Polícia identifica ossada de garoto desaparecido há 30 anos no Paraná
CURITIBA, PR (FOLHAPRESS) – Uma das crianças mais procuradas do Paraná teve sua identidade confirmada nesta sexta-feira (10) pela Secretaria Pública do Paraná. Amostras de DNA de uma ossada foram comparadas com parentes de crianças desaparecidas no estado e apontaram que os fragmentos genéticos eram de Leandro Bossi.
Ele desapareceu em 1992, aos sete anos, após um show na cidade de Guaratuba, litoral do Paraná. O caso nunca foi resolvido e teve grande repercussão na época, especialmente após o desaparecimento de outra criança da mesma idade, Evandro Ramos Caetano.
Em entrevista à imprensa, o secretário de segurança do Paraná, Wagner Mesquita, afirmou que a estimativa é de 99,99% de certeza que a ossada é mesmo de Leandro.
Questionada, a polícia não informou de onde veio a ossada de Leandro, se seria ou não a achada próxima ao corpo de Evandro na época –até então, que se tratava dos restos mortais de uma menina.
Sobre a hipótese de as mortes de Leandro e Evandro estarem relacionadas (um desapareceu em fevereiro e outro, em abril), o secretário informou que nada pode ser ainda dito, porque foram solicitados detalhes do inquérito ao Ministério Público.
De acordo com o perito Marcelo Malaghini, coordenador do Laboratório de Genética Molecular Forense da Polícia Científica do Paraná, a identificação só foi possível graças ao Banco Genético do Estado.
Ele explica que, inicialmente, foram realizadas análises de DNA nuclear, sem sucesso. Então se aplicaram testes de DNA Mitocondrial, que mostraram compatibilidade com a mãe de Leandro.
A autoria do crime, que é tido como um homicídio, ainda não foi descoberta.
“Solicitamos cópia do inquérito, que está arquivado como Ministério Público de Guaratuba, para analisar o impacto disso nas investigações, que não terminaram”, afirma Mesquita. “Vamos solicitar o acesso ao laudo da perícia no local, na época. Quando tivermos acesso a ele, daremos continuidade nas investigações.”
Segundo o secretário, oito amostras de fragmentos ósseos estão sendo analisadas pela polícia científica, com acompanhamento do Sicride (Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas).
“Temos 26 outras crianças desaparecidas e não encerramos aqui”, afirmou a delegada do Sicride, Patrícia Nobre. Ela contou que a família de Leandro já foi informada da confirmação do DNA e reagiu muito emocionada à notícia.
O caso do menino Evandro ganhou repercussão após investigação aprofundada do jornalista Ivan Mizanzuk, resultando no podcast e depois na série televisiva “O Caso Evandro”, no ar na Globoplay.
Celina e Beatriz Abagge foram apontadas como as mandantes do sequestro e da morte do garoto, que teria ocorrido durante um ritual. Segundo a acusação, a criança foi sacrificada para “abrir os caminhos” para a política e os negócios da família Abagge.
Em 2021, elas lançaram livro e que contam as torturas que sofreram para confessar o crime. Em “Malleus: Relatos de Injustiça, Tortura e Erro Judiciário”, elas contam sua versão da história, desde o momento em que foram pegas pela polícia em casa, em Guaratuba, no litoral do Paraná, em 1992, até os anos que passaram numa penitenciária na região de Curitiba e os julgamentos a que foram submetidas.
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