Pazuello antecipa ida à reserva para dar pontapé em campanha
BRASÍLIA – O ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, apresentou seu pedido de passagem para a reserva remunerada nessa segunda-feira. O militar, que já está no topo da carreira, deixaria a ativa compulsoriamente no dia 31 de março, mas antecipou o requerimento para acelerar decisões sobre seu futuro político. Ainda sem partido definido, Pazuello pretende disputar um cargo de deputado federal pelo Rio de Janeiro.
A previsão é que a passagem para a reserva seja oficializada no máximo até o início de março, com publicação em Diário Oficial da União. Interlocutores do ex-ministro afirmam que ele antecipou a saída para ter a liberdade para definir o seu destino partidiário e dar início à pré-campanha. Como general da ativa, Pazuello não poderia se filiar. O prazo para o ingresso nas legenas é dia 2 de abril.
Pazuello, segundo pessoas próximas, recebeu convite de cinco partidos com a possibilidade de se candidatar ao Senado e à Câmara pelo Rio de Janeiro, Amazoas e Roraima. Porém, a tendência é que ele concorra a uma vaga na Câmara pelo Rio. PL ou pelo PP são os partidos preferidos pelo militar.
Nesta terça-feira, Pazuello esteve no Ministério da Saúde para acompanhar o atual titular da pasta, Marcelo Queiroga, a aplicar as primeiras doses da vacina da AstraZeneca produzidas com Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) nacional em quatro pessoas. O cardiologista se referiu ao general como “amigo” durante a siolenidade.
Pazuello ficou à frente do Ministério da Saúde por dez meses, durante a escalada da pandemia da Covid-19. Inicialmente, ele ficou no cargo interinamente, substituindo o ex-ministro Nelso Teich, que pediu exoneração um mês após assumir. O general foi efetivado como titular da Saúde em setembro de 2020 e exonerado em março do ano passado em meio ao aumento no número de casos e mortes por Covid-19 e o impasse da vacinação.
Ao deixar o ministério, porém, Pazuello não ficou desabrigado. Um dos principais alvos da CPI da Covid no Senado, o general ganhou o cargo de assessor especial da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos, cuja atuação jamais foi esclarecida.
Ao longo de todo o período em que esteve no governo, Pazuello foi pressionado por militares para que pedisse a aposentadoria. A avaliação de oficiais é que a criticada atuação do general na pandemia da Covid-19 prejudicava a imagem do Exército, sobretudo, com as investigações da CPI. Pazuello, no entanto, resistiu e foi acusado de usar a farda para se blindar.
O auge da irritação da cúpula do Exército ocorreu quando, em maio de 2021, Pazuello participou de um ato político ao lado do presidente Jair Bolsonaro no Rio. Um processo disciplinar foi aberto, mas o general, que ganhou um cargo no Planalto, foi absolvido pelo comando sob o argumento de que “não restou caracterizada a prática de transgressão disciplinar.”
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