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Bienal de SP: conheça 11 livros com personagens ou autores LGBTQIAP+

Leitores aficionados têm até domingo para aproveitarem a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que começou nesta segunda-feira no Expo Center Norte, localizado em Vila Guilherme, na Zona Norte da cidade. Inspirados pela temática do último mês, que celebrou o Orgulho LGBTQIAP+, os frequentadores têm a disposição uma série de títulos marcados pela representatividade queer em seus personagens ou autores. Conheça 11 destas obras:

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‘E se a gente tentasse’

Trata-se da continuação de “E se fosse a gente”, de Becky Albertalli e Adam Silvera, autores de “Com amor, Simon”, e “Os dois morrem no final”, respectivamente. Lançado no último dia 17, “E se a gente tentasse” é uma comédia romântica — com várias referências a musicais da Broadway e aos pontos turísticos de Nova York, nos EUA — que trata dos eventos que se desenrolam a partir do reencontro de Ben e Arthur dois anos após o fim de seu namoro, mostrado no volume anterior.

Sinopse: Ben sobreviveu ao primeiro ano da faculdade trabalhando no manuscrito do seu livro de fantasia com ajuda do seu colega de classe, Mario. Enquanto isso, Arthur volta à cidade para fazer o estágio dos sonhos na Broadway e conquistar o mundo do teatro. Apesar de ter que passar o verão longe do namorado, Mikey, ele está convicto de que o relacionamento dos dois é forte o bastante para superar a distância — só não esperava que fosse reencontrar Ben. Embora tentem focar em novas possibilidades e ser apenas amigos, o destino parece querer reuni-los de novo.

‘Os dois morrem no final’

Em “Os dois morrem no final”, do americano Adam Silvera, leitores acompanham a trajetória de Mateo Torrez e Rufus Emeterio, “dois jovens que dividem suas últimas horas de vida e, juntos, constroem experiências inesquecíveis”, conforme a sinopse da editora Intrínseca. O título, lançado originalmente em setembro de 2017 nos EUA, está disponível no Brasil desde outubro de 2021.

Sinopse: a história começa com os protagonistas sendo surpreendidos por uma ligação da Central da Morte pouco depois da meia-noite com a informação de estão em seu último dia de vida. Diante das poucas horas restantes, Mateo e Rufus decidem aproveitar cada minuto. Em busca de alguém com quem compartilhar uma última experiência, aliviando a solidão, ambos acabam se conhecendo através de um aplicativo, trasformando o encontro numa aventura.

‘Nimona’

Embora a capa desta história em quadrinhos mostre a antiga identificação do autor, Noelle Stevenson, ele atualmente atende por ND Stevenson e usa os pronomes ele/dele. A obra contém elementos de magia, ação e com uma boa dose de humor, dispostos em camadas de reflexão, que aparecem entre uma batalha e outra. A personagem principal é uma metamorfa sem limites nem papas na língua, cujo maior sonho é ser comparsa de Lorde Ballister Coração-Negro, o maior vilão que já existiu, sem saber, entretanto, que seu herói possuía escrúpulos, muito menos uma deliberada missão.

Sinopse: até conhecer Nimona, Ballister fazia planos que jamais davam certo. Felizmente, a garota tem muitas sugestões para reverter esse quadro. Infelizmente, a maioria envolve explosões, sangue e mortes. Agora, Coração-Negro não só tem que enfrentar seu arqui-inimigo e ex-amigo, o célebre e heroico Sir Ambrosius Ouropelvis, mas também impedir que a fiel comparsa destrua todo o reino ao tentar ajudá-lo.

‘A história de Shuggie Bain’

Obra vencedora do Booker Prize 2020 , “A história de Shuggie Bain”, de Douglas Stuart, é um romance sobre autodescoberta e o amor de um filho por sua mãe imperfeita. A trama se passa na cidade escocesa de Glasgow que entrou em declínio na década de 1980 e sofreu com a desindustrialização em massa, medidas de austeridade, desemprego e aumento da pobreza.

