Duas semanas após votação, apuração define 2º turno no Equador com disputa entre Arauz e Lasso
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Duas semanas após votação, apuração define 2º turno no Equador com disputa entre Arauz e Lasso

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BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) – Duas semanas após o primeiro turno da votação, o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) do Equador anunciou, na madrugada deste domingo (21), que o banqueiro Guillermo Lasso é quem passará para o segundo turno das eleições presidenciais, junto ao primeiro colocado, Andrés Arauz.

Depois de 14 dias de recontagens e controvérsias, finalmente se chegou a uma decisão. Após a conclusão da apuração de 100% das urnas, o vencedor do primeiro turno é Arauz, candidato de esquerda apadrinhado pelo ex-presidente Rafael Correa, com 32,7% dos votos.

Em segundo lugar, portanto passando para a próxima etapa da votação, marcada para 11 de abril, ficou o centro-direitista Guillermo Lasso, com 19,74%. Em terceiro, e portanto fora da disputa, o líder indígena de esquerda Yaku Pérez, com 19,38%.

Enquanto a liderança de Arauz já estava clara desde o domingo da eleição, no último dia 7, a disputa por uma vaga no segundo turno foi decidida na contagem voto a voto. O país ficou em compasso de espera por duas semanas, diante de manifestações, acusações de fraude e pedidos de recontagem.

Assim como outros países da região, o Equador usa dois sistemas paralelos de apuração. Um é o escrutínio rápido, baseado nas fotos das atas das mesas de votação, e que costumam dar um resultado na mesma noite. Outro, com o qual o primeiro é comparado depois, é a contagem voto a voto.

No dia da eleição, o CNE decidiu interromper a contagem rápida com quase 90% das atas contabilizadas porque verificou um empate técnico entre Lasso e Pérez. Na ocasião, o líder indígena aparecia uma com ligeira vantagem sobre o banqueiro.

Como consequência, os equatorianos tiveram que esperar a contagem voto a voto. Além disso, ambos os candidatos que disputavam a vaga no segundo turno pediram mais de uma recontagem das atas em várias províncias do país.

Lasso reclamou do CNE, por ter este divulgado uma projeção ainda com 20% da contagem rápida realizada, afirmando que Pérez estava mais próximo de ir ao segundo turno.

Pérez, por sua vez, desde o primeiro dia convocou vigílias, em que apoiadores se manifestavam diante das sedes dos órgãos eleitorais. Segundo o esquerdista, seu adversário poderia recorrer a métodos fraudulentos para garantir sua continuidade na disputa e, por ser um candidato milionário, teria recursos para “comprar” juízes eleitorais e fiscais. A disputa começou a tomar tons mais verbalmente violentos.

O embate foi um contraste em relação às eleições de 2017. À época, quando Lasso passou ao segundo turno contra o atual presidente Lenín Moreno, o líder indígena o apoiou, por ser um anti-correísta convicto.

Nos protestos contra Moreno, em 2019, Pérez ambém não se aliou aos sindicatos indígenas pró-Correa e preferiu trilhar um caminho independente. É por conta disso que o ex-presidente o chama de “indígena fake” e o acusa de ser financiado pelos Estados Unidos.

Desta vez, porém, as fricções entre Pérez e Lasso ficaram mais evidentes, e será mais difícil que o indígena apoie o banqueiro, como ocorreu no passado. Correa havia sinalizado que, como adversário de Arauz, seu apadrinhado, também prefere Lasso porque este não costuma ter presença em todo o país e, portanto, poderia ser mais facilmente derrotado.

Em comum, Lasso e Pérez têm o anti-correísmo. Seus eleitores, porém, têm ainda menos elementos de concordância. Os seguidores de Pérez, em sua maioria, jovens progressistas, são contra a pauta neoliberal e extrativista de Lasso.

Por outro lado, os eleitores de Lasso só apoiariam Pérez para afastar a influência de Correa, mas temem sua distância da realidade dos mercados e desconfiam de sua capacidade para lidar com a crise econômica.

Até a publicação desta reportagem, Pérez ainda não tinha se pronunciado publicamente sobre a decisão do CNE.

O Equador herdado pelo próximo presidente, que deve assumir em maio, será um país em dificuldades. Em 2020, teve uma queda do PIB de nove pontos percentuais. Há uma dívida de US$ 6,5 bilhões (R$ 35 bilhões) com o FMI (Fundo Monetário Internacional), e uma taxa de informalidade que cresceu durante a pandemia a quase 70%.

A Covid-19, por sua vez, que já tinha castigado o país a ponto de ser o segundo com mais mortes por habitantes na América do Sul, atrás apenas do Peru, entra agora numa segunda onda, voltando a lotar os hospitais das principais cidades. O programa de vacinação anda lento, e há várias denúncias de desvios de vacinas para familiares de políticos.

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