Após crises de crédito, política e sanitária, setor de motos se recupera em 2021
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Com uma fila de espera estimada em 50 mil motos, a Abraciclo revisou as projeções de crescimento para 2021. Os novos números foram divulgados nesta quarta (11).
A entidade que representa as fabricantes de motos instaladas em Manaus prevê a produção de 1,22 milhão de unidades neste ano -crescimento de 26,8% em relação a 2020.
Em janeiro, a associação estimava um crescimento de 10,2%, com 1,06 milhão de motocicletas montadas.
Marcos Fermanian, presidente da Abraciclo, diz que a demanda no setor de delivery tem impulsionado a venda de motos compactas, mas também há grande procura para o uso como opção ao transporte público. “É o único meio viável para muitos brasileiros”, afirma o executivo.
A entidade prevê que 1,14 milhão de unidades serão comercializadas neste ano, uma alta de 24,6% em relação a 2020.
As exportações também devem crescer: espera-se uma alta de 51,1%, com 51 mil motocicletas enviadas ao exterior.
Em julho, foram produzidas 95.025 motocicletas, uma queda de 9,9% na comparação com junho. A Abraciclo diz que a queda já era esperada, devido ao período de férias coletivas. Mas também houve retração, de 3%, em relação a julho de 2020.
As previsões indicam que 2021 será até melhor que 2019, ano em que o setor consolidava a retomada após anos difíceis.
“Antes da pandemia, tivemos crise de crédito e crise política”, diz Fermanian. “Chegamos ao fundo do poço em 2017, depois teve início a recuperação.”
Então veio a crise sanitária. As fabricantes instaladas em Manaus pararam em diversos momentos devido ao descontrole da Covid-19 no Amazonas.
No início deste ano, o oxigênio que seria utilizado nas linhas de produção foi enviado aos hospitais.
Houve também interrupções por falta de componentes, mas a escassez de semicondutores afeta menos o setor das duas rodas. Os modelos mais vendidos no Brasil são de baixa cilindrada e com poucos recursos eletrônicos.
As paradas geraram a fila por motos, que chegou a 100 mil unidades. Hoje esse volume foi reduzido pela metade, mas a espera por um modelo zero-quilômetro pode chegar a um mês.
Fermanian acredita que a situação tende a se normalizar entre agosto e setembro, desde que a pandemia se mantenha sob controle.
Apesar do otimismo, os números de 2021 ainda estão distantes dos melhores momentos do setor de motocicletas.
O recorde de produção foi atingido em 2011, quando mais de 2 milhões de unidades foram produzidas. Em seguida, veio o arrocho no crédito, impulsionado pela alta da inadimplência.
“Mas o importante é que a indústria está consolidando sua recuperação e os sinais indicam o início de um novo ciclo de expansão”, afirma Fermanian.
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