Marina Silva vai disputar vaga na Câmara e põe fim a rumor sobre ser vice de Haddad em SP
A ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede) anunciou nesta quarta-feira que vai se candidatar a deputada federal por São Paulo nas eleições deste ano. Marina foi, por três vezes, candidata à Presidência da República (2010, 2014 e 2018), tendo obtido a terceira colocação nas duas primeiras tentativas.
A expectativa da Rede é de que Marina Silva seja uma puxadora de votos da sigla, que hoje só tem uma deputada federal, Joênia Wapichana (RR), e um senador, Randolfe Rodrigues (AP).
Marina chegou a ser cotada para o cargo de vice do petista Fernando Haddad após se reaproximar do Partido dos Trabalhadores. A ex-senadora declarou apoio ao pré-candidato petista ao governo de São Paulo no início deste mês.
A intenção de que Marina fosse vice de Haddad esbarrou na necessidade de a Rede precisar de uma puxadora de votos e também encontrou oposição do PSOL, que também apoia Haddad e reivindica espaço na chapa do petista.
“Considero que assim (como candidata a deputada) posso colaborar com o objetivo estratégico de mobilizar o Brasil para o grande desafio da reconstrução e construção de políticas públicas capazes de enfrentar o crescimento intolerável das desigualdades, recuperar a economia em bases sustentáveis e preparar o estado e o país para a urgente transição necessária para nos adaptarmos às mudanças climáticas”, afirmou a ex-senadora em nota publicada em suas redes sociais.
“A sociedade paulista, pela sua complexidade, diversidade e pujança reúne recursos, capacidades e condições de responder a tantas crises que nos assolam, contribuindo assim (…) para a instituição de novo ciclo de desenvolvimento no estado e do país, deixando para trás as tragédias que hoje minam nossas esperanças”, prossegue o documento.
Marina fala ainda em “contribuir para que São Paulo tenha uma representação no Congresso que seja compatível com sua potência em recursos sociais, científicos, humanos, tecnológicos e financeiros”.
Marina Silva tem 64 anos e nasceu em Rio Branco. Filha de um seringueiro e uma dona de casa, passou a infância em uma comunidade de palafitas. Aprendeu a ler aos 16 anos e, durante a juventude, teve malária, leishmaniose e sofreu ainda uma contaminação por mercúrio.
Tendo vivido nos últimos anos em Brasília, a ex-senadora mudou-se para São Paulo neste ano com vistas a disputar algum cargo na eleição estadual.
Marina é formada em História pela Universidade Federal do Acre (UFAC) e foi professora. Iniciou atuação política no movimento sindical, tendo sido aliada de Chico Mendes, líder seringueiro assassinado em 1988.
A ex-senadora foi uma das fundadoras do Partido dos Trabalhadores no Acre, tendo se filiado à sigla ainda em 1986 e na qual ficou até 2009, quando rompeu com o então presidente Lula. No PT, Marina se elegeu vereadora em Rio Branco em 1988. Dois anos depois, foi eleita deputada estadual e, em 1994, venceu a eleição por uma vaga ao Senado. Foi reeleita em 2002.
A acreana foi ministra do Meio Ambiente nos governos de Lula e se notabilizou pela luta contra o desmatamento ilegal. Deixou o cargo em 2008 após divergências com os então ministros Dilma Rousseff, da Casa Civil, e Mangabeira Unger, da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência. No ano seguinte, deixou o PT para filiar-se ao PV.
No PV, Marina Silva disputou sua primeira eleição presidencial, tendo o empresário Guilherme Leal, fundador e acionista da Natura, como seu vice. A chapa ficou em terceiro lugar, atrás de Dilma Rousseff e José Serra.
Quatro anos mais tarde, após não ter conseguido fundar a própria sigla, Marina filia-se ao PSB para ser vice do ex-governador pernambucano Eduardo Campos. A ex-senadora assumiu a cabeça de chapa após a morte de Campos, vítima de uma queda de avião.
Disputou a Presidência pela segunda vez em 2014 tendo o deputado gaúcho Beto Albuquerque como vice. Chegou a ser considerada a favorita durante a campanha, mas acabou novamente em terceiro lugar, atrás da então presidente Dilma e do tucano Aécio Neves, a quem apoiou no segundo turno.
Em 2018, Marina disputou a Presidência pela terceira vez, já na Rede e em uma aliança com o PV. Teve Eduardo Jorge como vice em uma campanha com poucos resursos e inserções na TV. Acabou em oitavo lugar, atrás de novatos na política como Cabo Daciolo.
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