Sinopse: Agnes Bain nasceu e cresceu no subúrbio da região, mas sonhava com coisas grandiosas: uma casa com entrada privativa, uma vida comprada e quitada, ainda que tão falsa quanto seus dentes perfeitos. No entanto, quando o marido, um taxista mulherengo, sai de casa, ela e os três filhos são deixados à própria sorte em uma região mineradora decadente, afastada do centro da cidade. Enquanto Agnes se entrega ao álcool, os filhos aos poucos abandonam-na, enquanto tentam salvar a si mesmos, lhe restando apenas o caçula Shuggie Bain que, muitas vezes, abre mão de seu bem-estar para ajudá-la. Ele próprio, contudo, também tem seus problemas. Apesar de suas tentativas e do empenho do irmão mais velho em ajudá-lo a se comportar como manda a masculinidade bruta e castigada dos homens que os cercam, todos acham que há “algo de errado” com ele. Agnes quer apoiar e proteger o filho, mas seu vício é tão destruidor que eclipsa todos que estão próximos a ela, inclusive Shuggie.

‘Me chame pelo seu nome’

Obra de André Aciman que inspirou o filme vencedor do Oscar de melhor roteiro adaptado em 2018, “Me chame pelo seu nome” se passa na casa onde o jovem Elio passa os verões na costa italiana com sua família e recebe uma série de convidados, entre amigos, vizinhos, artistas e intelectuais. É um livro sobre as descobertas da paixão, com suas mais delicadas e brutais emoções da juventude.

Sinopse: Durante as férias de verão, Elio conhece um escritor americano chamado Oliver, que se hospeda em sua casa de veraneio e ajuda seu pai, um professor universitário, a lidar com materiais de estudo. Sem perceber como, Elio fica encantado pelo rapaz de 24 anos. Da antipatia impaciente que parece atravessar o convívio inicial deles, surge uma intensa paixão, marcando uma experiência inesquecível.

‘Viúva de Ferro’

Romance de estreia de Xiran Jay Zhao, que se identifica como pessoa não-binária, “Viúva de Ferro” traz personagens LGBTQIAP+, mas o foco da história não está no relacionamento entre eles. O livro, inspirado em criaturas da mitologia do leste asiático, é de fantasia com toques de ficção científica. O cenário na história é Huaxia, governado por uma sociedade patriarcal e misógina, em que a vida das mulheres é completamente descartável. Enquanto os pilotos masculinos são tratados como heróis, meninas e mulheres são forçadas a acreditar que sua vida vale menos do que a deles.

Sinopse: Em Huaxia, a maior honra concedida a uma garota é ser escolhida para a função de piloto-concubina, servas conectadas a pilotos homens. Juntos, eles fornecem energia às crisálidas, máquinas de guerra gigantes que combatem alienígenas e protegem a humanidade. Essa conexão mental tão intensa entre piloto e concubina com frequência leva as jovens à morte. Aos 18 anos, Wu Zetian se alista como concubina com apenas um objetivo: vingar a morte da irmã.

‘Clube do orgasmo’

De Jüne Plã, “Clube do orgasmo” nasceu do sucesso da página da autora no Instagram, em que ela usa desenhos para propor reflexões sobre os prazeres do corpo humano. O livro, lançado no Brasil em 6 de junho pela editora Intrínseca, é um guia ilustrado que usa linguagem inclusiva para dialogar com pessoas de diversos gêneros e orientações sexuais visando romper a heteronormatividade e chamar atenção para zonas erógenas, como a próstata, de forma prática, oferecendo dicas simples para entender melhor o corpo e como explorar a sexualidade. Entre os temas abordados, estão aqueles sobre os quais muita gente tem vergonha de perguntar, com vários desenhos que ilustram como chegar ao ápice do prazer, indicações de brinquedos sexuais, escolha do melhor tamanho de camisinha e conselhos para mandar bem no sexo oral e como aproveitar ao máximo a experiência da masturbação.

Um trecho da introdução: “Por sinal, falando de gênero, você vai notar, ao longo da leitura, que dei aos personagens apelidos engraçadinhos. Fulane, Sicrane e Beltrane propositalmente não têm gênero determinado, pois, mesmo que o mundo seja construído de modo muito binário e que aleguem que homens têm pênis e mulheres têm vulva, existem também pessoas intersexo, trans, não binárias, gênero fluido, agênero, pessoas que se encaixam em várias dessas categorias etc. Isso confunde nossos hábitos. As identidades trans têm pouca visibilidade pois são minoria, mas isso não quer dizer que pessoas trans não existem. Aqui, desejo que todo mundo se sinta à vontade e se divirta. Portanto, neste livro, Fulane tem pênis, Sicrane tem vulva e Beltrane pode ter os dois. Sacou?”

‘Sunboy’

Escrito por Gabriela Paraizo, “Sunboy” é fruto de uma fanfic inspirada em determinados cantores sul-coreanos. Por isso, antes mesmo do lançamento do livro neste ano, a história já era conhecida por fãs, de forma que a participação da autora na Bienal do Livro em São Paulo atraiu muitos deles.

