Bolsonaristas preparam novos atos, mas dizem não ser resposta a manifestações da esquerda
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Apoiadores do governo Jair Bolsonaro (sem partido) planejam uma série de manifestações para as próximas semanas, mas rejeitam que elas sejam uma resposta aos atos da esquerda ocorridos no último sábado (29).
Bolsonaristas admitem, no entanto, que a mobilização de opositores do presidente praticamente os obriga a manter o ritmo constante de atividades de rua no atual momento.
O próximo ato deve ocorrer em São Paulo no dia 12 de junho (sábado), uma “motociata” semelhante à já ocorrida em Brasília e no Rio de Janeiro. O presidente, que tem conseguido reunir milhares de motociclistas nesses eventos, foi convidado e confirmou presença.
O desfile de motociclistas começará no sambódromo do Anhembi, na zona norte de São Paulo, e terminará na sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), na avenida Paulista. A ideia é que lá haja uma concentração em apoio a Bolsonaro.
Além disso, em 27 de junho, um domingo, estão previstas manifestações em diversas cidades em defesa do voto impresso, hoje uma das principais bandeiras dos conservadores que apoiam o presidente. Eles querem pressionar pela aprovação de uma PEC (proposta de emenda à Constituição) que está em tramitação na Câmara dos Deputados.
“É uma manifestação específica sobre a questão do voto, em defesa da transparência”, diz o empresário Patrick Folena, um dos organizadores.
A convocação para o ato vem circulando em redes de WhatsApp bolsonaristas, e já há confirmação de manifestações em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Brasília. Segundo Folena, o ato já iria ocorrer independentemente das manifestações da esquerda.
Para ele, o fato de a esquerda ter ido às ruas em meio à pandemia mostra incoerência dos opositores do presidente. “É uma hipocrisia como a esquerda está agindo. A manifestação deles é permitida e a nossa é condenada.”
Também está sendo organizada uma manifestação em defesa das armas para o início de julho, que inevitavelmente se tornará um ato pró-Bolsonaro, já que essa é uma das principais bandeiras do presidente da República.
Em 12 de junho e 24 de julho, haverá carreatas promovidas pelos organizadores da Marcha para Jesus, maior evento evangélico do país. Em anos anteriores, a marcha reunia milhares de pessoas na zona norte de São Paulo, e teve a presença de Bolsonaro no palco em 2019.
Agora, em razão da pandemia, será um evento mais modesto, apesar de maior do que no ano passado.
Embora a pesquisa Datafolha mostre que este segmento está hoje dividido entre Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a expectativa de bolsonaristas é a de que o público presente seja majoritariamente conservador.
“Não é exatamente um evento de apoio ao presidente, mas tem tudo para se transformar nisso”, diz Alex Canuto, um dos coordenadores da Marcha da Família Cristã Pela Liberdade em São Paulo.
De acordo com o levantamento do Datafolha divulgado em 12 de maio, Lula tem 35% de apoio entre os evangélicos, e Bolsonaro obtém 34%, situação de empate técnico.
Segundo o deputado federal Coronel Tadeu (PSL-SP), que participará da “motociata”, a manifestação da esquerda no último final de semana não pode ser desprezada. “Não vou desdenhar de forma alguma. Mas do jeito que estão falando que o Lula tem mais de 50%, ou a pesquisa está errada, ou a população não foi avisada”, ironizou ele.
Para o parlamentar, é importante manter um calendário de ações. “Sempre que a gente tiver pauta importante, vamos para a rua, para mostrar o sentimento da população”, diz.
Presidente do Movimento Conservador, Edson Salomão afirma que os apoiadores do presidente não pretendem começar a responder a todas as manifestações feitas pela esquerda a partir de agora. A ideia, diz ele, é manter as mobilizações que já estavam planejadas.
“Foram eles [manifestantes de esquerda] que fizeram o ato no sábado como uma resposta aos conservadores. Se for medir a força nas ruas, a popularidade do presidente Jair Bolsonaro é bem maior”, afirma Salomão, que comanda uma das principais entidades que mobilizam apoiadores do presidente em São Paulo.
Ele também diz acreditar que a esquerda acabou ajudando involuntariamente os bolsonaristas a promover novas manifestações. “Eles mesmos fizeram o favor de enterrar a narrativa deles.”
Em caráter reservado, movimentos que apoiam o presidente Bolsonaro afirmam que o ritmo de mobilizações nos próximos meses dependerá da evolução das próximas pesquisas e da força demonstrada pelos apoiadores de Lula.
A avaliação é que os esquerdistas, tendo dado um primeiro recado, agora tendem a ponderar com cuidado os próximos passos, especialmente se houver no horizonte uma terceira onda da pandemia da Covid-19.
Isso evitaria, ao menos por enquanto, uma disputa de opositores e governistas por manifestações de rua, mas que será inevitável no segundo semestre.
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