Tarcísio assume discurso de pré-candidato em SP, critica Doria e fala em privatizar Sabesp
SÃO PAULO — O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, abraçou o discurso de candidato bolsonarista ao governo de São Paulo nesta quinta-feira e resolveu fazer promessas de campanha, embora ainda ocupe cargo público.
Em duas horas de discurso, Freitas prometeu privatizar a companhia estatal de saneamento Sabesp caso seja eleito, e criticou os sucessivos governos do PSDB no Estado. O ministro, ainda sem partido, deve filiar-se ao PL e deixar o cargo até abril para disputar a eleição.
— Tem (que privatizar a Sabesp) porque você ganha eficiência, ganha governança e gera recursos. Você pode até fazer essa venda em mais de uma etapa. Você tem uma participação minoritária, valoriza e depois sai do negócio lá na frente. Se chegarmos lá, vamos vender (a empresa) sim. Você (o governo paulista) não faz isso porque não quer — afirmou o ministro durante evento promovido pela plataforma para investidores TC.
A Sabesp já tem capital aberto e ações listadas na B3 e na Bolsa de Nova York, mas o governo de São Paulo ainda controla a empresa: detém 50,3% do capital. No ano passado, a companhia de água e esgoto teve lucro líquido de R$ 1,74 bilhão de janeiro a setembro.
— Quem chegar aqui em São Paulo dizendo que você precisa remontar o estado vai estar mentindo. São Paulo tem uma saúde razoável em relação a outros estados, a burocracia funciona (…). A infraestrutura é razoável, deixamos de fazer muita coisa, perdemos indústrias por questões tributárias, muita gente saiu para Minas Gerais por questões de tributos, de estrangulamento — disse o ministro.
Freitas criticou a decisão de governos tucanos do Estado de prorrogar contratos de concessões rodoviárias. A gestão de João Doria (PSDB) prorrogou no ano passado o contrato da Ecorodovias para operar o complexo Anchieta-Imigrantes, por exemplo, até novembro de 2033. O investimento adicional no período será de R$ 1,5 bilhão.
— Aqui o Estado fez uma bobagem que foi prorrogar as concessões rodoviárias da década de 1990. Naquela época tínhamos uma outra situação macroeconômica (…) Foram contratos feitos com base em planos de negócio, focados em obra e com altas taxas de retorno. A gente foi pressionado para prorrogar o contrato da Dutra e não fizemos, resolvemos fazer uma nova licitação — criticou Freitas.
Segundo Freitas, “falta criatividade para criar mecanismos de autofinanciamento no Metrô” à gestão Doria.
O ministro, que foi elogiado o tempo todo por Rafael Ferri, fundador do TC e influenciador digital próximo a Bolsonaro, e chamado de candidato por diversas vezes, embora ainda ocupe cargo público. Apenas no final do evento, após duas horas, Freitas disse que não pode ainda ser chamado de candidato.
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