‘Folha secreta’ de gestão Cláudio Castro recoloca corrupção como tema eleitoral no RJ
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O escândalo da folha de pagamento secreta na gestão Cláudio Castro (PL), candidato à reeleição, recolocou a corrupção como um dos temas centrais no Rio de Janeiro, estado com seis ex-governadores acusados pelo crime.
Fora do foco desde a derrocada da Operação Lava Jato, o tema ganhou nova força no estado com o envolvimento de deputados federais, estaduais, vereadores e candidatos no caso.
Reportagens do jornal O Globo e da TV Globo mostraram que assessores de parlamentares também estavam na folha de pagamento paralela da Fundação Ceperj (Centro Estadual de Pesquisa e Estatística do Rio de Janeiro), configurando acumulação ilegal de cargos.
Há a suspeita de uso de funcionários fantasmas, “rachadinha” e pagamento de cabos eleitorais. O caso está sob investigação do Ministério Público, Tribunal de Contas e Procuradoria Eleitoral do Rio de Janeiro.
O MP-RJ também incluiu na investigação a suposta compra de uma Mercedes para o então vice-presidente do órgão, Marcello Costa, por um integrante de uma organização social envolvida com o escândalo. Ele foi exonerado do cargo por Castro.
A folha de pagamento secreta foi revelada numa série de reportagens do UOL, que apontaram o pagamento de funcionários de projetos sociais diretamente pelo estado sem divulgação do nome dos mais de 27 mil beneficiários.
Reforçaram as suspeitas o fato de os pagamentos serem feitos por meio de ordens bancárias na boca do caixa.
De acordo com dados do banco Bradesco enviados ao MP-RJ, R$ 226 milhões foram sacados em espécie das contas do governo em agências pelo estado só neste ano -91% do total pago em remuneração nesse período.
A prática reforça a suspeita de repasses ilegais por ser, segundo a Promotoria, “afronta às normas de prevenção à lavagem de dinheiro”.
O dinheiro era destinado a funcionários de 12 projetos sociais, sendo os principais o Esporte Presente e a Casa do Trabalhador. O planejamento dessas ações era feito em diferentes secretarias estaduais, mas a execução e o pagamento ficaram concentrados no Ceperj.
O caso foi um dos principais temas do primeiro debate entre os candidatos ao Governo do Rio de Janeiro, promovido pela TV Bandeirantes.
“Você é culpado pelos fantasmas ou é incompetente porque não viu que todas as pessoas que estavam ao seu lado roubarem?”, questionou o deputado Marcelo Freixo (PSB) no debate.
Castro apostou na estratégia de defender os projetos sociais tocados por meio do Ceperj e afirmou ter adequado os pagamentos e a publicação dos nomes do contratados.
“Isso são os programas sociais. Não existe cargo secreto. Existem as políticas sociais voltando para o Rio de Janeiro. Tive a postura que um gestor deve ter. Desde o primeiro momento montei uma comissão para investigar e eu fui ao Ministério Público propor um Termo de Ajuste e Conduta para que a gente possa organizar o Ceperj. O que fizemos foi colocar política pública na rua. Se tem problema, vamos corrigir.”
O governador também cometeu uma gafe ao tentar rejeitar a possibilidade de existência de funcionários fantasmas.
“Não existe fantasma algum se a pessoa tem que ir ao banco receber. Fantasma seria se a pessoa não tivesse ido ao banco receber”, disse Ca stro. O termo “fantasma”, porém, se refere justamente aos funcionários que recebem, mas não desempenham suas funções públicas.
A aliados o governador tem dito que o escândalo não o atingirá pessoalmente. Ele afirma que vai exonerar aqueles com suspeita de corrupção e tratar o caso como um problema pontual da gestão.
Contudo, dois fatos vinculam o caso diretamente a Castro. Foi ele quem assinou um decreto que, de acordo com o MP-RJ, formalizou a transferência de execução dos projetos das secretarias para o Ceperj. Além disso, o UOL revelou que uma planilha incluída num processo administrativo sobre o Casa do Trabalhador continha uma aba nomeada “governador” descrevendo cargos do projeto.
Um dos primeiros projetos a usar o caminho do Ceperj foi o Observatório Pacto RJ, criado pelo então secretário de Governo Rodrigo Bacellar (PL). Deputado estadual e candidato à reeleição, ele é um dos principais articuladores políticos de Castro.
A cidade em que houve mais pagamentos neste ano (R$ 12 milhões), de acordo com o MP-RJ, foi Campos dos Goytacazes, base eleitoral de Bacellar. Em nota, o deputado disse que nunca teve ingerência no Ceperj.
“O município de Campos dos Goytacazes é referência no norte e noroeste Fluminense, principal polo social e econômico dessas regiões. O governo estadual investe em projetos para minimizar as carências que foram ainda mais agravadas pela pandemia Covid-19”, afirma a nota de Bacellar.
O ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves (PDT), candidato ao governo, mencionou o tema de novo nesta quarta-feira (10), em reunião com aliados para apresentação do plano de governo.
“Depois de tudo que, nós passamos, é inacreditável que tenham sido gastos R$ 300 milhões com gasto secreto no estado”, Rodrigo Neves.
A corrupção foi um dos temas centrais da eleição de 2018, a primeira para o governo após a prisão do ex-governador Sérgio Cabral. O ex-juiz Wilson Witzel venceu a disputa tendo o tema como um dos principais pontos, mas foi afastado denunciado pelo mesmo crime -ele nega as acusações.
Desde a derrocada da Lava Jato, o tema havia esfriado no estado, apesar de Cabral permanecer preso até hoje. Alguns dos principais candidatos também sofrem acusações.
Castro é alvo de uma delação na qual é acusado de ter recebido propina. Neves foi preso sob acusação de ter recebido dinheiro de empresas de ônibus. A prisão foi considerada ilegal, mas ele segue respondendo o caso na Justiça.
Sem acusações criminais, Freixo vinha tratando com cuidado o tema. Ele é apoiado pelo ex-presidente Lula (PT), cujas denúncias na Operação Lava Jato foram arquivadas por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal).
Na campanha do candidato do PSB, o uso da prisão de Neves como arma eleitoral tem sido tratada com cuidado, a fim de evitar a quebra de pontes para um eventual apoio no segundo turno.
Além disso, Freixo tem em sua equipe o marqueteiro Renato Pereira, um dos delatores sobre pagamentos ilegais ao ex-prefeito de Niterói.
Veja Tambem em Últimas Notícias
Capcom disponibiliza coletânea Mega Man Star Force com sete jogos clássicos no PlayStation
Kenyan authorities detain eight students following dormitory fire claiming sixteen lives
Governo federal detalha novas regras do bolsa família para 2026 e amplia benefícios sociais
João Fonseca alcança feito histórico ao vencer Novak Djokovic de virada em Roland Garros
João Fonseca vence Djokovic em Roland Garros e repercussão domina redes sociais
Jogos em 16K: Gothic 1 desafia RTX 4090 ao máximo, entregando 30 FPS e potencial de tecnologia futura
Encerramento das operações da OnePlus nos Estados Unidos amplia vantagem de Samsung e Google
Desenvolvedora reformula sistema de loot e progressão em Borderlands 4 para otimizar modo cooperativo
Nova campanha em Final Fantasy X expõe detalhes ocultos da jornada de Tidus e Yuna em Spira
Microsoft recua sobre inteligência artificial e diminui integração do Copilot no Windows 11
Grand Theft Auto VI eleva padrão de mundo aberto com motor gráfico RAGE e mapa inédito em Leonida