Carta contra lockdown citada por Osmar Terra tem dados exagerados e nomes falsos
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O ex-ministro do governo Bolsonaro Osmar Terra distribuiu por meio do seu Twitter nesta sexta (12) uma carta de pesquisadores contra lockdown, a Declaração de Great Barrington. Entre os signatários, estão o Professor Bananas e o Dr. Nomefalso. E este é só um dos problemas do documento.
A carta também é assinada por especialistas de verdade de faculdades renomadas como Harvard, Oxford e Stanford, no entanto, traz cerca de 18 homeopatas autodeclarados e pelo menos uma centena de terapeutas cujas especialidades são massagem, hipnoterapia e canto khoomii mongol, além de não apresentar evidências que a corroborem.
A carta foi escrita e encabeçada por três pesquisadores: Martin Kulldorff, bioestatistico e professor de medicina de Harvard, Sunetra Gupta, professora de epidemiologia teórica no departamento de Zoologia da Universidade de Oxford, e Jay Bhattacharya, professor de medicina da Universidade de Stanford e pesquisador associado do Bureau Nacional de Pesquisa Econômica, onde dirige um centro de estudos voltado para demografia e economia da saúde.
De maneira geral, a carta, apesar de assinada por pesquisadores de universidades renomadas, é genérica. Não há dados ou estudos que corroborem as poucas sugestões evocadas. Em termos de representatividade, a carta funciona como uma petição online e traz problemas comuns ao formato, como a assinatura do documento com nomes falsos.
Isolamento e imunidade de rebanho Ao defender a imunidade de rebanho como redução da mortalidade, a carta alega que poderia haver avanço doenças mentais e crônicas nos próximos anos, mas desconsidera que para atingir a imunidade de rebanho seria necessário que uma parcela expressiva da população fosse infectada, aumentando, em vez de mitigar, o risco de morte entre os infectados.
A opção mais segura para atingir a imunidade de rebanho é a vacinação, e mesmo essa alternativa pode esbarrar na reinfecção, ainda rara, mas possível.
O trio defende o que chama de Proteção Focalizada, ou seja, isolar apenas idosos e pessoas com comorbidades, deixando os mais jovens serem imunizados “através da infecção natural”.
Além do risco de agravamento do quadro clínico entre os infectados, a Covid-19 também pode deixar sequelas, a princípio, temporárias, como dores de cabeça, fadiga, sonolência, alteração de memória e perda de olfato esta que pode se estender por meses -a perda definitiva da capacidade de sentir cheiros não foi descartada ainda. Estudos já indicam que apenas cerca de 10% a 20% dos pacientes relatam recuperação completa após infecção.
As crianças, que normalmente apresentam quadros leves ou assintomáticos da doença, podem desenvolver, por exemplo, a síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (Sim-P), cujos sintomas mais comuns são dores abdominais e febre. Há casos, mais raros, de hemiplegia, uma paralisia parcial do rosto causada por derrame e que pode estar relacionada a infecção pelo Sars-CoV-2.
A carta traz ainda diversos homeopatas entre os signatários. A homeopatia é uma doutrina médica sem eficácia comprovada, cujo seguidores afirmam que ao diluir repetidas vezes um princípio ativo em água até quase não restar nada dele, as moléculas de água restantes produziriam o efeito esperado contra a condição que se quer tratar. Apesar da ausência de evidências, a especialidade é reconhecida pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) e por outros conselhos profissionais, além de constar no rol de práticas integrativas e complementares oferecidas no SUS (Sistema Único de Saúde).
Revisões de estudos apontam que a eficácia da homeopatia tende a ser associada aos casos em que a doença se cura sozinha, como no caso de gripes e resfriados. Por falta de evidências, agências sanitárias regulatórias do Reino Unido e da Austrália, por exemplo, rebaixaram e restringiram o uso de homeopatia.
No Brasil, porém, a Anvisa libera a comercialização de produtos homeopáticos. O cerne da questão e que gera tamanha polêmica é que os estudos que indicam resultados positivos com terapias homeopáticas são estudos de caso.
Os estudos de caso são um tipo de evidência que se baseia em relatos de pessoas que adoeceram e em como reagiram à administração de um medicamento. No entanto, os estudos mais rigorosos e mais bem aceitos pela comunidade científica internacional para fármacos são os ensaios clínicos randomizados e duplo-cego, em que uma parte dos voluntários recebe o medicamento testado e outra recebe placebo ou medicamento padrão. Neste tipo de estudo, nem os pesquisadores nem os voluntários sabem quem recebeu o medicamento em teste ou placebo.
O texto divulgado por Osmar Terra termina sem apresentar medidas factíveis para alternativas ao lockdown. A carta funciona mais como uma lista de desejos do que documento propositivo. Até o momento, a prevenção com maior reprodutibilidade em diferentes sociedades e países é o distanciamento social.
Veja Tambem em Últimas Notícias
Novas diretrizes do bolsa família: como acessar benefícios complementares e regras vigentes
ケープカナベラルでブルーオリジン「ニューグレン」の地上燃焼試験中、爆発的異常事態が発生し開発計画に暗雲
Michael Schumacher’s private recovery journey continues at 57, family upholds strict privacy in 2026
NASA intensifica estudos sobre cometa interestelar 3I/Atlas em sua órbita única e reveladora
Ghanaian lawmakers approve stringent anti-LGBTQ+ legislation imposing jail terms on same-sex acts
UN report designates Israeli and Russian forces for alleged sexual violence patterns
Novas diretrizes do Bolsa Família para 2026 prometem fortalecer renda de famílias vulneráveis
Cadastro único redefine critérios e expande acesso a programas sociais em nova fase de benefícios
Michael Schumacher’s rehabilitation journey continues in 2026, family upholds strict privacy amid ongoing care
Nasa desvenda mistérios do cometa interestelar 3I/Atlas em 2026 com observações inéditas
トランプ大統領、イラン暫定合意の最終判断を巡るホワイトハウス会合を終えるも決定は持ち越し、国際情勢に影響か