É preciso analisar conveniência de ter Covaxin e Sputnik V contra a Covid, diz ministro
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É preciso analisar conveniência de ter Covaxin e Sputnik V contra a Covid, diz ministro

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse nesta quarta-feira (21) que é preciso analisar a “conveniência e oportunidade” em ter doses das vacinas Covaxin e Sputnik V na estratégia de vacinação.

Para ele, o total previsto das duas vacinas traria “pouco benefício” para acelerar a campanha.

A declaração ocorreu ao ser questionado sobre se iria cancelar o contrato da Covaxin, alvo de investigação da CPI da Covid por suspeita de irregularidades no contrato, e sobre um pedido de governadores para incluir a Sputnik V no Programa Nacional de Imunizações.

O ministro justificou a posição alegando restrições colocadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para aprovar a importação das doses.

“Foi aprovado a importação e ela foi condicionada a uma série de exigências, como número de doses. Foi aprovado para 1% da população. É necessário que se faça estudos de efetividade, e esses estudos têm custos, que não são pequenos”, disse.

“E é preciso fazer análise de conveniência e oportunidade no momento em que temos mais de 600 milhões de doses de vacinas”, continuou. “Vamos mostrar uma plataforma que mostra que esses números vão trazer muito pouco benefício na aceleração da campanha de vacinação.”

Embora a Saúde não tenha previsão de receber doses da Sputnik V, a importação de doses da vacina tem sido negociada por alguns governadores junto ao fundo russo para ocorrer ainda neste mês, com base nas exigências colocadas pela Anvisa.

Nesta terça (20), o grupo enviou um ofício ao Ministério da Saúde em que pedem que as doses que devem ser trazidas ao Brasil sejam incluídas no Programa Nacional de Imunizações.

Queiroga, porém, descartou a medida neste momento.

“Governadores do Nordeste que têm tratativas com a Sputnik, se for do desejo deles importarem essas vacinas, podem importar, e o ministério apoiará em relação aos estudos, mas para incluir no PNI é necessário ter registro da Anvisa. Até porque um estado incluiu a vacina, outro não quis, e temos que no PNI passar uma mensagem homogênea para a sociedade para gerar confiança”, afirma.

Para o ministro, uma eventual oferta de doses da Sputnik na campanha nacional poderia enfrentar resistência da população.

“Existe hoje o sommelier de vacina, em que as pessoas saem escolhendo [qual tomar]. Imagina essas [vacinas] que vêm num contexto muito restrito, com 21 condicionantes da Anvisa, como vai ficar? Todos esses aspectos têm que ser observados”, questionou.

“Estamos disponíveis para discutir com os governadores que querem testar essas vacinas no país para que tenhamos os resultados de efetividade, que espero que sejam positivos, e se possa pensar em incluir no PNI quando tivermos essas respostas.”

Embora sinalize que as doses das duas vacinas não seriam necessárias, posição semelhante à manifestada por ele na última semana, ele evitou se posicionar de forma taxativa sobre o cancelamento dos contratos.

No fim de junho, a pasta já havia suspenso um contrato firmado com a empresa Precisa Medicamentos, que tem uma parceria com a Bharat Biotech, para obter 20 milhões de doses da Covaxin.

A medida ocorreu em meio ao avanço das investigações sobre a suspeita de irregularidades, iniciadas após um servidor da pasta e chefe da divisão de importação ter relatado ter sofrido “pressão atípica” para agilizar a liberação da vacina.

Desde março, o ministério também tem um contrato para obter 10 milhões de doses da Sputnik V, mas ainda sem previsão de entrega, já que as doses tiveram apenas aval para importação excepcional da Anvisa.

“O que gera atenção do ministério são essas variantes, como a delta. Em relação a essas outras vacinas que não são essenciais ao nosso programa de imunização, vamos resolver caso a caso”, disse.

As declarações ocorreram em coletiva de imprensa chamada pela pasta para anunciar o repasse de até R$ 2,3 bilhões em recursos para ampliação de equipes em unidades básicas de saúde até 2022.

No evento, Queiroga voltou a repetir a meta de vacinar 100% da população com uma dose até setembro e disse esperar que ao menos 50% receba as duas doses até esse prazo.

Questionado sobre a possibilidade de ampliar a vacinação para crianças e adolescentes, ele afirmou que o PNI ainda avalia o tema e fez críticas a estados que já se anteciparam na oferta.

“O importante é que estados e municípios não se adiantem na inclusão de grupos que não foram analisados pelo PNI”, disse.

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