Final na Austrália tem Nadal com recorde à vista e Medvedev favorito pela 1ª vez
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Aguardada por anos no circuito masculino, a passagem de bastão da maior geração de tenistas da história para os seus sucessores tem acontecido paulatinamente.
Começou com sinais tímidos, e demorou para que Novak Djokovic, 34, Rafael Nadal, 35, e Roger Federer, 40, passassem a ser seriamente ameaçados por jogadores mais novos nos torneios do Grand Slam.
É verdade que esses veteranos ainda estão –ou estiveram há pouco tempo, no caso de Federer– na disputa pelos principais troféus, mas os títulos importantes conquistados pelos mais novos e os grandes duelos protagonizados entre eles se tornaram cada vez mais frequentes.
O Australian Open 2022 serve bem de exemplo. Sem a presença do favorito Djokovic, o torneio teve partidas memoráveis entre tenistas jovens de idades variadas. Por exemplo, os embates de cinco sets entre Carlos Alcaraz, 18, e Matteo Berrettini, 25, e entre Felix Auger-Aliassime, 21, e Daniil Medvedev, 25.
Medvedev, que virou uma desvantagem de dois sets diante de Aliassime nas quartas de final e depois superou outro duelo tenso, contra Stefanos Tsitsipas, 23, nas semifinais, avançou à decisão em busca do segundo título consecutivo de Grand Slam.
Seu adversário na final, às 5h30 de domingo (horário de Brasília), com transmissão da ESPN, será Rafael Nadal. O espanhol tem a chance de desempatar o recorde masculino de títulos de Grand Slam que atualmente divide com Djokovic e Federer: cada um dos três possui 20.
Rafael Nadal comemora vaga na final do Australian Open após superar Matteo Berrettini William West – 28.jan.22/AFP Nadal grita com o braço esquerdo esticado para cima **** É emblemático que o espanhol, dono de um único troféu em Melbourne levantado há 12 anos, não chegue como favorito desta vez. Ele estava nessa posição na final do US Open de 2019, quando Medvedev, em sua primeira decisão de Slam, conseguiu levar o jogo a uma batalha de cinco sets antes de ser superado.
Foi a penúltima conquista de Nadal nesse nível. Paralelamente, o russo se firmou entre os melhores do mundo. Foi dominado por Djokovic na final do Australian Open de 2021, mas deu o troco numa das partidas mais importantes da carreira do sérvio. Seu triunfo no último US Open impediu o número 1 de conquistar os quatro Slams na mesma temporada e ainda desempatar o recorde.
É impossível prever qual seria o cenário caso Djokovic estivesse vacinado contra a Covid-19 e apto a participar normalmente do Australian Open, mas, sem ele, Medvedev fez jus ao papel de principal candidato ao título.
Ao virar o jogo contra Aliassime e ver Tsitsipas desmoronar no quarto set, o vice-líder do ranking demonstrou uma superioridade rara para a maioria, mas típica do trio de gigantes do esporte.
“Estou feliz por ter a chance de tentar impedir, mais uma vez, alguém de fazer história”, disse o russo em referência à chance de Nadal alcançar o 21º troféu.
Ele reconhece, porém, que ainda lhe falta controlar melhor as emoções. Irritado pelas tentativas de comunicação do pai e treinador de Tsitsipas com o jogador durante a partida, Medvedev esbravejou contra o árbitro de cadeira para que aplicasse uma punição ao grego.
Gritando, chamou o espanhol Jaume Campistol de estúpido e questionou como ele poderia ser tão ruim. Após o jogo, o russo se desculpou pelo excesso e disse que está trabalhando para melhorar. Ainda citou Nadal como exemplo de alguém que tem um comportamento impecável na quadra.
No caminho para a sua sexta final na Austrália, o espanhol cumpriu uma trajetória de superação. Ausente do circuito desde agosto do ano passado para tratar uma lesão crônica no pé, ele retornou no começo deste ano com um título no ATP 250 de Melbourne.
Já são dez vitórias consecutivas para Nadal. Uma delas foi em cinco sets contra Denis Shapovalov, 22, pelas quartas de final do Slam. Além do jovem canadense, ele precisou superar uma desidratação e a perda de 4 kg naquele dia.
A campanha serve como uma injeção de ânimo para quem refletiu seriamente sobre sua continuidade no esporte por causa das dores e começou a temporada desacreditado, após contrair Covid-19 em dezembro e passar dias difíceis com a doença.
“Há alguns meses, não imaginava ter outra oportunidade. Tendo chegado a este ponto, estou animado para vencer. O que vivi ultimamente me faz encarar as coisas de uma perspectiva diferente, mas com a mesma competitividade que está no meu DNA”, ele afirmou após superar Berrettini nas semifinais em quatro sets.
Nadal por enquanto minimiza o total de troféus. Prefere valorizar a alegria por voltar a se sentir competitivo e lutar por um grande título após as adversidades.
Já Medvedev também tem a sua chance de fazer história neste domingo. Ele poderá ser o primeiro tenista a ganhar seus dois primeiros Slams de forma consecutiva na era profissional.
Dois atletas com estilos, personalidades e objetivos diferentes, Nadal e Medvedev mostram que as gerações não precisam substituir rapidamente umas às outras. O tênis ganha com a coexistência delas no topo.
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