Roland Garros começa sem favoritismo de Nadal e com holofotes em Alcaraz
Como já virou rotina, Roland Garros começará neste domingo com holofotes sobre um tenista espanhol. Mas, pela primeira vez desde que impôs sua hegemonia, Rafael Nadal não será o grande favorito em Paris. O recordista de títulos de Grand Slam e maior especialista da história no saibro da capital francesa será coadjuvante, diante das atenções que serão direcionadas ao jovem compatriota Carlos Alcaraz.
Nadal sofre de um problema crônico no pé esquerdo. Nos últimos meses, as dores aumentaram e o tenista, conhecido pela confiança e resiliência, surpreendeu com declarações pessimistas, indicando até uma aposentadoria próxima. “Vai chegar um momento em que minha cabeça vai dizer ‘chega’. Porque a dor tira minha felicidade, não só no tênis, mas na vida”, afirmou o ex-número 1 do mundo, no início do mês.
Perto de completar 36 anos, no início de junho, Nadal tem longa história em Roland Garros. Após estrear direto com título em 2005, ele se tornou favorito automático para todas as edições seguintes. E não decepcionou: são 13 títulos no saibro francês, recorde absoluto em qualquer Grand Slam. São 105 vitórias e apenas três derrotas em 17 edições.
Após ser campeão em 2005, ele repetiu a dose em 2006, 2007 e 2008. Em 2009, sofreu sua primeira derrota, para o sueco Robin Soderling, nas oitavas de final – Roger Federer foi o campeão. Nadal retomou o domínio em 2010 e estabeleceu nova hegemonia até 2014. Em 2015, perdeu pela segunda vez, para Novak Djokovic, nas quartas de final – Wawrinka levantou o troféu. No ano seguinte, abandonou antes da terceira rodada, por lesão. O sérvio enfim foi campeão. Entre 2017 e 2020, houve novo período de domínio. No ano passado, sofreu a terceira derrota, na semifinal, novamente para Djokovic.
“Pelo retrospecto dos torneios que jogou neste ano, será a primeira vez que ele não chega como um dos favoritos, e unicamente por conta do físico. Se não fosse isso, seria um dos favoritos. Mas será difícil porque é um Grand Slam, com duas semanas de jogos duros, no saibro, com partidas longas”, diz ao Estadão o ex-tenista Jaime Oncins, que já fez semifinal de duplas em Roland Garros, e atual capitão do Brasil na Copa Davis.
Os números também não ajudam o espanhol. Somente uma vez ele foi campeão em Paris sem ganhar um torneio no saibro antes, em 2020, na temporada reduzida pela pandemia. Neste ano, o 5º do ranking ganhou três competições, todos em quadra dura, incluindo o Aberto da Austrália. Em Melbourne, ele se tornou o recordista de títulos de Grand Slam, com 21 conquistas.
Essa marca poderá ser igualada por Novak Djokovic em Paris. Cotado como maior candidato ao título, o sérvio voltará a um Grand Slam, seu primeiro deste ano, após ser deportado da Austrália, em janeiro, numa das polêmicas mais rumorosas da história do tênis. Sem empolgar neste ano, o número 1 do mundo vem de título no Masters de Roma, também sobre o saibro, e empolgou os fãs.
Seus principais rivais em Paris devem vir da nova geração, encabeçada desta vez por Carlos Alcaraz. Aos 19 anos, o tenista da cidade de Murcia é a sensação da temporada e, para alguns especialistas, têm mais recursos que Nadal na mesma idade. Tem potencial, portanto, para brilhar no circuito, a começar por Roland Garros.
“Desta nova geração, é o que pode surpreender e conquistar seu primeiro Grand Slam já neste ano. Ele tem jogo para isso. Resta saber se vai conseguir manter o nível ao longo das duas semanas”, afirma Oncins, ex-número 34 do mundo em simples.
Alcaraz chama a atenção por ser o tenista que mais levantou troféus na temporada até agora, com quatro, e também pelo desempenho exibido no Masters 1000 de Madri. O número seis do mundo se tornou o primeiro da história a eliminar tanto Nadal quanto Djokovic num torneio de saibro.
BIA EM ALTA
Em seu melhor momento da carreira, Beatriz Haddad Maia será a única representante do Brasil nas chaves de simples. Ela vem exibindo consistência e bons resultados nos últimos meses e ocupa no momento a melhor posição do ranking em sua carreira, com o 49º posto. “Estou feliz com esse primeiro objetivo e estou muito firme. cuidando bem do corpo. Estou me sentindo muito bem, preparada e competitiva”, afirma.
Bia vai jogar também nas duplas, novamente ao lado da casaque Anna Danilina. Juntas, elas foram vice-campeãs na Austrália, em janeiro. E a brasileira deve jogar também nas duplas mistas, ao lado do compatriota Bruno Soares, que estará nas duplas masculinas, assim como Marcelo Melo – cada um com seu parceiro.
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