Venda de fábrica de fertilizantes da Petrobras para grupo russo é cancelada
A Petrobras informou na manhã desta quinta-feira que não foi concluído o processo de sua de fertilizantes, no município de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, para o grupo russo Acron. Segundo a estatal, o motivo foram as intenções russas.
“O plano de negócios proposto pelo potencial comprador, em substituição ao projeto original, impossibilitou determinadas aprovações governamentais que eram necessárias para a continuidade da transação”, disse a estatal.
A venda da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III) foi anunciada em fevereiro pela então ministra da Agricultura, Tereza Cristina. Apesar de uma potência agrícola, o Brasil é importador de fertilizantes. A fábrica poderia reduzir essa dependência.
O anúncio feito pela ministra foi feito poucos dias antes de o presidente Jair Bolsonaro — que festejou a notícia em redes sociais na época — viajar para a Rússia, e cerca de duas semanas antes da invasão da Ucrânia por tropas russas.
O valor da operação não foi revelado, mas segundo uma fonte, a soma corresponderia ao que a Petrobras já havia investido no empreendimento, em torno de R$ 3,8 bilhões. A expectativa era que fábrica começasse a operar em 2027.
A negociação foi cercada de polêmica. A senadora e pré-candidata à Presidência da República pelo MDB, Simone Tebet — que, há 11 anos, quando era prefeita de Três Lagoas, cedeu um terreno de 50 hectares para a fábrica — afirma que a estatal, além de ter se precipitado com a venda, não se preocupou em colocar no contrato um prazo que obrigue a compradora a produzir a partir de determinado período.
Ela comemorou o fim do acordo:
— Conseguimos! Vitória da verdade, do respeito à soberania nacional e da segurança alimentar. Agora, sim, poderemos produzir mais fertilizantes e garantir mais comida no prato dos brasileiros.
A UFN3 começou a ser construída em 2011, para produzir ureia e amônia. As obras, no entanto, estão paradas desde dezembro de 2014. Em 2017, a Petrobras colocou a fábrica à venda, alegando querer sair da área de fertilizantes.
Na ocasião, com a unidade 81% concluída, a Acron chegou a mostrar interesse, mas desistiu, devido à dependência do fornecimento de gás natural pela Bolívia.
Depois, a empresa voltou a negociar com a Petrobras e acertou o acordo no início deste ano, mas o impasse sobre o fornecimento de gás — essencial para a produção de fetilizantes — permaneceu.
A expectativa era que a empresa importasse insumos da Rússia e fabricasse o produto final em uma misturadora. Mas, com o negócio desfeito, a venda da unidade volta à estaca zero.
Em resposta ao GLOBO, o Ministério da Agricultura informou que compreende as “complexidades existentes” para quea compra não fosse concluída. A avaliação da pasta é que a reabertura do processo, já no ambiente regulatório e de segurança jurídica criado pelo novo Plano Nacional de Fertilizantes, “terá mais possibilidade de interesse do mercado e de sucesso para conclusão do negócio”.
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