PM preso por matar lutador Leandro Lo criou projeto contra violência
Acusado pela morte de Leandro Lo, oito vezes campeão mundial de jiu-jítsu, e preso temporariamente, o tenente da Polícia Militar Henrique Otavio Oliveira Velozo foi o idealizador de um projeto para a prevenção de crimes contra as mulheres.
O curso, chamado Segunda Força – A Hora da mudança, foi desenvolvido em parceria com a Associação de Oficiais Militares do Estado de São Paulo (Defenda PM), e divulgado em dezembro de 2019.
De acordo com publicações feitas à época, o projeto tinha como objetivo a preparação e a instrumentalização efetiva na defesa pessoal e em noções jurídicas para ajudar no fortalecimento da auto estima e da autoconfiança das mulheres. Além disso, Henrique Velozo, que é faixa roxa de jiu jitsu, também ministrava aulas sobre assertividade no posicionamento pessoal e em aspectos jurídicos.
Em determinado trecho de entrevista, Velozo, que conta que sempre fez artes marciais desde criança e que era lutador de jiu jitsu, diz que a ideia deste curso “era que as participantes conhecessem técnicas capazes de evitar o crime”. Disse que o foco era “a prevenção primária” uma vez que “não queremos motivar o enfrentamento, mas preparar a neutralização de um possível ataque”.
Disse que a ideia surgiu ao ver “durante as aulas das escola de formação, grande dificuldade das alunas em executar muitas técnicas que haviam sido preconizadas em manual”. Explicou que a “parte emocional” era a segunda força e que a primeira força “estava dentro de cada uma delas”.
Velozo se entregou à Justiça na noite de domingo, passou por audiência de custódia e segue preso no Presídio Romão Gomes, da PM, na zona norte. Ele foi reconhecido por testemunhas como o autor do tiro na cabeça que matou Leandro Lo, durante show em São Paulo.
Ele foi indiciado sob suspeita de homicídio qualificado por motivo fútil, segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo. Amigos e familiares acreditam que Velozo, que é faixa roxa de jiu jitsu, já conhecia Leandro e o provocou em show propositalmente.
Testemunhas contaram que os dois se desentenderam após Velozo entrar na roda de amigos de Leandro, pegar uma garrafa de bebida e começar a chacoalhá-la. De acordo com os relatos, o policial tentava provocar o atleta.
Leandro teria em seguida derrubado o homem e o imobilizado. Outras pessoas se aproximaram e separaram a briga, sem ter havido agressões, ainda segundo relatos.
O homem teria, então, sacado uma arma e atirado uma única vez na cabeça do lutador, que foi atingido na testa. A vítima chegou a receber os primeiros socorros de um médico no local e foi levada ao hospital, mas não resistiu.
Velozo estava de folga, sem uniforme e com arma particular. Foi reconhecido por testemunhas após o clube fornecer à polícia lista de frequentadores com autorização de porte de arma. Neste domingo, ele se entregou na Corregedoria da Corporação após decretação de prisão preventiva.
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