Sinopse: Não, Alan Pellegrini nunca foi o cara mais de bem com a vida que você encontraria por aí, mas, depois de levar o maior e mais forte pé na bunda de todos os tempos, o último brilho de seu olhar também se apagou, como quando as nuvens cobrem a Lua. Desiludido a ponto de deixar de acreditar no amor ou no futuro, Alan não consegue compreender o que está sentindo quando Erick Capdeville entra em sua vida. Quente e brilhante como o próprio Sol, Erick tem um sorriso encantador e uma voz melodiosa, mas também guarda um segredo perigoso. Erick é a solução ou mais um problema? Sol e lua são complementares?

‘Meu Desfruto’

O livro de Kele Aomine também é baseado numa fanfic de K-pop com personagens LGBTQIAP+, conforme são em geral os títulos da Editora Euphoria, sediada no Rio de Janeiro.

Sinopse: Há séculos, Regnum foi tomada por guerras. O continente, antes regido por deuses zelosos, agora é separado por fronteiras perigosas que traçam limites à liberdade ômega. Em Regnunsolis, nasceu Leokalyan Qirel, alfa herdeiro do trono que carrega no sangue a vontade de lutar por aqueles que ainda são escravizados em Regnunlunae, mas o príncipe tem seu coração e mente capturados pelos olhos dourados de Tomásio Magavin, um ômega plebeu que pouco sabe sobre guerras e reinos. Mesmo diante da recusa daqueles que por décadas comandam o Sul, Leo se casa com Tomás pouco antes de assumir a coroa, entretanto, seus leais escudeiros temem que essa decisão afete a paz que buscam incessantemente. Segredos são sussurrados pelos corredores do palácio, e apenas os deuses podem ouvi-los, apenas os deuses têm o poder de intervir. Leo e Tomás carregam dentro de si um amor antigo, vigiado por deuses e temido por aqueles que tramam contra o Sul. A união que premedita guerras, mas desfruta do amor.

‘Depois da Aula’

A coletânea “Depois da Aula” é composta por quatro contos das autoras Gabriela Paraizo (“Gire a Garrafa”), K. Aomine (“Meninos Malvados”), Anya (“Garotos na Fraternidade”) e N. Belikov (Shippe Errado na Terra do Nunca”). A temática do livro gira em torno de professores malvados, notas baixas, estágios e testes surpresa, típicas preocupações de qualquer estudante, colegial ou universitário. Depois da aula, entretanto, como o próprio título diz, suas preocupações podem ser outras, sendo muitas vezes resumidas em: garotos, em especial aqueles que provocam a famigerada sensação de borboletas no estômago.

Sinopses: Em “Gire a Garrafa”, Gabriela Paraizo apresenta um grupo de estudantes de colégio interno e as clássicas descobertas sexuais e românticas da idade. K. Aomine mostra em “Meninos Malvados” que nem tudo é inocência: garotos também podem ser maldosos. Anya desenvolve um romance que floresce, meio sem querer, entre dois melhores amigos que jamais haviam se visto daquele jeito antes, no conto fofo, e ousado, “Garotos na Fraternidade”. Em “Shippe Errado na Terra do Nunca”, N.Belikov narra um amor silencioso, onde o protagonista apaixonado inventa uma forma mirabolante para se declarar e conquistar o amor do colega de faculdade em meio a uma festa à fantasia.

‘Glitter’

Última novidade da Editora Euphoria, “Glitter”, da autora Julls, tem suas vendas iniciadas durante a Bienal, mas seu lançamento oficial no site será feito apenas no dia 17.

Sinopse: No ano 2000, a banda de rock Poison sofre um terrível abalo quando Jorja, a vocalista, morre em decorrência de uma overdose, poucos meses antes de um grande show, em um dos bares mais badalados de Nova York. O guitarrista, Tate Park, fica responsável por encontrar um substituto antes que as chances desapareçam e afundem a banda no anonimato outra vez. O substituto perfeito, no entanto, não estaria tão longe. Seu vizinho, viciado em glitter azul e gloss de cereja, Sky Muhn, possui um dom, apesar da aparente aversão à música, e é a voz dele que Tate escuta ecoando pelo prédio em um dia deprimente e chuvoso. Essa voz seria a responsável não só por levar a banda a outro patamar, mas também por fazer Tate descobrir o verdadeiro significado de paixão.