Empresa admite que autor de denúncia de propina intermediou negociação da vacina com ministério
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – A Davati Medical Supply admitiu que Luiz Paulo Dominguetti Pereira, que relatou à Folha de S.Paulo ter recebido pedido de propina de US$ 1 por dose da vacina para fechar contrato com o Ministério da Saúde, intermediou a negociação da empresa com o governo.
A informação foi divulgada em nota enviada à imprensa na noite desta quarta-feira (30).
Na terça-feira (29), Dominguetti disse à Folha de S.Paulo que Roberto Ferreira Dias, então diretor de Logística do Ministério da Saúde, cobrou a propina em um jantar no dia 25 de fevereiro, em Brasília. Dias foi exonerado após a denúncia. O vendedor de vacinas vai depor à CPI da Covid nesta quinta-feira (1).
A empresa afirmou na nota que Dominguetti não tem vínculo empregatício e atua como vendedor autônomo. Segundo a nota, ele foi o responsável por apresentar o grupo a Roberto Ferreira Dias.
“Nesse caso, ele apenas intermediou a negociação da empresa com o governo, apresentando o senhor Roberto Dias”, disse.
Dias foi exonerado do cargo pelo governo após as declarações de Dominguetti à Folha de S.Paulo. A empresa disse desconhecer a denúncia.
“Sobre a denúncia relatada por Dominguetti, de que o Ministério da Saúde teria solicitado uma ‘comissão’ para a aquisição das vacinas, a Davati afirma que não tem conhecimento”, afirmou.
A Davati também afirmou que o seu representante no país é Cristiano Alberto Carvalho, que aparece em emails trocados com o governo e a empresa nas negociações da vacina.
Os dois (Carvalho e Dominguetti) atuaram juntos nesta negociação, segundo contou o representante da empresa à Folha de S.Paulo. A reportagem, inclusive, chegou a Dominguetti por meio de Carvalho. Segundo ele, Dominguetti representa a Davati desde janeiro.
Segundo a nota da Davati, Carvalho teria informado à empresa sobre a necessidade do Brasil de adquirir vacinas para combate à Covid-19.
A Davati buscou a pasta para negociar 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca com uma proposta feita de US$ 3,5 por cada (depois disso passou a US$ 15,5).
“A empresa localizou um distribuidor que afirmou ter uma alocação de produção de aproximadamente 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca®. A Davati, então, por iniciativa própria, contatou o governo brasileiro para verificar se havia interesse nessas doses e se disponibilizou para intermediar. Este é um procedimento normal de negociação, praticado por todos os alocadores e distribuidores”, disse.
Segundo a Davati, o contato se deu através de email, enviado em 26 de fevereiro deste ano pelo executivo Herman Cardenas, CEO da empresa, a Roberto Dias.
O email foi trocado às 8h50, por meio do endereço funcional de Dias, “roberto.dias@saude.gov.br”, e “dlog@saude.gov.br” -“dlog” é como o departamento de logística é chamado. Na conversa, Luiz Paulo Dominguetti Pereira é citado como representante da empresa.
“Este ministério manifesta total interesse na aquisição das vacinas desde que atendidos todos os requisitos exigidos. Para tanto, gostaríamos de verificar a possibilidade de agendar uma reunião hoje às 15h, no Departamento de Logística em Saúde”, diz a mensagem.
“Na oportunidade, o único representante credenciado da Davati no Brasil, Cristiano Alberto Carvalho, compareceu ao Ministério da Saúde para tratar sobre a possível negociação, que no decorrer dos dias seguintes não evoluiu, visto que a empresa não recebeu retorno do governo brasileiro com formalização do interesse ou perspectiva de fechamento do negócio, com uma Carta de Interesse”, disse a empresa.
Dominguetti relatou à Folha de S.Paulo também ter ido ao Ministério da Saúde para tratar da negociação de compra das vacinas com Dias na mesma data.
Segundo ele, o encontro na Saúde não evoluiu. “Aí ele [Dias] me disse: ‘Fica numa sala ali’. E me colocou numa sala do lado ali. Ele me falou que tinha uma reunião. Disso, eu recebi uma ligação perguntando se ia ter o acerto. Aí eu falei que não, que não tinha como.”
O ministro da CGU (Controladoria-Geral da União), Wagner Rosário, disse nesta quarta-feira (30) que abrirá investigação sobre suposto pedido de propina feito em negociação do governo Jair Bolsonaro por vacinas, revelado pela Folha, e confirmou qu Dominguetti esteve no Ministério da Saúde
O Grupo Davati é uma holding fundada pelo empresário Herman Cardenas, com sede no Texas, Estados Unidos, que possui vários negócios no estado. A Davati Medical Supply é uma subsidiária do Grupo Davati, que desde 2014 também atua como distribuidora em todo o mundo.
Veja Tambem em Últimas Notícias
Cometa Interestelar 3I/Atlas, Nasa, Informações sobre o cometa, curiosidades
Fifa confirma datas e horários das partidas da Seleção Brasileira na fase de grupos da Copa 2026
Britânico Elfin Evans domina as primeiras especiais do Rally Japan 2026 e garante liderança para a Toyota
Anthropic atinge valor de 965 bilhões de dólares e ultrapassa OpenAI em nova rodada de investimentos
Seleção da Noruega retorna ao Mundial liderada por Erling Haaland e encara chave complexa no torneio
Chefe da Lamborghini usa críticas ao Ferrari Luce para justificar aposta em carros híbridos
Plataforma Amazon Prime Video confirma estreias de junho de 2026 com National Treasure e Lupin III
Plataforma Donkey Kong 64 integra pacote do Nintendo Switch Online a partir de 4 de junho
Escuridão diurna atinge seis minutos no eclipse solar de 2027 devido a alinhamento raro no século
Especificações do novo tablet compacto da OnePlus vazam com tela OLED e processador Snapdragon
Amazon Brasil libera reserva antecipada do jogo Star Fox para Nintendo Switch 2 por R$ 353,30