Promotoria alega falta de provas e não processará Andrew Cuomo por assédio sexual
BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) – A promotoria de Albany alegou falta de provas para não processar o ex-governador de Nova York Andrew Cuomo por contravenção sexual. O caso se refere a uma denúncia protocolada em outubro do ano passado no tribunal da região, segundo a qual o democrata teria passado “a mão sob a blusa e nas partes íntimas” da ex-assistente-executiva Brittany Commisso, além de apalpar os seios dela.
“Embora muitos tenham uma opinião sobre as alegações contra o ex-governador, a Procuradoria de Albany é a única a ter o ônus de provar os elementos de um crime além de qualquer dúvida razoável”, afirmou David Soares, promotor distrital do condado, em um comunicado divulgado nesta terça (4).
Na nota, ele disse que a denunciante era confiável e que cooperou com a investigação, mas considerou, após a revisão das evidências disponíveis, não ter provas suficientes para vencer um julgamento.
Cuomo, por sua vez, afirma nunca ter tocado em alguém de forma inadequada e que seus esforços para ser um chefe amigável podem ter sido confundidos com flertes. O advogado da denunciante diz que, diante da recusa da promotoria, estuda abrir um processo civil contra o ex-governador.
O toque forçado é uma contravenção que acarreta pena de até um ano de prisão. Não se trata de uma acusação usual e pode ser utilizada em casos nos quais promotores não conseguem provar que o contato foi realizado com finalidades sexuais. Assim, os advogados de acusação teriam de mostrar diversos elementos do crime, incluindo que o toque de Cuomo foi intencional e com força.
A decisão desta terça é a terceira nas últimas semanas em que um promotor distrital decide encerrar as investigações contra o ex-governador. Albany se junta agora aos condados de Westchester e Nassau.
O assédio, de acordo com a denunciante, ocorreu em dezembro de 2020, quando os dois estavam sozinhos na mansão que serve de sede oficial do governo. “O que ele fez comigo foi um crime”, afirmou Commisso à CBS, emissora de televisão americana, em agosto.
Dois meses após a entrevista, o xerife de Albany, Craig Apple, entrou com uma ação criminal no tribunal da região, acusando o ex-governador de toque forçado. A medida, porém, pegou a promotoria local de surpresa, forçando-a a pedir que a audiência fosse adiada, já que Apple teria agido unilateralmente por meio de uma queixa classificada pelos promotores de “potencialmente defeituosa”.
A denúncia de Commisso faz parte dos 11 casos de assédio apresentados pela Procuradoria-Geral de Nova York quando Cuomo ainda era governador. Para a procuradora-geral, Letitia James, ele apalpou, beijou e abraçou mulheres sem consentimento e fez comentários inapropriados a elas. A procuradora acrescentou que o gabinete de Cuomo se tornou um lugar tóxico que permitiu a ocorrência de assédios.
Os investigadores coletaram o depoimento de 179 pessoas, incluindo denunciantes e membros atuais e antigos do governo, formando um inquérito de 168 páginas. Em um dos casos, Cuomo teria assediado uma policial. Segundo a investigação, em um elevador, o ex-governador ficou atrás da vítima e “desceu seu dedo do pescoço até a coluna dela”. O governador também teria passado “a mão aberta de seu umbigo até seus quadris, onde ela carregava a arma”.
As denúncias fizeram com que, em agosto, o democrata -até então um dos principais nomes do partido e à frente de Nova York por mais de uma década- renunciasse, abrindo espaço para a efetivação de sua vice, Kathy Hochul, que se tornou a primeira mulher a governar o estado.
No final de novembro, a crise atingiu o irmão do ex-governador e âncora da CNN, Chris Cuomo. De acordo com apuração do jornal The New York Times, o jornalista teve um envolvimento maior do que se conhecia anteriormente na estratégia do democrata para reagir às denúncias de assédio sexual.
Chris teria tentado convencer outros jornalistas a diminuírem a cobertura contra o irmão. Aos investigadores, porém, insistiu que nunca tentou manipular a cobertura ou fez sugestões a outros repórteres para beneficiar Andrew. Aos espectadores disse ter agido apenas como um irmão para “ouvir e dar conselho”, orientando o democrata a dizer a verdade, qualquer que fosse, e eventualmente a renunciar.
O jornalista foi demitido pela emissora americana no início de dezembro.
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