Muro da USP segue com vidros quebrados após 4 anos da inauguração
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Após quase quatro anos desde a inauguração, o muro de vidro que separa a raia olímpica da USP e a marginal Pinheiros segue com placas quebradas. As obras dali estão paralisadas desde o início da pandemia da Covid-19, em março de 2020.
Em meados de 2020, o jornal Folha de S.Paulo apontou que havia 22 placas danificadas no local. Agora, no início de 2022, a reportagem contabilizou ao menos 30.
Procurada, a USP informou que a gestão da obra do muro está sob a alçada de empresas parceiras do projeto, mas que uma transição deve acontecer nos próximos meses e a reforma passará, então, a ser de responsabilidade da universidade para que seja “feito o necessário ajuste no projeto de instalação”.
A universidade explica que, mesmo quando essa transição for concluída, a obra também deve envolver a Prefeitura de São Paulo e as empresas parceiras, mas não soube especificar qual será a participação delas no projeto.
A prefeitura afirmou, por meio da Siurb (Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras), que ainda não foi procurada pela USP para tratar de possíveis ajustes no projeto de instalação do muro de vidro da raia olímpica. A pasta esclarece que está à disposição da universidade para prestar apoio técnico caso seja necessário.
O projeto do muro de mais de dois quilômetros foi anunciado em 2017 e idealizado em parceria firmada sem contrato entre a universidade, a gestão do ex-prefeito e atual governador de São Paulo João Doria (PSDB) e pelo menos 44 empresas.
Na época, o projeto foi orçado em R$ 15 milhões, e a ideia era que a obra viabilizasse a visualização da raia olímpica e de parte dos prédios da universidade. Durante o anúncio do projeto, Doria disse que a ideia era devolver um pouco do território da USP para a cidade de São Paulo, “colocando-a no dia a dia daqueles que utilizam a marginal Pinheiros”.
No entanto, os problemas referentes à conclusão da obra tiveram efeito contrário e contribuíram para trincar a imagem de Doria à frente da prefeitura de São Paulo. Isso porque, desde o início da inauguração, que ocorreu em abril de 2018, o muro teve diversas peças de vidro quebradas.
Quando os problemas começaram a surgir, empresas envolvidas no projeto argumentaram que o muro poderia ter sido alvo de vandalismo.
No entanto, uma investigação realizada pela Polícia Civil não apontou indícios que comprovassem a suspeita. “Os laudos periciais foram inconclusivos, não apontando indícios de autoria”, disse a Secretaria de Segurança Pública por meio de nota enviada à reportagem.
Em abril de 2019, reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que houve falhas na instalação que levaram a quebras recorrentes das placas, conforme laudos da Polícia Civil.
Depois da perícia, a pasta informou que apenas uma ocorrência de furto de caixilho de alumínio foi registrada, em abril de 2021, e terminou com a prisão em flagrante de um suspeito.
Procurado, o governador, por meio da assessoria de imprensa, não respondeu às perguntas referentes ao muro. A designer de interiores Jóia Bergamo, responsável pelo projeto, disse que não daria entrevista sobre o tema.
Os problemas referentes ao muro atrapalham os treinos e competições de remo na raia olímpica da USP. De acordo com Maria Clara Kassker, diretora da modalidade da associação atlética acadêmica da FEA (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade), há muito barulho da marginal. “É possível sentir a trepidação até na água”, disse ela.
Kassker relata que, geralmente, o técnico tem que gritar mais alto para que os atletas consigam ouvi-lo. “Temos um grito de segurança para quando um barco está muito próximo do nosso e fica mais difícil de ouvir por causa do barulho”, diz.
Além disso, ela afirma que, na última competição que aconteceu antes da pandemia, em 2019, um homem invadiu a raia pelo muro quebrado. “Ele atrapalhou um dos barcos e as meninas acabaram indo mal”, diz Kassker que relembra que o homem em questão atravessou a nado a raia e os guardas tiveram trabalho para retirá-lo da água.
Ela avalia que a situação de abandono coloca em risco os atletas que treinam naquela raia. “A gente rema de costas e pode acabar acontecendo um acidente”, disse ela, que pondera que constantemente há guardas na área.
Procurada para comentar estes problemas, a USP se limitou a dizer que há oito vigias terceirizados 24 horas no local, a guarda universitária também faz rondas constantes e há monitoramento 24 horas por 80 câmeras.
Diferente da USP, muro de vidro é mantido por empresa há mais de 15 anos A 13 quilômetros da raia olímpica da USP está localizado o complexo empresarial E-bussiness Park. Com cerca de 160 mil m², o empreendimento é contornado por muros de vidros, inclusive uma das fachadas que separa a empresa da marginal Tietê.
Antes, o local era fechado por uma tela de alambrado. Em 2006, o material foi trocado por castilhos de alumínio e placas de vidro temperado, fruto de projeto arquitetônico com objetivo de embelezar o complexo e implementar uma barreira sonora, uma vez que funcionários do local sofriam com os barulhos de carros.
Hoje, após mais de 15 anos, as placas seguem bem conservadas. A reportagem esteve nos arredores da empresa e não observou nenhum problema aparente.
Gestores à frente da empresa explicam que, para manter o local, há uma constante manutenção. Entre os cuidados está a poda dos canteiros a cada dois ou três meses, limpeza semanal em um trecho e varrição diária nas calçadas e na sarjeta da marginal, uma vez que carros que passam na pista podem passar por cima de alguma pedra, que pode voar e trincar uma das placas.
Por ano, o complexo registra a quebra de duas a três placas de vidro. Para essas situações, a empresa conta com um estoque para fazer o reparo e instalação.
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