‘Constante aprendizado’, diz Dulce María ao celebrar 10 anos de carreira solo
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Casada e com uma filha de 7 meses, Dulce María, 35, não está na fase mais agitada de sua vida amorosa. Por isso, ela recorreu a experiências do passado para compor seu mais recente single, “Amigos com Derechos” (algo como amizade colorida), lançado recentemente.
A mexicana conta que a letra foi escrita há cerca de 8 anos em parceria com a compositora Natalia de la Garza, com quem compartilhou experiências semelhantes. “É uma situação bem típica, acho que todo mundo já viveu algo assim”, avalia em bate-papo com jornalistas brasileiros, do qual o F5 participou.
“A música fala sobre aquela pessoa com que você às vezes acha que uma relação pode funcionar, e às vezes não”, explica. “Um dia ela te procura, no outro não. Mas você sempre vai. Só que chega uma hora que você percebe que não quer mais ser um plano B e diz que não vai mais estar lá sempre que o outro quiser.”
A atriz e cantora, inclusive, disse que chegou a receber mensagens de um “amigo colorido” enquanto compunha a música. “Eu morri de rir, porque era justamente uma mensagem querendo me fazer cair de novo nessa armadilha”, conta.
Em 2018, ela produziu a faixa com direito a toques de folk. Foi quando ela começou a preparar o álbum “Origen”, que deve ser lançado em agosto ou setembro deste ano, após adiamentos por causa da pandemia e da gravidez da artista.
Dulce María diz que pensa em lançar uma versão estendida do álbum no futuro, incluindo algumas músicas que surgiram depois da gravação. A faixa que dá título ao projeto foi escrita especialmente para este trabalho, mas ainda não foi divulgada.
Porém, ela diz que tem muito a ver com a atualidade. “Acho que ela faz muito sentido neste momento, com tudo o que vivemos na pandemia”, avalia. “Ela fala sobre resgatar o que é essencial na vida, com o que somos. É diferente de tudo o que fiz antes.”
Aliás, ela antecipa que a faixa influenciou todo o conceito visual do projeto. “É inspirado nas tradições sagradas da nossa cultura, de países latino-americanos e da África”, diz. “Eu queria mostrar que todos os seres humanos nascem com essa inquietude de querer se expressar, de deixar a nossa história marcada.”
Como cantora, a mexicana que fez sucesso com o grupo RBD (surgido na novela “Rebelde”) completa neste ano uma década de carreira solo. Em 2011, ela lançou seu primeiro trabalho, com o título de “Extranjera”.
“Era o começo deste sonho, eu ainda estava conhecendo e explorando esse universo”, compara. “Na época, eu sentia que não era de lugar algum. Emocionalmente, estava um pouco perdida. Agora, é o contrário. Com ‘Origen’, quero resgatar a minha essência, o mais puro e simples.”
“Agora eu tenho família, tenho marido e uma bebê”, lembra. “Não me sinto mais estrangeira. Sinto que havia muitas peças que eu não encontrava e que agora se encaixaram. Claro que outras saíram do lugar, estamos em constante aprendizado.”
Ela só não sabe ainda quando poderá subir ao palco para apresentar as novas músicas. Do Brasil, que ela sempre faz questão de incluir nas turnês, ela diz sentir falta das paisagens e das comidas –ela cita guaraná, açaí, pão de queijo, picanha e café. “Mas, acima de tudo, da energia única que tem esse povo tão apaixonado”, elogia.
“E de descobrir músicas, sempre volto daí com alguma música legal na cabeça”, completa. Inclusive, ela diz que gostaria de gravar com cantores daqui, como Anitta. “Já tive a oportunidade de estar com ela algumas vezes e foi divertido”, revela. “Ainda não coincidiu de podermos fazer algo juntos, mas seria maravilhoso. Há muitos artistas brasileiros que admiro e com quem adoraria colaborar.”
A porção atriz de Dulce María também está feliz com os resultados da série “Falsa Identidade”, cuja segunda temporada estreou em janeiro na Netflix. “A série foi muito bem em vários países”, comemora. “Eu fico satisfeita, porque fizemos um esforço muito grande para gravá-la.”
“Terminamos no meio da pandemia e eu já estava grávida”, lembra. A mexicana lembra que precisou aprender a atirar para o papel, além de trabalhar com um preparador de elenco para encontrar dentro de si a personagem Victoria Lamas, uma advogada que perde a família e quer vingança.
“Para cada personagem, é preciso fazer um trabalho interno para compreender o que a move”, explica. “É preciso saber o que dói nela para poder chegar a certas emoções.”
Ela compara a personagem a Roberta, sua personagem em “Rebelde”. “Cada uma traz a própria mensagem e o próprio processo”, diz. “Estou em etapas completamente diferentes da vida. Mas sempre agradeço muito a possibilidade de através delas poder inspirar alguém.”
“Só no caso das vilãs que não”, continua. “Nesses casos é divertimento puro, mas não quero inspirar ninguém a fazer coisas terríveis que ninguém deveria fazer. No caso de ‘Rebelde’ e de ‘Falsa Identidad’ são duas mulheres com valores e ideais firmes. É bacana poder entreter e ainda passar uma mensagem positiva.”
Dulce María, inclusive, diz que quer continuar se dividindo entre a música e a dramaturgia, mas no futuro. “Agora estou redescobrindo a minha vida”, conta. “Nasceu uma nova mulher. Nasceu a Dulce mãe, que eu ainda não conhecia, então tenho que reacomodar tudo. Ainda não sei bem como vai ser, mas quero continuar atuando.”
Até o momento, ela ainda nem conseguiu tempo para fazer uma música dedicada à filha, María Paula. “Tenho mil ideias na cabeça, mas não tive tempo nem para terminar tudo o que ficou pendente”, diz. “Não deu ainda para me sentar em paz para compor, mas adoraria fazer algo para ela.”
A artista confessa que a maternidade tem sido um pouco acachapante. “Tem sido duro”, afirma. “O pós-parto tem sido muito cansativo. Descobrir as coisas é lindo, é um milagre ver a minha bebê sorrindo, mas é pesado. Ainda estou amamentando, então demanda muito de mim. É um desafio. Às vezes não dá tempo nem de tomar banho.”
Ela afirma que vai tentar não influenciar as futuras escolhas profissionais de María Paula, seja para que a menina siga uma carreira artística ou para que passe longe dela. “Quero que ela seja feliz com o que quiser fazer, que seja livre com as decisões que tomar”, explica. “Eu estarei do lado dela para cuidar e apoiar.”
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