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Bolsonaro irá à Febraban para falar de economia na próxima segunda

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O presidente Jair Bolsonaro (PL) terá um encontro no próximo dia 8 com a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e a CNF (Confederação Nacional das Instituições Financeiras).

As instituições disseram que a reunião servirá para o chefe do Executivo “falar da economia brasileira e ouvir a visão da indústria financeira”.

A Febraban é uma das instituições que decidiu assinar o manifesto organizado por entidades da sociedade civil em defesa da democracia.

Segundo relatos, o convite já havia sido feito ao chefe do Executivo, mas ainda aguardava resposta. A entidade também convidou outros pré-candidatos à Presidência, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas ainda não há data para o encontro.

Então, no dia 27 de julho, após a entidade anunciar apoio à carta, auxiliares próximos de Bolsonaro agendaram o encontro para a próxima segunda-feira.

O gesto é uma tentativa de reaproximação de um setor que tem sido crítico nas últimas semanas, desde que Bolsonaro fez uma apresentação a embaixadores estrangeiros com ataques ao sistema eleitoral.

O episódio foi ponto de partida para dois manifestos em defesa da democracia: um organizado pela sociedade civil, intitulado “Carta aos brasileiros e brasileiras em defesa do Estado Democrático de Direito”, que já conta com mais de 762 mil assinaturas; outro, pela Fiesp, em defesa da Democracia e Justiça.

Dentre os signatários do primeiro estão os banqueiros Roberto Setubal e Pedro Moreira Salles, copresidentes do conselho de administração do Itaú Unibanco, e Candido Bracher, ex-presidente da instituição financeira e hoje também integrante de seu conselho.

Ele será lançado em um evento na USP (Universidade de São Paulo) no próximo dia 11.

Já o segundo, organizado pela Fiesp, teve o apoio da Febraban, da qual fazem parte o Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Os dois, contudo, foram contrários à adesão ao documento de teor crítico ao presidente.

“A Febraban, no âmbito de sua governança interna, por maioria, deliberou por subscrever documento encaminhado à entidade pela Fiesp [Federação das Indústrias do Estado de São Paulo], intitulado ‘Em Defesa da Democracia e da Justiça'”, afirmou, em nota, na ocasião.

Bolsonaro, por sua vez, vem tentando desqualificar o documento e já chamou os signatários da carta de “empresários mamíferos”.

“Esse pessoal que assina esse manifesto é cara de pau, sem caráter, não vou falar outros adjetivos, porque sou uma pessoa bastante educada”, disse o mandatário, em entrevista à Rádio Guaíba.

Em outra ocasião classificou-a como “cartinha” e atribuiu a adesão dos bancos a ela, porque o governo teria dado uma “paulada” neles com a criação do Pix, sistema de pagamentos instantâneos.

Numa reação ao ato convocado para o dia 11 na USP, Bolsonaro havia confirmado sua presença em dois eventos que ocorreriam no mesmo dia na capital paulista: a sabatina da Fiesp e um jantar com empresários.

O primeiro está sendo marcado com outros pré-candidatos também, e seria o momento em que a federação apresentaria a carta para que eles subscrevessem. Bolsonaro, contudo, vê conotação política no documento e não tem intenção de assiná-lo.

Já o jantar com empresários havia sido organizado pelo grupo Esfera Brasil com a ajuda do secretário de Assuntos Estratégicos, Almirante Flávio Rocha, como forma de demonstrar apoio ao mandatário.

Entretanto, para evitar danos ainda maiores à sua imagem, o presidente desmarcou sua participação nos dois eventos.

Integrantes dos dois grupos que se reuniriam com Bolsonaro em São Paulo comunicaram ao Palácio do Planalto que ainda estão abertos a receber o candidato, mas auxiliares do presidente ainda não responderam quando os encontros ocorrerão –em meio às dificuldades de contornar as críticas do empresariado ao candidato à reeleição.

Bolsonaro escutou conselhos de aliados próximos e integrantes da campanha, que viam nos encontros mais um potencial desgaste, como mostrou o jornal Folha de S.Paulo. A avaliação era a de que pareceria competição com o evento marcado na USP, e que dificilmente o presidente ganharia.

Além disso, existia grande risco de protestos em frente da Fiesp ou do local onde aconteceria o jantar.

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