Jornalista sai da Inglaterra para cobrir Olimpíadas, mas acaba isolado no Japão
TÓQUIO, JAPÃO (UOL/FOLHAPRESS) – Os planos do jornalista Philip Barker saíram diferente do que ele imaginava nas Olimpíadas de Tóquio-2020. Inglês, ele viajou milhares de quilômetros para acabar fazendo home office no Japão.
Barker é um daqueles fissurados em esporte que, ainda na infância, percebeu não ter a menor aptidão para atleta. Restou estudar. O britânico virou jornalista especializado em Olimpíadas e cruzou meio mundo para ver histórias de sucesso e de fracasso em Tóquio-2020. Mas vai perder boa parte da ação.
Ele viajou no avião próximo a uma pessoa que testou positivo para Covid-19 e, desde segunda-feira (19), está isolado num quarto de hotel do tamanho de uma cela. O local é tão apertado que não cabe uma cadeira entre a mesa e a cama. Ele trabalha sentado no colchão.
Pela janela, que abre somente uma fresta ao estilo basculante, a única coisa visível é uma parede. “O quarto é pequeno, mas confortável. A principal dificuldade é que a janela abre para uma parede, o que significa que não há nenhuma luz natural entrando.”
A janela tem uma grade, o que aumenta a sensação de estar enjaulado. A privação de liberdade foi uma condição que os jornalistas aceitaram ao pedir credenciamento para as Olimpíadas. O protocolo contra o coronavírus inclui um aplicativo de monitoramento no celular para garantir que ninguém vai furar a bolha. É o mesmo princípio da tornozeleira eletrônica.
Com Barker, a privação de liberdade avançou para o regime fechado. Ele é obrigado a ficar num quarto por 14 dias estará liberado no dia 2 de agosto, para os últimos sete dias dos Jogos. “De uma perspectiva pessoal, o que aconteceu me deixou desapontado. Mas eu tenho que reconhecer que existe necessidade de medidas de prevenção.”
O jornalista aceitou se sujeitar a estas condições impostas pelo comitê organizador por devoção ao esporte. São 35 anos de carreira dedicados a cobertura de modalidades olímpicas. Esteve em todas as edições do evento desde Atlanta-1996 e escreveu livros sobre a história das Olimpíadas, da tocha olímpica e das cerimônias de abertura.
O currículo rendeu uma vaga de colunista no site Inside the Games, da Inglaterra, a principal publicação sobre Jogos Olímpicos no mundo. Também atuou por importantes veículos de imprensa da Europa como Eurosport, Skysports e BBC.
Em Tóquio-2020, Barker vai ver boa parte das competições pela televisão. Para aumentar a frustração, o jornalista não apresenta nenhum sintoma de Covid-19, tomou duas doses da vacina AstraZeneca e fez três testes antes de embarcar na Grã-Bretanha que deram negativo. “Houve solicitação de isolamento, mas eu não estou doente, não tenho nenhum sintoma;”
Mesmo perdendo mais da metade da competição, o jornalista evita julgar os protocolos da organização da Olimpíada. “Eu não acho que é uma questão de a regra ser justa ou não ser justa. Nós entendemos a necessidade de prevenção e contramedidas. Eu fui testado negativo, usei máscaras apropriadas, obedeci ao distanciamento social e tomei outras precauções. Espero que isso [necessidade de fazer isolamento] não se repita com os outros.”
A resposta é racional, mas ele não esconde a vontade de trabalhar em uma Olimpíada singular. “Estava particularmente ansioso para estar aqui por causa da natureza atípica destes Jogos.”
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