Egito barra entrada de Ai-Da, artista robô humanoide, antes de exposição no país
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Ai-Da, apontada como a primeira artista robô humanoide realista do mundo, enfrentou um problema para expor o seu trabalho no Egito. Segundo reportagem do The Guardian, por “questões de segurança”, que poderiam incluir preocupações de que ela faria parte de um plano de espionagem, a robô e sua escultura foram barradas na alfândega egípcia.
Foram dez dias até que Ai-Da e sua obra fossem liberadas, o que aconteceu só na noite desta quarta (20), horas antes do início da exposição, que começa nesta quinta (21). “É muito estressante”, disse Aidan Meller, a força humana por trás de Ai-Da, pouco antes de sua libertação.
Ao The Guardian, a embaixada britânica disse que estava “feliz” pela situação ter sido resolvida. Ai-Da participa da exposição Forever Is Now, que vai até o dia 7 de novembro na Grande Pirâmide de Gizé.
Além dela, a mostra apresenta obras de artistas egípcios e internacionais como Stephen Cox, Lorenzo Quinn, Moataz Nasr e Alexander Ponomarev.
A escultura feita pela robô tem 2 por 2,5 metros e é uma brincadeira com o enigma da esfinge: “Que animal anda pela manhã sobre quatro patas, à tarde sobre duas e à noite sobre três?” –a resposta é o ser humano.
“Quatro pernas é quando você é uma criança pequena, duas pernas quando você é um adulto e três é quando você é idoso e precisa de uma bengala”, disse Meller ao jornal britânico. “Ai-Da produziu uma versão enorme de si mesma com três pernas. Estamos dizendo que, na verdade, com a nova tecnologia Crispr surgindo, e a maneira como podemos fazer a edição de genes hoje, a extensão da vida é muito provável.”
“Os antigos egípcios estavam fazendo exatamente a mesma coisa com a mumificação. Os humanos não mudaram: ainda temos o desejo de viver para sempre. Mas tudo isso dá em nada se não pudermos libertá-la”, completou Meller em referência ao método Crispr de edição do genoma.
Ai-Da recebeu esse nome em homenagem à cientista Ada Lovelace, matemática e escritora inglesa que viveu de 1815 a 1852, escreveu o primeiro algoritmo de computador e idealizou o conceito da inteligência artificial.
O desenvolvimento da robô foi concluído em 2019, e ela vai sendo atualizada conforme a tecnologia de inteligência artificial avança.
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