Na Europa, ditador e autocratas correm para vacinar população
BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) – Comparado ao presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, por menosprezar a pandemia de Covid-19, o ditador bielorusso Aleksandr Lukachenko também já disse que não vai se vacinar. Apesar disso, apressou o programa de imunização da Belarus, que começou uma semana antes do previsto, nesta segunda (29).
A vacinação será voluntária, e as primeiras doses vão priorizar professores, profissionais de saúde e os que, por natureza da profissão, precisam entrar em contato com muitas pessoas.
Segundo o governo russo, a Belarus foi o primeiro Estado estrangeiro a registrar oficialmente a vacina Sputnik V, desenvolvida no país vizinho e aliado. O governo bielorrusso planeja vacinar 1,2 milhão de pessoas até abril e chegar a 5,5 milhões (mais da metade da população) numa segunda etapa, quando pretende fabricar o imunizante russo na Belarus.
A Rússia autorizou o uso emergencial da Sputnik V em agosto e afirmou já ter imunizado mais de 50 mil pessoas. Lukashenko, porém, não seguirá o exemplo do presidente russo, Vladimir Putin, que já anunciou que vai se vacinar e permitiu que sua filha participasse de um grupo de voluntários para teste do imunizante.
O ditador bielorrusso, que já teve Covid-19, diz acreditar que, “com um estilo de vida normal, uma pessoa tem, em princípio, imunidade suficiente para resistir a muitas doenças”. Mas essa é uma decisão privada, afirmou em entrevista: “Pessoal, não como um presidente”.
No grupo dos políticos autoritários, Lukachenko está sozinho no ceticismo quanto à vacina. Outro líder europeu considerado aliado por Bolsonaro, o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, também se adiantou para queimar a largada e começar a vacinar os húngaros no sábado (26), um dia antes da data marcada pela União Europeia.
Depois de reclamar de demora da UE em aprovar uma vacina e anunciar que a Hungria seria o primeiro país europeu a aplicar produtos desenvolvidos na Rússia e na China, Orbán começou a vacinar no sábado profissionais de saúde, com a vacina da Pfizer/BioNTech (aprovada para uso emergencial pela UE). De acordo com o governo, cerca de 307 mil húngaros já se registraram para receber a primeira dose.
Críticos do premiê, no entanto, afirmam que o uso político do tema aumentou o ceticismo da população em relação à imunização. Segundo departamento húngaro de estatísticas, 35% dos adultos do país disseram que não tomariam a vacina em pesquisa recente.
Opositores também criticam a necessidade de se registrar para tomar a vacina, que não é obrigatória no país. Segundo eles, a medida fere a privacidade dos húngaros.
O governo comprou 17,5 milhões de doses (suficientes para vacinar toda a população da Hungria) e diz preparar campanha de informação para aumentar a confiança da população na segurança e eficácia das vacinas.
Na Polônia, país em que o governo nacionalista conservador também é tratado com aliado pelo presidente brasileiro, a adesão à vacina virou até motivo de confraternização política em horário nobre da TV.
Nesta terça, dois líderes políticos de partidos rivais –Tomasz Grodzki, do liberal Plataforma Cívica, e Stanislaw Karczewski, do conservador Lei e Justiça — vacinaram-se um ao outro em cena transmitida ao vivo.
“A ideia é mostrar que a questão da vacinação está além das divisões políticas”, disse Grodzki, que, como Karczewski, é médico. Ambos atuam na linha de frente de tratamento da Covid-19 e, por isso, estão no grupo prioritário do esquema de vacinação polonês, que começou neste domingo.
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