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Elmano de Freitas, candidato do PT no Ceará, diz que PDT de Ciro derrotou sua própria governadora

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PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) – O candidato do PT ao governo do Ceará, Elmano de Freitas, responsabilizou o PDT pelo fim da aliança entre os dois partidos e disse apostar em propostas de integração de inteligências para convencer os cearenses de que ele é o melhor nome para a segurança do estado.

As afirmações foram feitas em sabatina Folha de S.Paulo/UOL nesta sexta-feira (5), a primeira da série com postulantes ao Governo do Ceará promovida pelos dois veículos.

A primeira entrevistada seria Adelita Monteiro (PSOL), nesta quinta (4), mas ela desistiu da candidatura para apoiar Elmano de Freitas, e a sabatina foi cancelada.

A candidatura de Elmano é fruto de um racha entre PDT e PT depois de 16 anos de aliança, sacramentado no último dia 24 de julho.

Enquanto o PT defendia a adesão à candidatura da atual governadora, Izolda Cela (então no PDT), o PDT, por influência do candidato à Presidência Ciro Gomes (PDT), indicou o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio.

A decisão desagradou a aliados como Camilo Santana, ex-governador do PT que renunciou para concorrer ao Senado e deu lugar a Izolda, e dividiu os irmãos Ciro e Cid Gomes –Cid também apoiava Izolda.

A atual governadora deixou o partido em protesto depois da indicação de Roberto.

“Professora Izolda foi uma das principais responsáveis pelo sucesso da educação no Ceará e é um dos grandes quadros políticos do país. Esteve ao lado do governador Camilo em todos os momentos. Infelizmente o PDT foi absolutamente insensível e quis impor um nome”, afirmou Elmano.

O petista disse ainda que “todos os governadores homens que quiseram ir à reeleição tiveram esse direito de concorrer”.

“Era natural, seja pela competência técnica e política da governadora Izolda, seja para avançar mais seu projeto. Este conflito com o candidato Roberto Cláudio é com o PT, com o MDB, com o PP, é com diversos partidos pela dificuldade dele de se relacionar com outras forças. De unir, de agregar, de juntar”, afirmou.

CONTRASTES

O governador eleito em 2022 administrará um Ceará marcado por contrastes. Tem o segundo melhor Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) do país para séries iniciais, mas uma renda média por habitante de apenas R$ 942 mensais.

Elmano cita que os bons índices da educação precisam se refletir em uma inclusão dos estudantes em uma “nova economia”:

“Com a atração de investimentos que estamos fazendo a partir do nosso porto, do nosso aeroporto, da aliança que fizemos com o porto de Roterdã [Holanda], com a atração do hidrogênio verde, com a atração de polos industriais, nós estamos criando uma nova economia para o Ceará. Nós temos 4% da população brasileira e 2% do PIB. A nossa meta é chegar entre 4% e 4,5% do PIB”, disse.

Elmano, que foi secretário da Educação em Fortaleza entre 2008 e 2012, prometeu ainda realizar investimentos nas escolas em tempo integral.

“Esse estado tem 60% das escolas em tempo integral. Tenho a convicção de que nós precisamos elevar esse número a 100%. E eu sei que dos mais de 400 mil alunos, 240 mil são do CadÚnico [Cadastro Único, do governo federal, para identificar famílias de baixa renda para programas sociais]. São extremamente pobres e ajudam as famílias com alguma renda. Então eu sei que eu vou ter que dar bolsa para eles ficarem na escola em tempo integral”, afirmou.

O Ceará tem outros dados preocupantes, como a cidade mais violenta do país —São João do Jaguaribe, com taxa de 224 mortes violentas a cada 100 mil habitantes— junto a outros quatro municípios na lista dos 30 mais violentos, conforme o Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O tema, conforme pesquisa citada na sabatina, é o segundo que mais preocupa a população do estado, depois da saúde.

Elmano promete investimento na integração das inteligências das polícias Militar e Civil, mas aponta como fundamental uma integração com outros estados, dado que, na visão do petista, o Ceará se tornou um ponto disputado pelo crime organizado para exportar drogas para a Europa e para os EUA e para distribuição a outros estados.

“De cada 100 homicídios ocorridos no Ceará, 85 são ligados a organizações criminosas do tráfico. O estado não produz nenhuma droga, não produz armas. As organizações que atuam no Ceará não surgiram no Ceará. Surgiram em São Paulo ou Rio de Janeiro. Grande parte da droga advém do Peru, da Colômbia e da Bolívia, e elas entram pela região Norte. Então nós precisamos efetivamente ter uma política nacional, incluindo a contenção das nossas fronteiras”, disse.

Elmano apontou como um avanço na área a construção de um centro integrado de segurança pública, em fase de finalização, e na contratação de contingente policial durante a gestão de Camilo.

“Nós contratamos mais de 20 mil homens para a segurança pública do Governo do Ceará. Só que nós temos que aperfeiçoar essa ação. Primeiro com o centro integrado que irá unificar as inteligências da Polícia Militar, do governo, da Polícia Civil e do Corpo de Bombeiros. O centro fica ao lado da superintendência da Polícia Federal. Queremos as informações mais qualificadas dessas organizações criminosas”, disse Elmano.​

Relator de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Assembleia Legislativa sobre o motim de policiais registrado no estado em 2020, Elmano acusa o seu principal adversário na eleição deste ano, Capitão Wagner (União Brasil), de fazer política nas polícias em vez de trabalhar pela segurança.

“Ele é deputado federal. Por que não propôs nada ao Bolsonaro para melhorar a segurança do país? Nós vamos derrotar o capitão em Brasília e o capitão no Ceará”, disse ele.

Elmano, que é deputado estadual há dois mandatos, atribui ao pouco tempo desde o lançamento da sua candidatura o desempenho tímido nas pesquisas eleitorais mais recentes, abaixo dos 10% das intenções de voto.

“Essa mesma pesquisa diz que o ex-governador Camilo tem praticamente 70% das intenções de voto ao Senado. Fizemos a convenção do partido no sábado. Estamos a quatro ou cinco dias com o nome apresentado ao povo do Ceará. Nem todo mundo sabe sequer que eu sou o candidato do PT apoiado por Camilo e por Lula. Eu não tenho dúvida que vamos crescer muito e ganhar a eleição.”

A entrevista foi conduzida por Fabíola Cidral e pelos jornalistas Carlos Madeiro, do UOL, e João Pedro Pitombo, da Folha de S.Paulo. As sabatinas são realizadas ao vivo e transmitidas nos sites dos dois veículos, sempre a partir das 10h.

Cada postulante tem direito a 60 minutos de fala. Os próximos sabatinados serão Roberto Cláudio (PDT), na segunda-feira (8), e Capitão Wagner (União Brasil), na quarta-feira (10).

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