Esperamos que Bolsonaro tenha levado mensagens a Putin, diz porta-voz dos EUA
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) – O governo dos Estados Unidos disse ter esperança de que o presidente brasileiro Jair Bolsonaro (PL) tenha usado sua reunião com o presidente russo Vladimir Putin para “reforçar os valores da ordem internacional” que compartilham com os EUA.
Os dois líderes se encontraram nesta quarta-feira (16), em Moscou, em meio à crise que opõe os russos ao Ocidente envolvendo a Ucrânia. Antes de um almoço, de uma reunião fechada e de pronunciamentos curtos, Bolsonaro se disse “solidário à Rússia” nas palavras de abertura do encontro –sem especificar a que aspecto manifestava solidariedade.
“Temos a responsabilidade de nos posicionarmos pelos valores que compartilhamos. E o centro desses valores são os princípios da ordem internacional. Ordem que, por mais de sete décadas, fomentou níveis sem precedentes de prosperidade, segurança e estabilidade na Europa, no [oceano] Pacífico e em nosso hemisfério”, disse Ned Price, porta-voz do Departamento de Estado, após pergunta feita pela reportagem em entrevista coletiva.
“Assim, é nossa esperança é que o presidente Bolsonaro tenha aproveitado a oportunidade de reforçar, no encontro com o presidente Putin, as mensagens sobre os valores que compartilhamos.”
O porta-voz não respondeu se as relações entre Brasil e EUA podem ser afetadas no futuro, caso o líder brasileiro não tenha expressado essas mensagens. Price também não comentou a declaração solidariedade de Bolsonaro para com os russos.
Price também disse que há indícios de que a Rússia tem enviado ainda mais tropas para a fronteira da Ucrânia, em vez de retirar soldados. E que o risco de uma invasão russa segue presente.
“Nossa análise é a que a invasão pode começar a qualquer momento. Estamos dizendo isso há algum tempo. Não vamos ter um prazo preciso, mas o fato permanece, que a Rússia está em posição e tem o que precisa para realizar um ataque”, disse o porta-voz.
Ucrânia e Rússia vivem uma crise militar há semanas. Putin determinou o envio de cerca de 150 mil soldados para os arredores das fronteiras com o país vizinho, segundo estimativas dos EUA.
O líder russo quer pressionar a Ucrânia a não fazer parte da Otan, a aliança militar que reúne os EUA e países europeus. No entanto, não há indicativo de que o país possa ser admitido na entidade no futuro próximo.
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