Tornado deixa 10% de Pirassununga (SP) sem energia 48 horas depois de destruição
RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) – Dois dias após ter sido atingida por uma tempestade que destruiu estruturas metálicas, destelhou casas, derrubou muros e arrancou mais de cem árvores, Pirassununga (a 211 km de São Paulo) ainda tem mais de 3.000 imóveis sem energia elétrica, hospital funcionando precariamente, telefonia e internet instáveis e estragos visíveis em toda a cidade. A prefeitura ficará fechada a semana toda.
A passagem de um tornado com ventos cuja velocidade superou 70 quilômetros por hora causou estragos principalmente na região central e na zona sul da cidade do interior paulista, de acordo com a Secretaria da Segurança Pública.
Foram registrados 42 milímetros de chuva com granizo por cerca de 40 minutos no último sábado (9), o suficiente para causar danos que ainda levarão um tempo incerto para serem recuperados.
No fim da tarde desta segunda-feira (11), 48 horas após a tempestade, 3.500 clientes, ou quase 11% dos 32.600 de Pirassununga, ainda estavam sem energia elétrica, segundo a concessionária Neoenergia Elektro.
Só neste domingo (10), a Defesa Civil recebeu 189 chamados de ocorrências, envolvendo quedas de árvores, postes caídos, estruturas metálicas que desabaram e vias interditadas.
Outros serviços também estão prejudicados. A telefonia fixa está instável, assim como a internet dependente de fibra ótica.
Na Santa Casa, as cirurgias foram suspensas, assim como os partos, e só alguma situação emergencial será atendida no centro cirúrgico. A energia foi restabelecida no hospital às 20h deste domingo, mas só há uma sala em funcionamento.
A prefeitura não funcionará a semana toda, assim como três postos de saúde, que foram alagados e tiveram equipamentos danificados. As equipes da Defesa Civil, Obras e Segurança, porém, estão nas ruas permanentemente.
“Foi muito assustador. Fiquei com muito medo, porque nunca vi nada igual. Não era uma tempestade, um temporal, normal. A velocidade com que as nuvens se juntaram e formaram o tempo foi uma coisa que me assustou, foi muito rápido. E a velocidade que o vento tomou, a proporção, foi muito rápida também. Fora a quantidade de granizo, ainda ontem [domingo] tinha pedrinhas de gelo em alguns lugares”, disse a psicopedagoga Gisela Maria Pinto Cantelli.
Ela, que mora no Jardim Roma, disse que a água jorrava pelos lustres de sua casa, que grandes galhos de árvores caíram em sua rua e que os moradores se uniram neste domingo para um mutirão de limpeza. Todos sem energia em suas casas.
“A quantidade de gelo entupiu as calhas, não dava vazão, aí a água passou a escorrer pelos pontos de luz. Meu marido ainda tirou algumas lâmpadas para que a água escoasse mais rápido, mas não era suficiente. Meus pais, com 81 anos [ele] e 77, disseram nunca ter visto algo assim em suas vidas.”
Nas ruas, o trecho mais crítico é o entorno do terminal de ônibus urbano, que foi interditado após destelhamento.
A falta de energia nesta segunda está concentrada no bairro Cidade Jardim, na zona sul de Pirassununga, de acordo com a Defesa Civil de Pirassununga.
“O principal pedido é para a população não sair de casa. Ainda temos alerta de chuva forte para a região. Pedimos às pessoas para não irem aos pontos com desabamentos, desastres, para não atrapalhar os trabalhos de bombeiros e Defesa Civil”, disse Paulo Tannús, secretário da Segurança de Pirassununga.
Não houve desabrigados ou desalojados, segundo a prefeitura. Também não há relatos de feridos.
Segundo a Defesa Civil de São Paulo, até esta segunda-feira as faixas central e oeste do estado ainda têm riscos de enchentes e deslizamentos de terra devido às chuvas.
A Neoenergia Elektro informou que intensificou o número de equipes no atendimento às ocorrências em Pirassununga e que, devido à grande quantidade de vegetação e objetos lançados na rede elétrica, “a concessionária reforça a população que não se aproxime de cabos rompidos e de estruturas próximas aos fios soltos”.
“Esse negócio de querer visitar quais coisas [foram destruídas]… Que isso, gente? Pelo amor de Deus, quer ver coisa destruída assiste um filme do Afeganistão, da onde for, da Síria. Agora não vai sair na rua para ir atrás de ver destruição”, disse o prefeito Dimas Urban (PSD) em vídeo no dia seguinte ao tornado.
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