada por interrogações que se tornou material de ataque a Biden para a campanha do atual presidente e candidato à reeleição, Donald Trump.
O líder republicano acusa seu adversário de ter usado sua influência como vice-presidente para favorecer os interesses de Hunter, embora os comitês de investigação do Senado americano tenham concluído que Biden não se envolveu em nenhum delito relacionado à Ucrânia.
A acusação ganhou força há pouco mais de duas semanas, quando o tabloide New York Post -que, recentemente, declarou apoio à reeleição de Trump- publicou uma reportagem em que expõe supostos detalhes das negociações entre o filho de Biden e a Burisma.
O jornal afirma ter tido acesso a um email que indica que Hunter apresentou o pai a um empresário ucraniano. Segundo o New York Post, o conteúdo da controversa reportagem, em que o filho de Biden também aparece “fumando crack durante um ato sexual com uma mulher não identificada, além de outras numerosas imagens sexualmente explícitas”, foi obtido do HD de um computador abandonado em uma loja de consertos.
A publicação, entretanto, foi alvo de diversas críticas por apresentar inconsistências e omissões que prejudicam a compreensão do contexto. Facebook e Twitter chegaram a limitar o alcance da reportagem alegando risco de desinformação.
Hunter Biden também esteve no centro de outro tema sensível para Trump, que quase lhe rendeu um impeachment. Em julho de 2019, o líder republicano falou por telefone com o então recém-empossado presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski. Na ligação, Trump pediu ao ucraniano que investigasse Hunter como parte de um inquérito mais amplo sobre casos de corrupção na Burisma.
Dias depois, uma denúncia anônima à CIA, agência de inteligência americana, acusou o presidente de ter abusado do poder de seu cargo para obter ganhos pessoais, o que representaria uma ameaça ao sistema eleitoral americano -à época, Biden já estava confirmado como pré-candidato à Presidência.
O caso se tornou público por meio da imprensa e deu origem a um processo de impeachment contra Trump. O presidente também foi acusado de tentar obstruir as investigações, mas acabou absolvido e se manteve no cargo, graças à maioria republicana no Senado.
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