Em live, Bolsonaro ironiza denúncia de pedido de propina que derrubou diretor do Ministério da Saúde
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – Ao comentar o depoimento de Luiz Paulo Dominguetti Pereira à CPI da Covid, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) atacou os parlamentares de oposição que compõem a comissão e disse, em tom irônico, que o então representante da empresa Davati Dedical Suply relatou uma “propininha de R$ 2 bilhões”.
“[Dominguetti] falou que foi procurado para uma propina, pouca coisa, 400 milhões de doses. US$ 1 por dose, uma propininha de R$ 2 bilhões de reais. Ele não aceitou. E depois [Dominguetti] cita o nome de um deputado. Vocês acham que deputado é esse né?”, disse o presidente nesta quinta-feira (1º), durante sua live semanal nas redes sociais.
Dominguetti, que representou a empresa Davati Medical Supply em uma negociação com o governo Bolsonaro, reafirmou à CPI da Covid que recebeu pedido de propina de um diretor do Ministério da Saúde para a compra de vacinas contra a Covid-19, conforme revelou em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo na última terça-feira (29).
O vendedor também buscou implicar em sua fala o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), que se tornou um dos principais denunciantes de irregularidades na compra de vacinas pelo governo.
Na live, Bolsonaro comemorou a participação de Dominguetti na CPI.
“Eu quero ver como [a imprensa] vai reagir à questão da CPI de hoje. Hoje foi bonito quando o cabo [Dominguetti] lá se dirigiu ao senador e falou um negócio meio esquisito “, disse, sem especificar a que episódio se referia.
O presidente ainda atacou a CPI.
“O que a CPI contribuiu para evitar ou diminuir o número de mortes? O que eles fizeram? Nada. É só um inferno o tempo todo, tentando de toda maneira atingir o governo”, disse. Bolsonaro acusou os senadores de oposição de só fazerem fofoca e intriga.
Em seu depoimento, Dominguetti afirmou que o deputado Luis Miranda buscou a Davati para tentar intermediar a compra de vacinas e mostrou um áudio nesse sentido. Posteriormente, no entanto, foi rebatido pelo deputado Miranda e por Cristiano Alberto Carvalho, que se apresenta como procurador da Davati no Brasil.
Após Dominguetti receber a informação de que o áudio tratava de uma negociação de luvas e tinha sido editado, ele disse que foi induzido ao erro. Afirmou ainda que o áudio teria sido enviado por Cristiano.
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