Debate sobre tempo de atestado médico de Covid cresce entre empresários
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O debate sobre uma possível redução no número de dias de isolamento das pessoas contaminadas com Covid tomou corpo no empresariado nos últimos dias, depois que cresceram os relatos de atividades prejudicadas pela falta de mão de obra.
Nesta semana, a Azul anunciou que chegou a cancelar voos por causa das dispensas médicas de tripulantes contaminados que não puderam trabalhar. O assunto também vem sendo monitorado por Latam e Gol, até porque o mesmo problema já levou ao cancelamento de milhares de decolagens no exterior na temporada de viagens de fim de ano.
No setor de restaurantes, há casos de estabelecimentos que tiveram de fechar as portas por alguns dias ou contratar equipe extra porque grande parte de seus funcionários foram atingidos pela Covid ou pela gripe.
Com dificuldades semelhantes, os hospitais privados enviaram um pedido ao Ministério da Saúde para que seja reduzido o tempo de afastamento dos profissionais da área que contraírem Covid, segundo Antonio Britto, diretor-executivo da Anahp (que reúne as grandes instituições da rede particular).
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, já se manifestou publicamente sobre o tema. Disse que a pasta pode encurtar o isolamento de 10 para 5 dias entre os assintomáticos.
A argumentação de quem pede a medida toma como base o CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos) que já deu recomendação semelhante por lá.
A recente dificuldade com a testagem é outro problema que atrapalha a condução das operações afetadas.
“O tema é delicado. O setor produtivo sempre tem cumprido os protocolos determinados pelo governo. Temos visto afastamentos na indústria sem critério, até em função da falta de testagem. O ideal seria um amplo programa de testagem. Acredito que isso ajudaria muito a gestão da saúde ocupacional dentro das empresas e ajudaria na gestão do sistema de saúde”, afirma José Ricardo Roriz, presidente da Abiplast (associação da indústria dos plásticos).
Paulo Solmucci, presidente da Abrasel (associação de bares e restaurantes), afirma que a discussão é bem-vinda se for seguro. “Já estamos com problema de mão de obra no avião, no ônibus, no bar. Não dá para esperar 10 ou 14 dias para a pessoa voltar. Mas tem que ver se é possível voltar com menos tempo. E tem que garantir que tenha teste”, afirma.
O assunto é tratado com cautela porque, segundo representantes da indústria, serão demandadas fortes comprovações de segurança para os trabalhadores.
Por ora, a determinação é aguardar o que dizem os médicos e técnicos, segundo Eduardo Sanovicz, presidente da Abear, associação de empresas aéreas.
Nesse debate, Nelson Mussolini, presidente do Sindusfarma, afirma que a indústria farmacêutica trabalha pautada na ciência. “Seguimos os protocolos médicos para preservar a saúde dos trabalhadores no nosso setor”, afirma.
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