Europa teme que seja tarde demais para se livrar da dependência do gás russo
A invasão da Ucrânia pela Rússia abalou os lentos esforços da Europa para se livrar do gás natural russo, mas o tempo está se esgotando, ameaçando deixar os consumidores com frio e as fábricas ociosas no próximo inverno.
Aconteça o cenário em que o Kremlin feche as torneiras em retaliação às sanções ou que a Europa pare de comprar, os formuladores de políticas europeias concordam em um ponto. O continente precisa se preparar para um futuro com muito menos energia russa, se houver.
Desvincular o mercado de gás da Europa da Rússia representaria uma mudança monumental para um continente que se tornou tão dependente do gás que vem do solo “permafrost” siberiano e que construiu pouca infraestrutura necessária para suprimentos alternativos.
A União Europeia obtém cerca de 40% de seu gás da Rússia, e essa dependência cresceu nos últimos anos. Esta semana, enquanto o Ocidente tentava atrapalhar a Rússia com sanções, a União Europeia estava pagando até 660 milhões de euros – cerca de US$ 722 milhões – por dia à Rússia, segundo o think tank belga Bruegel. Isso é o triplo do valor que era pago antes da invasão russa.
“Tornou-se dolorosamente claro que não podemos deixar a nenhum terceiro país o poder de desestabilizar nossos mercados de energia ou influenciar nossas escolhas energéticas”, disse Kadri Simson, comissário de energia da União Europeia, ao Parlamento Europeu na quinta-feira, 3.
No entanto, substituir o gás russo é mais fácil falar do que fazer. Muitos terminais de gás natural liquefeito que recebem entregas dos Estados Unidos e do Catar estão lotados, e dois novos terminais aprovados pelo governo alemão nesta semana só serão construídos em três anos.
Quaisquer novas cargas de gás natural liquefeito virão com um preço muito mais alto do que o gás canalizado russo, ameaçando uma economia europeia que já luta contra a inflação. Além disso, abastecer de gás suficiente o armazenamento europeu antes do próximo inverno custaria pelo menos 70 bilhões de euros a preços atuais, em comparação com 12 bilhões de euros em anos anteriores.
Isso deixa os formuladores de políticas com opções desagradáveis se os fluxos pararem. Entre elas, estão racionamento de energia e também o uso de mais carvão, comprometendo as metas de mudança climática. “Teríamos que pedir às pessoas que reduzissem o termostato em casa e às indústrias que fechassem por um certo período de tempo”, disse Simone Tagliapietra, pesquisadora sênior do Bruegel. Fonte: Dow Jones Newswires.
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