Anitta transforma Rock in Rio Lisboa em puxadinho do Brasil na Europa
LISBOA, PORTUGAL (FOLHAPRESS) – Foi quando começava a anoitecer e montada em uma moto –assim como fez no festival Coachella, onde se apresentou em abril– que Anitta subiu ao palco do Rock in Rio Lisboa, que tinha o mesmo cenário que representa uma favela usado no evento norte-americano. Mas a noite que Anitta apresentou para o país europeu foi bem mais brasileira que a festa feita nos Estados Unidos.
A cantora era visivelmente a atração mais aguardada deste domingo, 26, último dia de shows do festival português e também o de público mais jovem. Desde cedo o palco Mundo, onde ela se apresentaria, já reunia centenas de pessoas à sua espera –nem Post Malone, escalado como atração principal para fechar o festival, arrancou esse nível de comprometimento do público.
Se no Coachella Anitta privilegiou o hits que a ajudaram a conquistar públicos de outros países, no Rock in Rio de Lisboa, talvez por causa do idioma, ela pareceu se sentir mais em casa para explorar velhas conhecidas do público brasileiro e que a fizeram crescer no país onde nasceu –e também seus flertes com gêneros como o sertanejo e o brega.
Bem no início do show, por exemplo, o público formado majoritariamente por portugueses e brasileiros viu Anitta lembrar Marília Mendonça, cantora que morreu no ano passado e que divide os vocais com ela em “Some que ele vem Atrás”, de 2019. O sertanejo ainda voltou em “Loka”, de Simone e Simaria, lançada com Anitta em 2017, bem antes da carioca se tornar uma estrela global.
Na mesma pegada também apareceram no setlist “Romance com Safadeza”, com Wesley Safadão, e “Sua Cara”, um dos maiores hits da carioca e também de Pabllo Vittar, que a acompanha nos vocais da música produzida por Major Lazer.
O repertório, claro, também serviu para Anitta desfilar seu extenso currículo de colaborações com artistas de várias partes do mundo –foram cantadas músicas feitas ao lado do francês Dadju, do colombiano J Balvin e da norte-americana Cardi B.
Mas o que mais animou o público português foi o funk, base musical de Anitta. As faixas mais cantadas, de longe, foram aquelas que nasceram no Rio de Janeiro, cidade da cantora –“Vai Malandra”, “Modo Turbo”, “Favela Chegou” e “Onda Diferente” apareceram nessa leva.
Para “Combatchy”, Anitta ainda chamou a amiga Rebecca, que mais cedo animou outro palco do festival lusitano, e dançou ao som de “Movimento da Sanfoninha”, faixa instrumental de funk conhecida como aquela em que Anitta mexe o bumbum no ritmo das batidas com seu balé a reverenciando.
Os bailarinos que a acompanham durante todo o show, aliás, repetiram o grito de “Fora Bolsonaro” que viralizou no Coachella –foi a única manifestação política feita no palco de Anitta, mas repetida pela multidão na frente do palco quando o show acabou.
Em certo momento a artista levou mais de uma dezena de membros de sua família para dançarem no palco com uma bandeira do Brasil. “Eu sonhei muito com esse dia, sonhei muito em estar de volta. Estou muito emocionada”, disse, agradecendo ao público português –o primeiro da Europa a vê-la nos palcos, também no Rock in Rio Lisboa, em 2018.
A jornalista viajou a convite do Rock in Rio Lisboa
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