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‘Vai ter favela no Miss Alemanha’, diz modelo e ativista brasileira finalista do concurso

RIO — Pela primeira vez na história, uma mulher brasileira, nascida na favela, será finalista do Miss Alemanha. A modelo e ativista social Domitila Barros, de 37 anos, foi selecionada para a grande final que ocorre na noite deste sábado, na cidade de Rust.

Domitila passou pela semifinal na noite de quarta-feira. Após a conquista, a brasileira foi às redes sociais comemorar. “Ontem foi sem dúvidas um momento histórico! Pela primeira vez na história teremos favela, muçulmana, transgender negra & 11 missões na final do Miss Alemanha”, escreveu.

— Eu não estou sabendo colocar em palavras o tamanho da gratidão e da felicidade que eu estou sentindo. Muito obrigada a quem assistiu, a quem votou, a quem mandou mensagem de apoio. Minha gente, vocês não têm noção do corre que foi nos últimos dias, com tanta emoção, tanto choro. E vocês me possibilitaram viver essa noite, que jamais vou esquecer na minha vida — disse.

Natural de Recife, Domitila é modelo, empreendedora social, atriz e influenciadora de mídias sociais. Ela desenvolve projetos sociais há mais de 20 anos. Sua participação no concurso de miss deve-se a uma mudança na estrutura e propósito da competição.

O Miss Alemanha passou por um processo de redefinição há dois anos e deixou de ser apenas um concurso de beleza. Agora, a organização da competição leva em conta principalmente o empoderamento feminino como critério de escolha da vencedora.

— O mundo é um lugar complicado e quero fazer a minha parte para torná-lo melhor. O Miss Alemanha seria um grande parceiro nesta missão e é por isso que estou tão feliz por estar aqui e compartilhar minha trajetória de vida com vocês. Porque, no final das contas, eu sei que você não pode fazer isso sozinho, você precisa de uma comunidade, talentos, opiniões e habilidades diferentes para fazer mudanças — escreveu Domitila, em seu perfil no Instagram, na altura em que foi selecionada.

O site da competição diz que o concurso busca dar às mulheres “um palco que pode mudar o mundo, moldá-lo com atitude, convicção e personalidade e assumir responsabilidades”. Com as mudanças de concepção, o Miss Alemanha tenta estabelecer “novos padrões e figuras de identificação”.

O concurso teve a primeira etapa entre os dias 17 e 19 de setembro. No mês seguinte, uma votação online foi aberta para escolher as 80 competidoras melhor classificadas. As fases seguintes foram definidas por um júri.

Domitila cresceu em uma área periférica de Recife, chamada Linha do Tiro. Ela mora na Alemanha desde 2000, quando viajou para o país europeu para fazer mestrado na Universidade de Berlim, assim que concluiu a graduação em Serviço Social, em Pernambuco.

Na Europa, ela alternou os estudos com a vida de modelo. Ela já realizou campanhas em países europeus, nos Estados Unidos, Emirados Árabes, América Latina, Ásia e África.

Neste período, Domitila também se dedicou a projetos sociais. Ela já trabalhou ensinando crianças a ler e escrever e, com sua experiência, desenvolveu um método para realizar o aprendizado da leitura e da escrita em conjunto com teatro e dança.

A realização desse trabalho rendeu à Domitila um convite da UNESCO para um evento global das Nações Unidas, nos EUA. Na ocasião, ela recebeu o Prêmio Millennium Dreamer.