Sonho da casa própria vira isca de golpistas no Brasil
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Sonho da casa própria vira isca de golpistas no Brasil

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Sonho da casa própria vira isca de golpistas no Brasil. Em busca de um imóvel para comprar, a vítima é fisgada por um anúncio fraudulento de uma suposta financeira. A tratativa começa e, durante as conversas, os golpistas buscam entender a capacidade de pagamento de entrada pelo cidadão, para fazer uma proposta aparentemente vantajosa. Quando a quantia inicial é transferida, porém, ele recebe um documento sem valor legal algum. Durante um tempo, é informado de que o financiamento está em análise. E depois, o grupo alega que o imóvel pretendido já foi vendido, sendo necessário reiniciar buscas. Mas é tudo enrolação. Segundo o delegado da 38ª DP Maurício Mendonça, assim agem, em geral, bandidos que usam o sonho da casa própria como isca.

— Em setembro, recebemos em torno de 100 denúncias desse tipo. Já foram presas 30 pessoas, de pelo menos três quadrilhas diferentes. E essa é a segunda etapa de investigação desse golpe. No início do ano, cerca de 10 pessoas foram presas — explica o delegado Mendonça.

As perdas das vítimas variam de R$ 2 mil a R$ 100 mil. Hevelyn Bordes, de 37 anos, pagou, como suposta entrada, R$ 3 mil. Mas depois recebeu um contrato estranho.

— Cheguei a visitar a casa, pois eles se apresentam a pessoas que realmente querem vender e oferecem o serviço de intermediação. Mas as cláusulas do contrato pareciam com as de um consórcio e nada garantia que o meu imóvel seria o que visitei e escolhi. Percebi que tinha sido vítima de um golpe então — conta Hevelyn.

Há uma série de cuidados, entretanto, que podem ser tomados para evitar isso (veja abaixo). Laudimiro Cavalcanti, diretor do Conselho Regional de Corretores de Imóveis, aponta que financeiras sequer podem atuar na compra e venda de imóveis como golpistas oferecem.

— Na nossa legislação, consta que só o corretor de imóveis está autorizado a intermediar compra, venda, locação, assessoria e avaliação de imóveis — explica.

O comerciante Anderson Oliveira, de 35 anos, conta que viu o sonho da casa própria da família ir por água abaixo quando percebeu que havia sido vítima de um golpe. Ele foi atraído para a suposta financeira depois de não conseguir nos bancos tradicionais um financiamento para uma casa no valor que desejava e com parcelas que coubessem no seu orçamento.

— Minha mãe viu uma publicação no Facebook de uma empresa oferecendo financiamento de uma casa em Búzios. Fomos visitar, mas não gostamos da localização, então encontramos outra em Rio das Ostras, por R$ 230 mil. A empresa ligou para o dono, pediu o contrato de compra e venda, e disse que pagaria para ele à vista. Fizemos um depósito de R$ 20 mil, e iríamos financiar o resto, mas a empresa sumiu. Comecei a pesquisar e vi que tinham dado golpe em várias pessoas. A gente fica tanto tempo juntando dinheiro pra dar de mão beijada para uma quadrilha dessas. Eles oferecem o que os bancos não oferecem. No banco, a gente não conseguia financiar o valor total do imóvel, com eles conseguimos, e as parcelas seriam de R$ 890.

Veja os cuidados na hora de comprar um imóvel

1) Atenção às credenciais

Para confirmar se está tratando com uma imobiliária ou corretora, pergunte o número de inscrição do profissional no Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci-RJ) e faça a busca no site creci-rj.gov.br.

2) Verifique se a financeira é confiável

Procure saber se a empresa é uma financeira ou correspondente autorizada, através do site www.bcb.gov.br ou pelo telefone 145. Além disso, ainda que o profissional use o nome de uma instituição autorizada, cheque no site da mesma se o interlocutor é registrado. Cobre meios de identificação, endereço físico e mais dados. O endereço consumidor.gov.br também pode ser consultado, para auxiliar na avaliação da reputação da empresa.

3) Desconfie!

Duvide sempre de ofertas muito vantajosas, que oferecem taxas bem menores do que a dos concorrentes ou não pedem garantias ou documentação ao tomador do financiamento. “Sempre suspeite de tudo que for bom demais para ser verdade e consulte um advogado para tirar dúvidas”, afirma o advogado imobiliário Leandro Sender.

4) Deixe a emoção de lado

Presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi), Claudio Hermolin recomenda que os compradores priorizem a razão na hora de comprar um imóvel. “Tem que ter cuidado para não se deixar levar somente pelo emocional, sem que tenha tomado todas as precauções. O mais importante na transação imobiliária é a documentação. Antes de pagar qualquer sinal, veja se a documentação está correta. Afinal, essa é a compra mais importante da vida de uma pessoa, e é preciso ter certeza de que se está tomando a decisão certa”.

5) Só pague depois que assinar

O advogado imobiliário Leandro Sender ressalta que não se deve pagar nada antes de assinar o documento de compra e venda, que deve conter também a assinatura do antigo proprietário.

Fonte: Extra

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