Bolsa tem melhor mês em um ano; dólar afunda 4,82% em janeiro
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O mercado de ações brasileiro fechou janeiro com o melhor desempenho em mais de um ano. Referência da Bolsa de Valores, o Ibovespa subiu 0,21% nesta segunda-feira (31), a 112.143 pontos.
No acumulado do mês, o índice teve alta de 6,98%. É o maior crescimento mensal do Ibovespa desde o fechamento de dezembro de 2020.
O dólar recuou 1,53%, a R$ 5,3070, caindo à menor cotação desde 22 de setembro de 2021. Na última sexta (28), a divisa americana já tinha atingido o valor mais baixo frente ao real em quatro meses. O resultado mensal é um mergulho de 4,82%.
Atrás apenas do peso chileno, o real foi a segunda moeda com maior retorno frente ao dólar neste mês, segundo dados compilados pela Bloomberg.
Analistas apontam o Brasil como um refúgio momentâneo para investidores estrangeiros que buscam ganhos enquanto as bolsas americanas seguem voláteis à espera de informações claras do Fed (o banco central dos Estados Unidos) sobre a elevação dos juros no país.
Minério de ferro e petróleo, duas das mais importantes commodities produzidas no Brasil, estão em alta no mercado internacional. Isso vem impulsionando Vale e Petrobras, companhias com maior peso no Ibovespa.
O petróleo Brent subia 1,31%, a US$ 91,21 (R$ 488,59) no fim da tarde desta segunda. O embate diplomático entre potências ocidentais e a Rússia, que posiciona tropas em um sinal de preparação para invadir a Ucrânia, é o principal fator neste momento para a elevação da commodity ao maior patamar desde 2014.
Nesta sessão, porém, Vale e Petrobras recuaram 3,33% e 0,58%, respectivamente, em um movimento de correção do mercado após seguidas altas desses ativos.
Para se sustentar no azul, a Bolsa contou neste pregão com avanços de grandes varejistas, como o Magazine Luiza, que subiu 4,32%. Empresas do setor bancário, como Bradesco e Itaú, deram contribuições relevantes ao ganharem 0,88% e 2,86%, respectivamente.
Depois da desvalorização de quase 12% do Ibovespa em 2021, há consenso entre analistas do mercado doméstico de que a Bolsa está atrativa, assim como a moeda brasileira também está barata para investidores internacionais.
Nos Estados Unidos, apesar da recuperação iniciada na sexta, as bolsas acumulam quedas. Esse é o principal fator externo que tem estimulado investidores internacionais a buscarem ganhos no mercado financeiro do Brasil, entre outros países emergentes.
Nesta segunda, os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq subiram 1,17%, 1,89% e 3,41%, nessa ordem.
Apesar das altas recentes, os três principais indicadores do mercado acionário americano encerraram janeiro com fortes quedas.
A Nasdaq, bolsa que concentra pequenas e médias empresas de tecnologia ainda em formação de caixa, afundou 8,98% neste mês.
A queda desse segmento é reflexo da apreensão sobre o aumento do custo operacional que a elevação dos juros pode trazer para as empresas que dependem de financiamentos.
Esse temor também teve impacto na queda mensal de 5,26% do S&P 500, índice de referência nos Estados Unidos. O Dow Jones, composto por grandes empresas consideradas sólidas, caiu 3,32% em janeiro.
Os mercados globais ainda digerem as mensagens do Fed sobre a expectativa para a elevação dos juros nos próximos meses.
Na última quarta-feira (26), o comitê de política monetária do Fed sinalizou o fim do programa especial de compra de títulos e uma alta dos juros para março. A notícia era esperada, mas a entrevista do presidente da autoridade monetária balançou as ações em Nova York.
Jerome Powell adotou um tom duro e, ao mesmo tempo, pouco detalhado sobre a necessidade de elevar juros para combater a maior inflação enfrentada pelos americanos em quatro décadas.
“Até que o mercado e o Fed parem de competir em termos de expectativas sobre a taxa de juros, a volatilidade permanecerá”, disse Jim Reid, estrategista do Deutsche Bank, à Bloomberg.
Juros mais altos também valorizam os títulos do Tesouro americano, o que reduz a competitividade dos investimentos em bolsas. Esse movimento também tende a valorizar o dólar, embora a divisa passe por forte correção frente a moedas de países emergentes, como é o caso do real.
Analistas avaliam a queda do dólar e a alta da Bolsa brasileira, porém, como um fenômeno momentâneo, que vai durar enquanto estrangeiros estão em busca de ganhos rápidos até a estabilização em Wall Street.
Na lógica do mercado global, o aperto monetário nos EUA reduz a liquidez mundial e, por isso, deverá diminuir o fluxo de investimentos internacionais para países de economia emergente, como o Brasil.
Expectativas sobre elevações de juros nos Estados Unidos também estão provocando forte desvalorização no mercado de criptomoedas. O bitcoin teve uma queda mensal de 18%.
“Do ponto de vista macroeconômico, a gente tem um cenário de aversão a risco. A gente deve, sim, iniciar uma fase de quedas”, comenta Lucas Passarini, analista de negócios do Mercado Bitcoin.
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