Presidente do PDT de Ciro defende gasto com voto auditável e diz que legitimidade não tem preço
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente do PDT, Carlos Lupi, defende que o Brasil tenha voto impresso e auditável, pauta que os bolsonaristas têm se empenhado em defender nas ruas e nas redes sociais.
Lupi afirma à reportagem, no entanto, que não está embarcando na onda dos apoiadores do presidente e que o partido é favorável à implementação de uma espécie de recibo nas urnas eletrônicas há décadas. Leonel Brizola, líder histórico do PDT referido por Lupi, engajou-se nessa causa.
O Tribunal Superior Eleitoral estima que a impressão de votos nas eleições brasileiras custaria R$ 2,5 bilhões aos cofres públicos ao longo de dez anos. Lupi diz que a conta parece superestimada, mas que acha que a preocupação com gastos não deveria ser preponderante.
“Gasta-se muito com saúde? Gasta-se muito com educação? Gasta-se muito com a manutenção do sistema judiciário brasileiro? Já imaginou um país sem saúde pública, sem escolas públicas e sem Judiciário? O que se tem que calcular não é o gasto, mas a garantia que isso dá de transparência. Acho que não tem dinheiro no mundo que compre a legitimidade de um eleito”, diz.
A Câmara dos Deputados instalou uma comissão especial para debater uma proposta de emenda à Constituição (PEC) sobre a implementação da impressão do voto apresentada pela deputada federal Bia Kicis (PSL-DF).
“O PDT, através de seu líder Leonel Brizola, defende o voto impresso há 25 anos, e não há 25 dias. E não é pelo mesmo motivo desse grupo que apoia o Bolsonaro”, afirma o presidente do PDT. “Se tem alguém aderindo a alguém são eles [bolsonaristas] que estão aderindo a Leonel Brizola e ao PDT, e não o contrário”, completa.
Segundo Lupi, os bolsonaristas querem usar a pauta da impressão do voto para justificar uma possível derrota eleitoral com a narrativa da manipulação. O PDT quer a impressão para que a recontagem de votos seja possível, afirma.
“Sem recontagem não há eleição limpa”, opina Lupi. “Não podemos ter uma eleição que possa ter total efetividade de honestidade, de limpeza de seu projeto, se não tiver a possibilidade de recontagem a partir de uma denúncia bem fundamentada.”
Lupi chega a citar um exemplo do que vê como indício de fraude em urnas eletrônicas. “Você tem às vezes três ou quatro urnas no mesmo local, na mesma região, um candidato a presidente tem 100 votos e na outra tem 10. Não é razoável isso. Isso no voto eletrônico não é possível auditar.”
No entanto, ele afirma que para falar em fraude são necessárias provas.
“Tem que ter coisas que mostrem concretude. Sempre defendemos a possibilidade de recontagem. E sem a impressão como você faz? Recontagem virtual não existe. Tem que ser materializada”, diz Lupi.
Para que um juiz eleitoral determine a recontagem dos votos é necessário apresentar elementos sólidos para indicar fraude, argumenta.
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