Petroleira Trident tem segundo vazamento no litoral do Rio em menos de um mês
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O derrame de água oleosa de uma plataforma de produção de petróleo operada pela Trident Energy provocou, segundo o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) uma mancha de cerca de 28 quilômetros no litoral norte do Rio de Janeiro.
As causas do vazamento ainda não foram identificadas e, segundo a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), a mancha já foi dispersada. É o segundo incidente envolvendo a Trident neste ano -no fim de janeiro, houve vazamento em outra plataforma da companhia.
Segundo o Ibama, o vazamento mais recente ocorreu nesta quinta (11) na plataforma de Enchova, que está localizada a cerca de 110 quilômetros de Macaé, uma das principais bases de apoio à atividade petrolífera no país.
A ANP diz que foi comunicada na quinta de “descarga significante” de água oleosa na plataforma e que, em sobrevoo, detectou mancha de 25 quilômetros.
“O plano de emergência foi ativado, sendo realizada a dispersão mecânica da mancha. O sobrevoo de hoje (12/2) não constatou vazamento, e a emergência foi declarada encerrada”, diz o texto. A ANP instaurou processo administrativo para acompanhamento do evento.
A plataforma de Enchova foi vendida pela Petrobras à Trident em 2019, como parte do programa de venda de ativos da estatal. É parte de um polo produtor que engloba dez campos de petróleo já em fase avançada de sua vida útil.
Segundo a ANP, a plataforma de Enchova produziu em média 2,4 mil barris de petróleo por dia em dezembro de 2020, último dado disponível. Nos meses anteriores, a produção se situou na casa em torno dos 7 mil barris por dia.
A reportagem tentou contato com a Trident por telefone e email, mas aida não obteve resposta.
Criada em 2016, a empresa pagou US$ 851 milhões (cerca de R$ 3,2 bilhões, ao câmbio da época) pelo polo de Enchova. Em sua página na internet, diz ser especialista na gestão de campos maduros de petróleo, termo usado para identificar reservatórios com produção já em declínio. A Trident tem atuação na Guiné Equatorial e na Bacia de Campos.
Em janeiro, outra plataforma operada pela empresa, localizada no campo de Pampo, também registrou vazamento. Para sindicatos de petroleiros, a situação “comprova as péssimas condições de operação e trabalho implantadas pela empresa”.
“A operação precarizada da Trident Energy é tão grave que, em dezembro, a ANP interditou quatro plataformas da empresa por riscos operacionais e aos trabalhadores”, disse, em nota, a FUP (Federação Única dos Petroleiros).
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