Santander Brasil lucra R$ 4 bilhões no primeiro trimestre
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Santander Brasil registrou um lucro líquido de R$ 4,005 bilhões no primeiro trimestre de 2022, o que corresponde a um leve crescimento de 1,3% na comparação com o mesmo período do ano passado e de 3,2% ante o quarto trimestre. As informações foram divulgadas na manhã desta terça-feira (26) pelo banco.
O resultado se deve em grande medida ao desempenho da carteira de crédito, que encerrou o mês de março em R$ 455,1 bilhões, crescimento de 7,2% em bases anuais, mas queda de 1,6% em relação ao último trimestre de 2021.
Os segmentos de pessoas físicas e pequenas e médias empresas se destacaram na comparação com o mesmo intervalo de 2021, com crescimentos de 19% e 12,2%, respectivamente.
Entre as pessoas físicas, os produtos que apresentaram as maiores contribuições positivas para os resultados do banco foram cartão de crédito (30,5%), crédito pessoal/outros (30,4%), crédito imobiliário (15,2%) e consignado (9,2%).
Já na divisão de grandes empresas houve uma queda de 10,8%. Segundo o Santander, a baixa se deve principalmente à volatilidade cambial no período, bem como por um menor nível de renovações de operações.
ALTA DA INADIMPLÊNCIA
O índice de inadimplência acima de 90 dias do Santander Brasil foi para 2,9% ao final do primeiro trimestre, contra 2,1% em igual período do ano anterior e 2,7% em dezembro.
Entre as pessoas físicas, a taxa de atrasos chegou a 4% no final do mês passado, aumento de 0,88 ponto percentual em bases anuais e de 0,33 ponto na margem.
No caso das pessoas jurídicas, o índice de inadimplência alcançou 1,4%, aumento de 0,39 ponto percentual no ano e de 0,06 ponto no trimestre.
No balanço de resultados referente ao quarto trimestre de 2021, os grandes bancos foram unânimes em indicar a expectativa por um aumento dos pagamentos em atraso ao longo deste ano.
A alta dos juros e da inflação, combinada com um crescimento fraco da atividade econômica, tende a pressionar os gastos das famílias nos próximos meses.
CEO do Santander Brasil, Mario Leão afirmou que não espera que a tendência de alta da inadimplência prossiga no mesmo ritmo ao longo dos próximos trimestres do ano.
“A gente não está enxergando” que a deterioração das taxas em atraso do banco vai continuar à frente na mesma toada observada nos resultados do primeiro trimestre, afirmou Leão nesta terça durante coletiva com a imprensa.
Por outro lado, ele reconheceu também que ainda não é possível enxergar neste momento alguma melhora mais substancial nos índices de inadimplência do Santander Brasil.
“As tendências operacionais do banco nos decepcionaram devido à pequena contração dos empréstimos [na comparação com o quarto trimestre], ao aumento no índice de inadimplência e no custo do crédito, juntamente com resultados fracos de receita com serviços”, apontam os analistas do banco de investimento UBS BB, em relatório.
Eles acrescentam que os números apresentados tendem a causar uma pressão negativa sobre as ações na Bolsa os papéis do Santander Brasil operavam em queda de quase 5% por volta das 12h50, bem acima das perdas ao redor de 1,6% do índice Ibovespa.
Com uma avaliação parecida, os analistas do Itaú BBA dizem que os resultados do Santander Brasil vieram abaixo das expectativas, o que os faz manter uma visão cautelosa em relação ao negócio.
“Os desafios do primeiro trimestre de 2022 em termos de originação e qualidade de crédito provavelmente permanecerão no segundo trimestre do ano”, dizem os analistas do Itaú BBA.
“Continuamos nossa história de crescimento, com resultados consistentes e recorrentes, suportados pela nossa boa capacidade de antecipação de tendências. Nossas medidas permitiram alcançarmos desempenhos sólidos em alguns de nossos principais negócios. Acreditamos em uma combinação de cultura orientada para a expansão e boa capacidade de reação aos sinais, que pode ser evidenciada pela nossa gestão de riscos”, disse o CEO do Santander Brasil, no relatório de resultados.
DETERIORAÇÃO JÁ ESPERADA
O saldo das provisões para devedores duvidosos, por sua vez, atingiu R$ 28,4 bilhões em março, aumento de 10,4% no ano contra ano e de 4,7% na comparação trimestral.
“Nossa qualidade da carteira de crédito permanece em níveis controlados, apresentando a deterioração já esperada da inadimplência, dado o cenário macroeconômico e alinhado ao volume e mix da originação”, afirmou Angel Santodomingo, diretor financeiro do banco.
O ROAE (retorno sobre o patrimônio líquido, indicador que mede a rentabilidade da operação) do Santander Brasil foi de 20,7% no primeiro trimestre, praticamente estável em relação ao mesmo trimestre do ano anterior (20,6%), e alta de 0,6 ponto percentual na margem.
O Santander Brasil lidera em termos de rentabilidade da operação entre os bancos brasileiros, sendo o terceiro mais rentável em comparação aos pares em escala global, segundo levantamento da Economatica.
O banco aprovou em 14 de abril o pagamento de dividendos e JCP (Juros sobre o Capital Próprio) no montante de R$ 1,7 bilhão, com pagamento a partir de 16 de maio.
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