Janaina Paschoal elogia inteligência de Olavo, mas já pediu que Bolsonaro não o ouvisse
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP), que elogiou a “inteligência diferenciada” do escritor Olavo de Carvalho ao lamentar a morte dele nesta terça-feira (25), já aconselhou o presidente Jair Bolsonaro (PL) a “parar de ouvi-lo” e chamou o guru de “um fracasso acadêmico e econômico”.
As declarações, feitas no Twitter, não são contraditórias, argumenta a parlamentar em resposta à coluna. Pré-candidata ao Senado, ela diz que leu a obra de Olavo e que o problema foi que ele “radicalizou demais”.
“Reconhecer a inteligência de alguém não significa concordar com tudo e não poder criticar”, argumentou a conservadora, que ampliou o alinhamento com o governo nos últimos meses, mas ainda faz avaliações negativas pontuais ela se declara independente.
Na postagem de condolências, nesta terça, Janaina escreveu: “Tive a honra de conhecê-lo e constatar sua inteligência diferenciada. Grande perda!”.
Em maio de 2019, quando o governo Bolsonaro estava no início e começou a ser criticado pela deputada por causa do excesso de confusões, “teorias da conspiração” e brigas, ela afirmou: “Peço a Bolsonaro que pare de ouvir Olavo. Ele tem uma obra incrível, mas a obra não se confunde com o autor. Peço a Bolsonaro que pare de ouvir os próprios filhos. Siga amando seus filhos, mas os afaste, por favor”.
Na época, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, respondeu em tom de ironia: “Ainda bem que esse conselho não veio antes da eleição né…”. Ela nunca foi íntima da família Bolsonaro.
O histórico do perfil da deputada na rede social guarda uma série de outras afirmações negativas sobre o escritor.
Em 2016, antes do advento do bolsonarismo, qualificou o autor como “um grande filósofo”, de quem ela havia lido “toda a obra”, mas ponderou: “Ele abandonou o país. É fácil criticar do conforto dos EUA!”.
Já sob o governo Bolsonaro, em setembro de 2019, ela vaticinou: “Olavo de Carvalho acabou ontem”. Na ocasião, o escritor havia defendido que “a coisa mais urgente no Brasil” era a criação de uma “militância bolsonarista organizada”.
“O filósofo que se consagrou por denunciar o Imbecil Coletivo do PT quase criou um Imbecil Coletivo em torno de si mesmo e agora, pasmem, prega um Imbecil Coletivo Bolsonarista. Não vou criticar, quero apenas externar o meu profundo pesar”, escreveu a deputada.
Em maio de 2020, em uma série de mensagens nas quais se referiu a ele como “o demônio da Virgínia”, em alusão ao estado americano onde o autor morava, Janaina disse que “Olavo de Carvalho é o grande responsável pelo inegável fracasso do único governo de direita no Brasil”.
“O demônio da Virgínia também está nervoso por saber que os poucos que leram e compreenderam seus livros logo perceberam ser ele uma fraude. Denunciou o totalitarismo dos petistas, mas não se intimidou ao tentar instituir o seu. Traidor da própria obra!”, afirmou ela.
“Ele já era um fracasso acadêmico e econômico, dependente da caridade dos que se iludiram com ele. Agora é também um fracasso político e quem o leu e conhece sabe. Estou sendo má? Talvez! Mas ele merece!”, acrescentou.
Ela também afirmou, em maio de 2020, que o escritor não se preocupava com o Brasil, que só queria “ter razão” e que “o plano dele sempre foi o de fomentar a desobediência civil”.
De 2021 em diante, com o adoecimento de Olavo e as sucessivas internações, ela desejou melhoras e o aconselhou a avaliar permanecer no Brasil, onde estava hospitalizado.
Também criticou o tratamento dado a ele pela Polícia Federal, que o intimou em novembro de 2021 para prestar depoimento no inquérito sobre uma milícia digital voltada a desacreditar a democracia e as instituições.
Para a deputada, o guru estava sendo perseguido como se fosse um criminoso. “Olavo de Carvalho teve que fugir pelo Paraguai… quem não conhece acha que se trata de um traficante! Francamente, beira o ridículo!”
Ao ser indagada pela coluna sobre a sugestão de que Bolsonaro parasse de ouvi-lo, Janaina disse, em referência a Olavo, que “a inteligência de uma pessoa precisa ser analisada em seu conjunto”.
“Diversamente da maioria, eu li a obra de Olavo e o conheci pessoalmente muito antes de saber que Bolsonaro existia. O problema foi que Olavo radicalizou demais. Para você ter uma ideia, ele foi um dos maiores opositores do impeachment”, diz ela, uma das autoras do pedido de afastamento de Dilma Rousseff (PT).
“Quando Bolsonaro assumiu, Olavo passou a ser reverenciado por pessoas que não o leram, justamente os bolsonaristas radicais. Ele já estava idoso, sem paciência… Reconhecer a inteligência de alguém não significa concordar com tudo e não poder criticar”, completou Janaina.
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